Doom Eternal

Escrito por

Rafael "Gripe" Pereira

Data de publicação

24 Março 2020 19:04

Tópicos

Não tinha passado uma semana, antes do lançamento de Doom Eternal que eu acabara de terminar o seu antecessor de 2016. Posso dizer que as diferenças são notáveis. Algumas demoraram algum tempo a entranhar e dificultaram-me o avanço no jogo, mas depois de me habituar acabaram por se tornar uma excelente ferramenta. Outras são, a meu ver, um tanto ou quanto desnecessárias.

Passamos de Marte para a Terra, que está a ser virada do avesso pelas devastadoras hordas do Inferno. Como bem sabemos, sobra sempre para o mesmo. Doomguy, Doom Slayer, Doom Marine, o que lhe quiserem chamar, não interessa mesmo porque o salto repentino na história não faz muito sentido. Começa numa situação catastrófica mas reduzida a um microcosmo, as instalações marcianas da UAC, onde as pesquisas de Sammuel Hayden acabam por dar um pouco para o torto e uma funcionária liberta demónios que massacram tudo e todos. Explora mais o conceito de Argent Energy e o ambiente é de desconfiança perante todos os personagens. Uma história que eu queria ver aprofundada. Passamos para um macrocosmo que é a destruição global do planeta Terra e de repente tudo soa mais a filme de acção. Explora mais o passado interessante do personagem principal. Cruzam-se caminhos estre as duas histórias, mas nunca numa ligação total. Mas nada de alarmante, o jogo continua brutalmente violento.

Como já vos tinha dito existem alguma mecânicas novas, e para além disso as mecânicas de upgrade também foram ligeiramente alteradas ficando este ligeiramente mais complexo.

Começando pelo Flame Belch, um lança chamas que enfatiza a importância do armor. Todos os inimigos que estejam a arder largam armor e se morrerem largam muito mais. Um dash, dois na verdade, que podemos usar para nos desviar dos inimigos  e para saltos de grande comprimento. Blood Punch, já que o melee só por si, sem a possibilidade de glory kill, só empurra ligeiramente os inimigos (não tentem fazer um combate de boxe com nenhum deles porque perdem) é introduzida esta nova habilidade que liberta uma onda à volta do jogador causando dano elevado aos inimigos, requer glory kills para fazer refresh. Vidas extra que vamos apanhando pelo mapa fora... excusado será explicar como funcionam. Por fim o magnifíco fast-travel do qual tanto me esqueci de usar porque só é permitido usar uma vez que estamos mesmo a chegar ao fim da missão.

Os loops dos níveis mantêm-se fieis ao jogo anterior. Uma secção de plataformas seguida de uma secção de combate e por aí a fora. A secção de plataformas pode ser na verdade só andar, mas a ideia mantém-se, os picos de extâse são os mesmos, um alto, um baixo. A linearidade também se mantem.

Uma outra grande adição foi a Fortress of Doom. Uma nave que paira na orbita da Terra, com um aspeto de castelo das trevas e o seu amo não é nada mais nada menos do que o Doom Slayer. Vimos aqui parar entre missões, bem, entre a maiorida delas. Assistimos a alguns acontecimentos, desbloqueamos upgrades e fatiotas para o nosso durão, encontramos excelentes easter eggs e ficamos deslumbrados com a vista.

Apesar de lutarmos com demónios de aspecto horrendo e mortífero Doom sempre teve um travo de sci-fi. Não consegui deixar de reparar que este jogo tem um pouco mais do que um travo, não na história, de todo esqueçam isso, mas no aspecto, na temática. Sim continuamos a encontrar zona horrendas cheias de corpos empilhados, imenso sangue e tripas por todo o lado, construções de carne viva que nos impendem passagens com dentes afiados, sim isso tudo ainda existe, mas ver que as legiões do Inferno possuem tecnologia realmente avançada ficou-me sem dúvida marcado. Nunca imaginei uma invasão demoníaca tão futurista. 

Achei que relativo ao seu antecessor, este jogo tem sombras pouco carregadas, um ambiente menos pesado menos assutador, inimigos que acabam por ser menos horroríficos, mas que por outro lado apresentam os danos causados, representados por pedaços de carne em falta, grandes feridas sangretas, por vezes até dá para ver parte do crânio do inimigo que está a correr para nós, tão vigoros como furioso, como se nada o tivesse magoado.

Faz-me alguma confusão como é que este jogo andou um pouco para trás nalguns aspectos gráficos. Não esperei após um Doom com um polimento gráfico tão bom, deparar-me agora com um sucessor que tem algumas texturas muito porcas, borradas quando nos aproximamos, apesar de ter os gráficos altos.

A palete de cores que costumava ser sobretudo tons entre vermelho e amarelo vai transitando entre estes tons e tons de verde e azul. Se uma delas serve para representar o Inferno, nesse caso diria que a outra representa o Céu, transmitindo uma sensação mais paradisíaca e descontraída.

Se já sabia bem mandar uns balázios em demónios então agora ainda sabe melhor. O design sonoro de cada tiro está muito mais impactante. Quando penso neste assunto sobresai sempre na minha mente o Heavy Cannon, não só pela animação do recoil nem da grossura da bala que sai da arma, mas sobretudo pelo som metálico que faz quando a arma dispara. 

Fomos bem habituados a uma banda sonora bem pesada na companhia de boas tracks de heavy metal que continua a agradar os fãs. Mas a banda sonora não se fica por aí, cada faixa é bem colocada relativo ao local e situação em que nos encontramos. Para além do heavy metal também vamos ouvir cânticos satanicos e música um pouco mais eletrónica mas com uma sensação igualmente pesada.

No final de tudo posso dizer que não esperava nada mais nem nada menos deste título. É um bom jogo, sem muitas manhas e complicações mas não é algo excepcional, único que vai ficar para a história. Tem uma duração média contando com tempo investido na exploração, a duração ideal para um jogo com este. Desfrutei enquanto durou, mas caso se arrastasse muito mais tornava-se cansativo e massacrante.

 

  • Lançamento: 20 de Março, 2020
  • Plataformas: PlayStation 4, Nintendo Switch, Xbox One, Google Stadia,  Microsoft Windows
  • Desenvolvedor: iDSoftware
  • Editora: Bethesda
  • Nota Pessoal: 8/10

Lançamentos

 

Ghostrunner
27 Out 2020
PC/Xbox ONE/PS4
One More Level, 3D Realms, Slipgate
Watch Dogs: Legion
29 Out 2020
PC/Xbox ONE/PS4/Stadia
Ubisoft
Pikmin 3 Deluxe
30 Out 2020
Nintendo Switch
Nintendo

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