Final Fantasy VII Remake

Escrito por

Rafael "Gripe" Pereira

Data de publicação

16 Abril 2020 20:30

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Final Fantasy? Sou fã desde miúdo quando não conseguia jogar por não perceber nada dos jogos, mas as histórias e as músicas chegavam para eu ficar fascinado. É indubitável que com o passar dos anos os jogos deste franchise têm vindo a piorar, como se os genes perdessem qualidade de geração para geração. Tendo isto em conta acho que a Square Enix fez bem em dar um passo atrás, refazer um jogo de grande impacto e (espero eu) perceber a magia que está em falta nas gerações mais recentes, voltar a ganhar a confiança dos aborrecidissimos fãs de longa data. É no entanto uma jogada arriscada, com grandes possibilidades de estragar um ícone e perder então a réstea de esperança que existe do nosso. Salvo! O jogo está uma pérola, não uma obra perfeita mas boa o suficiente para não passar do 2º dia de jogo e eu já estar a verter lágrimas incontrolavelmente, abalado pela música e a reconstrução do local em que estava, Nem percebi bem o que se passou, mas era tão lindo.

Uma reconstrução incrível do conteúdo antigo, com novidades que acrescentam uma nova profundidade à história. Personagens bem terciários passam agora a personagens secundários que deixam uma pequena marca em nós. E isto não é nada comparado ao facto de poder ver, de forma tão bem recriada, as cenas que antes mal tinham animação e tinhamos de imaginar as coisas a acontecer de forma mais realista.

A história principal não é novidade nenhuma. Somos Cloud Strife, um ex - SOLDIER, super - soldados criados em laboratório través de infusões de Mako, e estamos de momento a desempenhar o papel de mercenário. Contratado pelo grupo Avalanche para causar danos sérios à empresa que nos criou, Shinra que usa Mako como meio para a produção de energia que alimenta Midgar, a cidade onde começamos esta saga. Barret, um dos membros da Avalanche acredita que o Mako, é a energia vital da Terra e o uso excessivo deste prejudicaria o planeta. Sempre vi este pedaço de história como uma critica à sociedade que usa e abusa de todos os seus recursos sem peso conta e medida, para além disso ainda nos é demonstrada a visão horrível de entidades empresariais que destroem a vida dos seus funcionários simplesmente por olharem para eles como ferramentas dispensáveis. Cada um tem um motivo para fazer este ataque, mal sabiam eles as repercursões que lhes aguardam. E vocês se ainda não jogaram o remake nem o original também não sabem... e não será pela minha parte que vão ficar a saber.

À partida o gameplay parece ter levado uma reviravolta incrível. A verdade é que simplesmente tornaram o combate em tempo real com movimentação 3D, a possibilidade de nos salvaguardarmos de um bom pedaço de dano nos ataques que nos atingem e o facto de agora o falhar ataques deixa de ser aleatório e passa a ser algo muito concreto. Se achas que isto é um jogo de acção não te iludas. Rapidamente nos apercebemos como vamos estar constantemente a parar a luta, a fazer análises ao que se está a passar, a precisar de elaborar uma estratégia. Neste aspeto FFVII Remake faz-me lembrar Dragon Age, ambos bons jogos com um bom meio termo entre combate em tempo real e por turnos. Nos mesmos termos continua muito inclinado para a história, sendo a grande parte do conteúdo.

Mantém-se o ATB (Action Time Bar), que era o representante da velocidade dos personagens, sendo que ao encher o personagem tinha direito a uma acção, a um turno. Aqui o ATB não é necessário para agir, podemos andar e atacar livremente, não podemos é usar habilidades, magias ou itens. A meu ver o ATB mantém-se como sendo um turno, pois devido a outras mecânicas do jogo torna-se muito complicado vencer batalhas sem ter de tomar uma das três acções acima enumeradas. Estou a falar especificamente do Stagger, uma condição em que os adversários ficam imóveis e levam muito dano acrescido. Por norma para atingir esta condição é necessário causar boas quantias de dano nos adversários, sobretudo com magia do elemento ao qual estes são mais vulneráveis, e com habilidades, sendo que algumas são propícias a causar esta condição.

