Ori and the Will of the Wisps

Escrito por

Gonçalo "Melgacius" Carvalho

Data de publicação

16 Março 2020 18:11

Tópicos

Para quem jogou Ori and the Blind Forest as expectativas para a sua sequela eram bastante elevadas. Não esperava menos que a perfeição e, considerando isso, fiquei desiludido já que o jogo não é perfeito, só anda lá perto.

Não sei como começar esta análise quando tenho o jogo tão fresco na ideia. Por norma deixo passar mais tempo para deixar que o meu eu analítico assuma as rédeas e dilua o meu eu emocional. Talvez se iniciar pela parte descritiva isto vá acalmando as minhas hormonas.

Ori and the Will of the Wisps é um jogo de puzzles e plataformas com uma componente de combate, outra de RPG, outra de backtrack. Era mais simples dizer que era um metroidvania? Sim, mas isso acaba por não dizer grande coisa.

O primeiro jogo é muito intenso com a história, com momentos bastante pesados, no entanto parece que o início é o momento mais forte de todos, e tudo o resto fica mais pobre quando comparado. Esta sequela é exactamente o contrário. Nas primeiras horas de jogo comentei com uns amigos que também estavam a jogá-lo que me parecia que a narrativa era muito menos emocionalmente envolvente, mas com o passar do tempo desenrola em momentos de “eu não acredito” com outros de “por favor não vão por aí”, continuando no espírito de menos é mais, com uma utilização de diálogo parcimoniosa, deixando que as acções contem a história.

Algo que também ajuda ao enredo são os múltiplos NPC que ou fazem parte da história, ou nos dão missões acessórias. Qualquer um deles está muito bem caracterizado e acrescenta muito à história. Cada novo personagem tem uma personalidade distinta e preocupei-me, em menor ou maior grau, com todos eles.

Por norma não gosto de missões acessórias, esporadicamente digo isso, mas a natureza mais truncada do jogo, misturada com um número assertivo de zonas de teletransporte, faz que por um lado praticamente não tenhas que te desviar para fazer as missões, fazendo estas parte da exploração natural do jogo, e por outro não são muito morosas de completar, pois podes voltar ao início por teletransporte. Nem tudo é perfeito, porque o mapa é meio manhoso e nem sempre sabes para onde tens de ir nestas missões, se não tiveres boa memória estás tramado para te lembrares onde viste o NPC que achas que queres.

A música, como era de esperar, continua a ser a combinação perfeita com cada emoção e ambiente. É preciso uma sensibilidade muito grande para conseguir esta simbiose. Eu elogiava muito o que fizeram com a música do DOOM, mas conseguir contar histórias só com banda sonora é um feito que pouca gente valoriza.

Bem, a história. Não quero dar grandes spoilers, mas começa logo após o final do primeiro jogo, um começo feliz, até um acontecimento marcante, um imprevisto e puft! Ori está de novo no mundo a salvar um amigo em geral e o Mundo em particular. Foi esta a fase em que eu pensei que não daria para ultrapassar a carga emocional do primeiro jogo, não começou tão forte, a mensagem crítica era mais alegre, e quando se deu o contraste foi menos marcante. Tudo planeado afinal.

Entramos então num dos mundos mais belos que já vi. Já o primeiro era excepcional, e a ligeira mudança na palete de cores, e mesmo no aspecto que o parece tornar um pouco mais desenho animado, melhoram imenso o resultado final. Alguns efeitos de luz parecem algo esbatidos, mas funcionam perfeitamente como contraste.

Esta palete de cores também torna Ori um bicho difícil de ver de tempos a tempos, e por norma isso acontece em momentos mais tensos, seja numa sequência de fuga, seja numa batalha de boss, e é aí que é preciso estar mais atento, o que atrapalha um bocado.

O bailado das plataformas não muda muito do jogo anterior. Continua com a mesma elegante e ágil fluidez do jogo anterior. Arrisco-me a dizer que esta componente é perfeita, e mais se torna com o desbloquear rápido e generoso de habilidades, que neste jogo sofreram um incremento. Estas habilidades permitem-nos chegar a locais que anteriormente não conseguíamos e se o caminho que tomares ou as opções que fizeres ao início forem as certas, praticamente podes ir direito ao final do jogo. Certo que vais bater muitas vezes com a cabeça na parede, e chegando lá mandam-te de volta para trás, mas dá.

É isto que me faz falar doutro ponto, e já me chamaram maluco pelo que não espero que tenham atitude diferente. Este jogo faz-me lembrar um pouco uma versão 2D do Zelda Breath of the Wild. Primeiro porque podes ir para onde quiseres desde o início, depois porque tens NPC interessantes, por fim porque tens uma aldeia com os teus amigos, a qual ajudas a desenvolver.

Não tinha falado da aldeia? Ah, pois. Outro motivo de interesse no jogo é a aldeia que ajudas a criar para os habitantes da floresta. As mecânicas são muito simplistas, mas senti-me sempre impelido a colaborar e ajudar. Não o fiz de forma forçada, parece que está tão bem inserido no jogo que é como se sempre tivesse feito parte da franquia. Já nem me lembro como era sem ela.

Também é um local bom para fazeres os teus upgrades. Estes nunca foram brilhantes, e embora não sejam o forte do jogo, estão claramente melhores que no primeiro, já que os desbloqueios ou compras podem mudar completamente a tua forma de explorar ou lutar.

Pois, as lutas. Que diferença. No primeiro jogo tinhas um ponto de luz que lutava por ti e acabou. Aqui ainda há essa opção, mas à custa de energia, está longe de ser a tua opção principal, pois essa está agora nas mãos duma espada que tens desde o início, que serve para fazer combos rápidos e eliminar os inimigos, mas rapidamente vais desbloqueando e adquirindo novas formas de lutar que podes ir selecionando a cada momento em grupos de 3 (nos botões X, Y e B, os quais podes mudar quando e quantas vezes quiseres, mesmo a meio duma luta). É uma melhoria substancial para o primeiro jogo, como da noite par ao dia. Que upgrade.

Isto já vai longo, tenho de me calar. Aparte uns glitches de som no meu PC, pois o jogo não quer ser colocado num HDD, passei boa parte das secções finais a dizer para mim que este jogo estava perfeito. Estou muito toldado pelas emoções, em lágrimas com o final da história e, acima de tudo, com o provável fim da história. Tudo o que é bom tem um fim, certo? Mas eu não queria…

Acabei o artigo sobre o primeiro jogo a pedir à Microsoft para não deixar escapar os Moon Studios e acabo este da mesma forma. Esta gente sabe mesmo o que faz. Que jogo!

  • Lançamento: 11 de Fevereiro de 2020
  • Plataformas: Xbox One/PC
  • Desenvolvedor: Moon Studios
  • Editora: Xbox Game Studios
  • Nota Pessoal: 9,5/10
  • Analisado na versão para PC

Lançamentos

 

Crash Bandicoot 4: It's About Time
02 Out 2020
Xbox One/PS4
Toys for Bob
Star Wars: Squadrons
02 Out 2020
PC/Xbox ONE/PS4
DICE
FIFA 21
09 Out 2020
PC/Xbox ONE/PS4
EA Canada

Guias

Ver todas

TOP Reviews

Ver todas