Amnésia: Rebirth

Escrito por

João "JLCfreitas" Freitas

Data de publicação

10 Novembro 2020 11:33

Tópicos

A Frictional Games é garantidamente das minhas empresas preferidas no que toca a jogos de terror e sobrevivência. No entanto, surgiram várias questões sobre este novo título, será uma sequela ao Dark Descent? O estilo de gameplay será semelhante? Será que vão aumentar o nível de macabro que foi o primeiro? Existe muita pressão sobre o estúdio quando se anuncia uma sequela a um título que foi um sucesso entre os fãs de terror. Quando se tem um título de sucesso, especialmente neste género, as minhas espectativas serão maiores, não espero igual ou medíocre (como aconteceu com Outlast 2), e sendo um amante do terror em geral, tenho uma veia extremamente crítica que consegue apanhar quase todos os clichés e truques para passarem a perna ao consumidor.

Damos início à nossa viagem na personagem Tasi Trianon, uma mulher que sofre de perda de memória após um acidente de avião, e que acorda no deserto após alguns dias e nota que algo de errado se passou com os sobreviventes. Tasi tenta resistir aos horrores e ao mesmo tempo, procura respostas sobre o que se passa naquele lugar e tenta salvar o seu filho que ainda está por nascer.

Vejo aqui uma introdução bastante cliché, faz-me lembrar bastante Alien Isolation, Bioshock e Outlast 2 em termos de acontecimentos por ordem, apresentação de personagem, algo de errado acontece (acidente), entrada num sítio desconhecido e súbito jumpscare numa escada, ponte ou algo com suporte duvidoso, nem é preciso fazer muito esforço para fazer as ligações entre estas introduções bastante usadas.

Também é aqui onde as semelhanças acabam, infelizmente, existe uma quebra de imersão na navegação destas sequências, não houve tempo suficiente para aprender a criar zonas de load do mapa em vez de tomar a rota mais “fácil” e meter barreiras como loading screens cada vez que atravessamos uma porta? Estamos em 2020 amigos, já existe tecnologia e formas de ultrapassar este problema. Outro exemplo seria a visão noturna da nossa personagem, que mesmo com a opção de brilho na recomendação certa, era possível ver relativamente bem, com a única desvantagem sendo o medidor de sanidade ir subindo. Um terceiro e último ponto importante para manter o jogador sempre alerta, é o sound design, nunca se desleixem nesta área, é aqui onde dou grande importância, não é possível dar uma boa experiência ao jogador sem ter um bom sound design, algo que envolva o jogador, algo que ofereça aquele sentimento de incerteza e aflição, embora uns tenham um limite maior de ansiedade como é o meu caso, acabei por dar muito pouca importância a zonas importantes na história e que acabei por ultrapassar muito facilmente e sem preocupações porque simplesmente não me dava razões para estar alerta, coisas que Alien Isolation e Bioshock fazem excelentemente.

Se já jogaram Amnésia, têm uma noção no que se estão a meter, prontos para dar corda aos sapatos, porque o melhor que têm a fazer quando vêm um inimigo é fugir e esconder. Não podemos combater nenhuma criatura que nos persegue. Muitas vezes, o que nos irá meter os nervos à flor da pele é atravessar áreas completamente escuras sem aquela luz a gás ou fósforos, sem saber o que estará no fim daquele corredor, é claro que podemos usá-los para acender outras fontes de luz, mas se estamos em fuga com um fósforo aceso, não vai haver chance de acender absolutamente nada porque irá rapidamente apagar-se.

A história tem e continua com aquele sabor a Frictional Games, muitos itens espalhados pelas sequências onde passamos, muita informação sobre os eventos daqueles lugares é passada na forma de documentos, notas, fotos e comentários da nossa personagem, e sinceramente é a forma como a história é contada e abordada que me mantém preso a este tipo de jogo apesar dos percalços, compreender algo que na sua essência é algo sobre renascer, encontrar-se a si próprio no meio de acontecimentos de cortar a respiração e instabilidade mental é sempre um ponto positivo neste contexto.

Amnesia é e sempre será sobre as histórias macabras que são contadas. Os sustos serão apenas um apêndice que complementam esse conto, apesar das diferenças entre Dark Descent e Rebirth, um sendo mais terror corporal e o outro mais estilo pesadelo que normalmente será mais pesado no lado mental. As decisões que tomamos são extremamente revoltantes comparando a outros jogos do mesmo género, e onde nos levam é um tanto gratificante, mas ao mesmo tempo deixa-nos um bocado com a sensação de que falta algo, fica um vazio por preencher.

Isto para dizer que a Frictional Games claramente tem um leque dos melhores jogos de terror que recomendo, Rebirth será mais um, apesar de não cumprir as minhas espectativas por completo, terá um selo de recomendação pela atmosfera, ansiedade desconcertante que cria e pela história bizarra que nos leva numa viagem sombria.

  • Lançamento: 20 de Outubro de 2020
  • Plataformas: PC/PS4
  • Desenvolvedor: Frictional Games
  • Editora: Frictional Games
  • Nota Pessoal: 6.5/10
  • Jogo analisado na versão para PC

Lançamentos

 

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29 Nov 2020
PC
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08 Dez 2020
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