Cada personagem tem um ataque especial na tecla triângulo que torna o combate com cada personagem mais único do que já esperava ser. A maneira como cada personagem se move em combate é incrível, cada um tão distinto do outro, mesmo os que à partida seriam mais semelhantes, é extremamente característica e conseguimos logo perceber qual será a função do personagem e como o utilizar. No caso de Cloud e Tifa, existe uma maior proximidade a jogos de acção, com eles conseguimos combinar os ataques básicos com habilidades. Barret foi o que achei menos interessante e divertido, apesar de estar muito bem feito, senti que era monótono e a única razão para alguma vez o controlar era pelo ataque especial, que ao pressionar triângulo podemos reduzir-lhe o cooldown

A Square Enix é uma empresa que sempre teve à frente em inovações gráficas, com os cinemáticos mais belos e bandas sonoras fantásticas que raramente me desapontaram. Os cinemáticos continuam com uma qualidade espetacular, ainda hoje conseguimos distinguir os cinemáticos pré-gerados e os que acontecem em jogo, isto porque os pré-gerados são graficamente mais limpos, não querendo retirar valor aos restantes.

Em termos de música existe uma enorme variedade de estilos. Temos músicas do jogo original cuja qualidade foi simplesmente melhorada, até porque não é preciso mais, temos músicas antigas adaptadas para estilos musicais mais modernos, coisa que não consegui levar a sério, para mim é uma piada, e temos músicas novas que encaixam perfeitamente no ambiente de Final Fantasy VII. O único aspeto negativo que tenho relativo à banda sonora é que algumas zonas do jogo têm faixas associadas, e a certa altura da história com uma disposição mais pesada, a música da zona em que estava fez cair totalmente no esquecimento esse ânimo de carácter negro até os personagens mencionarem os acontecimentos.

Os gráficos são uma das minha maiores alegrias assim como uma das minhas maiores desilusões. Desilude-me porque existem tantas texturas no jogo que demoram imenso tempo a carregar ou não carregam de todo, deixando-nos com borrões do que poderia ser. Ainda não percebi quem culpar, se o desenvolvimento do jogo, se o hardware no qual corre. ico mais inclinado para o hardware porque conseguimos notar que o que não tem mau aspecto é o total oposto, graficamente belo e também porque o jogo tem uma excelente performance. No entanto o que vi neste jogo no que toca à luminosidade deixou-me boquiaberto. São contrastes de luz e sombra bastante realistas e que criam um ambiente raro de se ver em jogos.

A cidade de Midgar, que foi reconstruída de forma magnífica conta com novos sítios para explorar e as áreas que já conheciamos estão mais belas e com mais pormenor, mais amplas, com mais vida e novas caras para conhecer. No fundo o mundo tornou-se mais realista e dá uma ideia mais concreta do que é a vida e a separação social em Midgar.

Na verdade só uma coisa me deixa realmente preocupado. Sabendo que este jogo representa apenas o início da história surge-me uma questão. Como é que eles vão manter esta qualidade no próximo jogo? Já sabemos que vai estar divido em partes mas para manter esta qualidade vão ter de dividir a história original em cerca de 10 partes, ou podem também reduzir a quantidade de conteúdo novo e focarem-se mais em avançar na história principal, caso contrário diria que vamos ver uma descida de qualidade significante.

Tirando isso, o aprofundamento da história e o foco que é dado à mesma, a reconstrução impecável da cidade, a importância do sistema de RPG que se mantém apesar do combate ser diferentes, Summons como Bosses opcionais algo que já em FFXII me fascinava, são algumas das coisas que mais me agradam enquanto fã e que me fazer sugerir este jogo tanto a outros fãs como a jogadores que se estão a iniciar em Final Fantasy VII.

  • Lançamento: 10 de Abril de 2020
  • Plataformas: PS4
  • Desenvolvedor: Square Enix
  • Editora: Square Enix
  • Nota Pessoal: 8,5/10
  • Cópia para análise gentilmente cedida por Ecoplay

Lançamentos

 

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