Análise: Afterparty

Escrito por

Gonçalo "Melgacius" Carvalho

Data de publicação

08 Janeiro 2020 16:08

Tópicos

Não foi preciso morrer para me esquecer de muito do que fiz quando tinha 18 anos, bastou deixar passar o tempo e algumas coisas foram sido apagadas apenas para serem substituídas por outras mais aborrecidas. Milo e Lola morreram sem saber como. Acham que foi engano, perderam a memória de algumas coisas. Para recuperarem a vida que tinham terão de ganhar um jogo de bebida ao Diabo. Esta ideia não lembra ao Diabo, mas podia resultar. Em parte, conseguiu-o… em parte.

Nunca joguei Oxenfree, mas quando o jogo saiu alguns dos meus amigos não pararam de falar dele durante semanas, pelo que um jogo do mesmo criador aparecer gratuito no Game Pass era uma proposta irrecusável. Pensava que me ia agarrar desde o início com a maneira de contar uma história, de criar uma árvore de decisões, mas ficou muito longe disso.

Afterparty tenta juntar muito mais ideias do que inicialmente leva a crer. Desde o início do jogo somos levados a crer que estamos a reunir condições para escapar ao Inferno. Gradualmente vamos conhecendo mais gente, criando o nosso rol de relações, preparando o terreno para o que pensamos vir a ser um processo de decisão difícil. O próprio jogo nos vai dizendo isso, muitas vezes de forma gratuita e pouco enquadrada.

No geral, e olhando agora para a floresta, esquecendo a árvore, o terreno foi muito bem preparado, mas a conjugação de todas as mecânicas nunca convenceu. Bem sei que o jogo é baseado em texto e diálogo, mas os momentos de jogo em si são tão rudimentares que eram facilmente omitidos, e no fim percebemos que apenas os introduziram para nos prepararem para a batalha final, se é que lhe posso chamar isso. O próprio enredo não é complexo, o humor faz muito lembrar os Malucos do Riso, e a personalidade dos personagens principais pouco ou nada difere de Millenials genéricos, com problemas nada originais. Esporadicamente é quebrada, e aqui não conheço o termo em português a 4th Wall of gaming (será quarta barreira a tradução?), isto é, os personagens falam directamente para nós, remetendo para a ideia que sabem que estão num videojogo. Não há muitos jogos que façam isto, mas dos que conheço é neste que isso faz menos sentido, e vem muito pouco a propósito, frequentemente só para fazer mais uma piadola que podia doutra forma ser evitada, ou substituída por outra mais inteligente.

Afinal o Inferno não é assim tão mau. Só lá passamos uma noite, mas há toda umam rede de serviços e bens. Amizades. É tal e qual aqui, até têm a sua versão do Twitter, mais uma vez uma adição inútil, que só serve para desviarmos os olhos numa fracção de segundo do que estamos a ler no ecrã. Ne, por uma vez li nenhum dos twitts. Aborreceram-me desde o início. Alguém me consegue explicar o propósito deles, além de introduzirem a missão inicial? Se era só para isso, escusavam de me mos manter a aparecer durante o resto do jogo.

Já disse que o jogo é baseado no diálogo? Claro. Bem, mas não deixamos de andar para trás e para a frente. Podemos imaginar que graficamente não deve exigir muito da consola. Bem, exigindo muito ou pouco a optimização é terrível, com quedas de frames assustadores e constantes. Sinceramente é esta a razão que me vai dar nota mais baixa ao jogo, porque em vários momentos eu me comecei a embrenhar na história, apenas para ser despertado por uma valente queda de frames mal me começava a mexer. Muito sinceramente, não faz sentido nenhum, nem vejo nenhuma explicação par uma optimização tão pobre.

No fim percebemos que a história até nem era sobre nós. Nem ficamos irritados. É fixe, tem os seus momentos. Pior é quando percebemos que as nossas decisões não importaram tanto assim, o jogo não é uma árvore, é uma linha em que as ramificações começam e acabam no mesmo ponto. Há replay value? Há sim. Há mais que se possa explorar na história? Sem dúvida. Interfere com algum dos finais? Nada!! É esta a segunda pecha do jogo. Um jogo acerca de decisões difíceis em que as decisões não contam para nada. Bem, se calhar isto é inovador…

Vamos lá acabar a análise então. O jogo é bom? Para um jogo que podia ser acabado praticamente numa tarde, precisei de 4 ou 5 dias diferentes. O que isso significa? Significa que a história não me agarrou. Neste tipo de jogos isso é o mais importante. O humor fracote, as personalidades genéricas e decisões pouco enquadradas fazem que este jogo esteja longe de ser memorável embora até tenha os seus momentos, mas não os suficientes para o tornarem memorável.

  • Lançamento: 29 de Outubro de 2019
  • Plataformas: PC/Xbox One/Nintendo Switch
  • Desenvolvedor: Night School Studio
  • Editora: Night School Studio
  • Nota Pessoal: 6,5/10
  • Analisado na versão para Xbox One

Lançamentos

 

Skater XL
07 Jul 2020
PC/Xbox One/Nintendo Switch/PS4
Easy Day Studios
F1 2020
10 Jul 2020
PC/Xbox ONE/PS4/Stadia
Codemasters
Paper Mario: The Origami King
17 Jul 2020
Nintendo Switch
Nintendo

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