Darksiders Genesis

Escrito por

Rafael "Gripe" Pereira

Data de publicação

12 Dezembro 2019 08:40

Tópicos

Apesar de se perceber com facilidade que em todos os títulos de Darksiders há alguma coisa que é "roubada" de outra série, eu sou fã. Gosto da temática, da história e da maneira como é exposta, dos personagens, e sobretudo como conseguiram tornar esta série de empréstimos de mecânicas em algo próprio e individual.

Darksiders Genesis, um spin off inesperado, um tanto ou quanto diferente dos seus primos que contém um enorme potêncial no seu gameplay.

Ao contrário dos seus antecessores que nos colocam num pós apocalipse, este jogo coloca-nos num pré apocalipse. Strife e War têm a missão de parar as engrenagens maléficas de Lúcifer que pertubam o balanço da ordem. Pode-se dizer que somos presenteados com um passeio pelo inferno. É bom saber o que é que alguns personagens conhecidos andavam a fazer antes dos eventos que desencadeiam a história dos jogos principais, no entanto é uma história  mais fraca e suave que as restantes e somente no final parece tornar-se séria.

Inicialmente passei por uma breve fase de desapontamento, seguida de uma campanha de contentamento. Achava, e sei que não era o único, que este seria um jogo ARPG. É na verdade um jogo de acção e aventura com alguns elementos RPG e uma vista isométrica. Chega, está seriamente bom assim. Aliás, os jogos ARPG deviam por os olhos neste título dado que a liberdade nos movimentos é, na minha opinião, o próximo passo a ser dado dentro do género. Não devendo abandonar o tradicional por completo, este género pode muito bem adicionar ao jogo a perícia do jogador como factor de influência no combate em vez de ter como base possuir os itens e habilidades correctas.

Eles recomendam jogar com comando, mas eu como joguei com o Strife, usei rato e teclado. Notei problemas na direção, nota-se que o jogo está deveras feito para movermo-nos usando o analógico. Causou alguns problemas relativos ao combate porque torna-se extremamente difícil espaçarmo-nos de um inimigo e usar uma habilidade que usa WASD para apontar, para além disso dificulta também na partes de plataformas o que por si já é mais complicado do que o costume devido à perspectiva do jogo . O combate está simples e sólido. Combos pouco elaborados mas são o suficiente, três habilidades para cada personagem e o que eu gosto mais, poder esquivar-me livremente dos ataques.

Os pouco elementos RPG que nos oferecem são os três stats que já são costume, Health, Wrath Power e Attack Power, apesar de os nomes mudarem um pouco, e uma grelha onde vamos colocando creatures cores que nos dão os mais variados perks e boosts nos stats. Estes creature cores são extremamente limitados, pelo que não existirá variadade de builds e para além disso não existe indicação alguma de qual o stat que cada ataque e habilidade usa para fazer scale, pelo que neste aspeto andamos às escuras e vamos lá por intuição.

Gostei de como separam o jogo por níveis. É a primeira vez que o fazem dentro da série, mas se há um Darksiders em que este método resulta é em Darksiders Genesis, pois a própria história remete-nos sempre para o mesmo local no final de cada nível. 

Tem vários fatores que demonstram possuir a essência de Darksiders. Os tipos de puzzle, que neste jogo têm a particularidade de alterar ligeiramente caso estejamos a jogar em co-op de maneira a que ambos os jogadores participem em simultâneo, sendo que nalguns casos específicos requer coordenação. O estilo visual e sonoro mantem-se idêntico desde o primeiro jogo. Aproveita alguns elementos visuais do título prévio, Darksiders III, partilhando até a má otimização num local de aspeto visual idêntico com que este contém. Os típicos cinemáticos, tipo BD, que acabam por ser um slide de imagens com uma ligeira animação com voice over, é na verdade o único tipo de cinemáticos que Darksiders Genesis tem. O próprio gameplay grita Darksiders, o combate com War é sem dúvida como no primeiro jogo.

Deparei-me com vários bugs, aconteceram sobretudo ao meu parceiro de jogo. O que aconteceu mais foi cair como se o chão desaparecesse, também fiquei do lado errado do portão após um cinemático, entre outros. A maioria foram deste género, inofensivos, até divertidos. Um em específico obrigou-me a reiniciar o jogo, "matava-me" no final de uma ponte que eu tinha de passar. Tinha de matar um boss para poder passar essa ponte, e matei...mas o jogo não reconheceu. Este é grave!

Tentei aproximar a câmara para poder apreciar melhor e pormenorizadamente o design do Strife. Descobri que o jogo não o permitia e como eu sou um jogador vaidoso fiquei triste e desconfiado. As minhas desconfianças estavam corretas, existe uma razão para não permitirem tal coisa, os gráficos são bonitos apenas de longe. Por vezes conseguimos ter uma vista muita próxima de alguns objetos, vê-se claramente todos os borrões.

No final de tudo não posso dizer que não me diverti a jogar Darksiders Genesis. A história é mais curta do que nos habituaram mas vale a pena rejogar os níveis após a história terminada, existem ainda várias coisas para recolher, uns poucos segredos mesmo debaixo do nosso nariz e uma arena. É impossível não sentir que o jogo é mesmo um spin off, algo um pouco mais suave, um extra, e isso vê-se refletido no preço, sendo mais barato que os restantes.

  • Lançamento: 5 de Dezembro de 2019
  • Plataformas: PC/Google Stadia
  • Desenvolvedor: Airship Syndicate
  • Editora: THQ Nordic
  • Nota Pessoal: 7/10
  • Analisado na versão para PC

Lançamentos

 

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