Frostpunk: Console Edition

Escrito por

Gonçalo "Melgacius" Carvalho

Data de publicação

10 Novembro 2019 14:34

Tópicos

Fiquei apaixonado por este jogo desde que saiu, mas caiu muito perto do dia em que nasceu a minha filha mais nova, e como é compreensível nessas alturas as prioridades são outras. Mesmo assim, sempre que surgia a oportunidade eu acabava por pedir uma cópia. Essa cópia chegou agora, também numa altura em que já não esperava, para um sistema onde não pensei que resultasse tão bem. É um bom sucessor de This War of Mine? É sim. O pedigree está todo lá. Frostpunk superou as minhas expectativas.

Numa Grã-Bretanha pós apocalíptica, um pedaço de mundo completamente tomado pelo gelo e neve, a temperatura tornou-se tão baixa que simplesmente arrasou toda a civilização. Sobraram alguns sobreviventes e é com a sua tentativa desesperada por sobreviver que jogas este world builder carregado de estratégia e decisões difíceis.

Os gráficos são simples, mas extremamente bem conseguidos, até considerando os 720p da Xbox One S. Não notei em ponto algum que tinham poupado detalhe, mas também não é difícil, pois estamos sempre a ver a mesma imagem truncada, o que facilita sobremaneira a optimização de cada pixel. Gosto dos carreiros que as pessoas fazem ao andar na neve, o detalhe dos sensores térmicos, capazes de individualizar as pessoas no meio da neve, as casinhas todas diferentes, as pessoas na sua vida quando fazemos zoom.

A música cria um ambiente ainda mais hostil, quando a situação se torna mais hostil, e dei por mim a entrar no modo de urgência quando notava que a música começava a entrar no modo de tempestade. Quando percebi este reflexo pavloviano, mudei-o para carregar imediatamente no pause, mas nessas alturas acabava por ser demasiado tarde para agir, pois este jogo não perdoa se não planeares antecipadamente.

Mais do que construir uma cidade/civilização, este jogo é sobre tomar decisões, e a maior parte das vezes não há uma opção certa. Não tens como te dar bem com Deus e com o Diabo, mas por vezes é perceptível qual a opção que é menos má. Jogas muito com o equilíbrio de duas barras, a do descontentamento e a da esperança. Por vezes escolher a opção claramente menos má não te causa descontentamento imediato, mas costuma vir associada a promessas que depois tens de cumprir, o que pode tornar a emenda muito pior que o soneto.

Tens que providenciar para todas as pessoas, e a proactividade é, na grande maioria das vezes, a melhor solução. Actuares ainda antes de existir uma necessidade é sempre a melhor estratégia, contudo este jogo é muito mais profundo do que inicialmente parece, e há imensas mecânicas e truques que não apanhas nas primeiras vezes que jogas, o que faz com que faças asneira às paletes com muita frequência.

Cada novo jogo é uma nova aventura. Aprendes algo novo cada vez que jogas, e com o tempo vais optimizando a tua estratégia. No modo história o jogo até nem é longo quando percebes bem como o jogar, já o jogo sem condições de vitória testa-te como poucos, pois a certa altura não tens como equilibrar as tropas.

Providenciar, casa, comida, saúde, carvão, metal e madeira pode tornar-se uma tarefa muito custosa. Ao início parece simples encontrar comida (ou qualquer outro recurso), mas há muitos contratempos que te lixam a vida num segundo, como uma tempestade ou uma mudança de temperatura que dum segundo para o outro impedem as pessoas de trabalhar e se não tiveres armazenado recursos suficientes, num ápice esgotas tudo, até porque as pessoas gostam de comidinha na mesa, e uma casa quentinha, nem que seja de vez em quando. Da mesma forma se te faltarem os médicos a população começa-te a morrer e, da mesma forma, o jogo acaba rápido.

Quando as coisas começam a correr mal é como uma bola de neve, a esperança vai-se, o descontentamento sobe, e mal dás por ti estás a ser expulso da comunidade.

É também muito giro perceber que o jogo te permite jogá-lo de formas muito diferentes entre si. Uma das vezes decidi ser um ditador da pior espécie, e embora os resultados iniciais tivessem sido piores, foi com alguma surpresa que percebi que a certo ponto tudo estabilizava e também podia ganhar o jogo às custas da força e repressão. Praticamente sentimos nos ossos a dor que infligimos às pessoas, ao ponto de nos custar tomar uma ou outra decisão de tempos a tempos. Neste aspecto não se torna tão pessoal como em This War of Mine, porque não criamos laços com os personagens, e não sentimos tanta pena quando morrem. Aqui as decisões pouco mais são que um número. Dói, mas não é tanto.

Uma das mecânicas mais importantes do jogo tem a ver com batedores. Um grupo de pessoas que enviávamos a explorar os arredores e que encontravam mais pessoas para a nossa cidade e, ao mesmo tempo, recurso que se tornavam vitais quando esgotavas onde procurar à tua volta. Ficas tão dependente desses recursos que a primeira vez que a tua equipa morre num nevão ficas completamente descalço. A primeira vez que me aconteceu nem recursos tinha para enviar nova equipa. Neste caso… morrendo e aprendendo.

Tenho muito pouco a apontar de negativo a este jogo. Talvez a impessoalidade. Acho que isso retira muito da carga emocional que a 11 bit studios é capaz de colocar em cada um dos seus jogos. A adaptação a consola é óptima, talvez uma das melhores que já vi, e finalmente tenho um excelente jogo de estratégia para consola. Sim, eu sei que há outros muito bons, mas nenhum me parece tão adaptado a um comando, tanto que me já parece nativo. Por vezes custa a encontrar uma ou outra estrutura, mas é só isso. Se gostas de jogos de estratégia, se tomar decisões difíceis é a tua praia este é o teu jogo, e recomendo-o sem reservas!

  • Lançamento: 11 de Outubro de 2019
  • Plataformas: PC/Xbox One/PS4
  • Desenvolvedor: 11 bit studios
  • Editora: 11 bit studios
  • Nota Pessoal: 9/10
  • Analisado na versão para Xbox One S
  • Cópia para análise gentilmente cedida por 11 bit studios.

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