Call of the Sea

Escrito por

Gonçalo "Melgacius" Carvalho

Data de publicação

21 Dezembro 2020 12:00

Tópicos

Na noite em que acabei este jogo tinha planos para parar às duas da manhã e fazer um stream relaxado do jogo na manhã seguinte. Há coisas que não vale a pena planear pois só parei às cinco da manhã com o jogo terminado, irritado porque fiquei com a sensação que faltava qualquer coisa e não sei explicar o quê…

Call of the Sea mistura um walking simulator com um jogo de puzzles. Uma narrativa muito envolvente compõe o ramalhete e podem ter a certeza que não sairão decepcionados com ela. Creio que a primeira vez que vi este jogo foi em Maio, não tenho bem a certeza do evento, mas penso que foi num showcase da Xbox de IP third party. Na altura a arte a meio caminho entre uma pintura a óleo e cell shaded deslumbrou-me e o trailer conseguiu ser intrigante o suficiente para me deixar o jogo debaixo de olho.

Mal entro no jogo consigo ficar de imediato embrenhado na história e no mundo envolvente. Jogamos como Norah, uma mulher com uma estranha doença cujo marido, Harry, havia partido em busca da sua cura. A certo ponto é-lhe pedido que o procure e esta acaba a caminho duma intrigante ilha tropical, começando aqui a nossa história.

As componentes técnicas do jogo são fabulosas e contribuem imenso para a imersão. É um deleite para os ouvidos os trabalhos de voice over, todos os efeitos sonoros e musicais. A história avança ao ritmo a que nós avançamos nos níveis, mas nunca de forma a nos deixar com dúvidas sobre o seu propósito, e bem cedo no jogo já sabes bem ao que vais. Não é, porém, essa falta de surpresa que torna a história menos interessante, ou nos retira a curiosidade de avançar e querer saber mais, mas há sempre algo que falta, mesmo quando vais avançando na autodescoberta e na descoberta dos eventos da expedição de Harry sentes que não está tudo completamente bem.

O jogo está dividido em capítulos onde tens de resolver uma sequência de puzzles para avançar. A malta que imagine queixar-se destes deve ir passar uma tarde de volta de Grim Fandango para perceber que, na sua essência, em Call of the Sea todos os puzzles são lógicos e o jogo ainda nos dá uma ajuda gigantesca mantendo todas as nossas descobertas num imprescindível diário que acaba por se tornar o nosso farol ao longo do jogo. Não são perfeitos. Joguei no PC e o puzzle que não resolvi foi porque o jogo não registou correctamente a minha interacção com uma peça, não me dando um dado essencial para uma pesquisa. Mesmo assim acabei por encontrar a solução ao calhas enquanto tentava uma hipótese errada. Acertei pela sorte, mas isto mostrou que as ideias iniciais usualmente estavam certas, mas nem sempre era fácil e óbvio como lá chegar. Por exemplo, noutro puzzle eu tinha a certeza absoluta da solução, apenas não consegui ver a peça com a qual devia interagir por ser muito pequena e diferente de todas as outras que haviam aparecido até então, daí a ter ignorado. A minha última reclamação foi com a complexidade de construção de um dos puzzles que me levou a formular um rol de soluções carregadas de chico-espertice de trazer por casa, feitas para enaltecer o meu ego e me fazer sentir inteligente sentado sozinho na minha cadeira de escritório, quando na realidade a solução era extremamente simples e completamente desfasada de toda a construção prévia.

Há outras secções mal explicadas, zonas a que só nós deveríamos ter acesso, mas que Harry, mesmo sem as nossas habilidades conseguia atingir. Exceptuando um local, as explicações até se comiam, mas considerando o epílogo da história, depois há outras coisas que deixam de encaixar. Já que falei do epílogo, a construção do enredo até ao clímax final é bastante boa. Como já havia dito a história é linear desde o início, mas no fim fiquei meio irritado pela forma como a concluíram, pois duas meias verdades não fazem uma mentira… ou uma verdade inteira. Dito desta forma parece que não há algum problema, mas acho que este jogo resultava melhor com um final singular que colocasse um posto final inequívoco e icónico na história. Dando-nos mais que uma hipótese parece que nos tira o sentimento de perda, já que podemos sempre ir ver outros finais ao Youtube ou simplesmente jogar a última parte do último capítulo.

Já agora, um mero detalhe, faz falta o cloud save. Podia ter jogado o jogo no telemóvel, mas teria de começar do zero. É pena. Impressionante como já reclamo com coisas que há um par de meses não me passariam pela cabeça existir.

Neste jogo há sempre um pozinho que falta para atingir aquele patamar de excelência. Tecnicamente fabuloso, mas com uma mistura de ir com muita sede ao pote e detalhes que não encaixam no tom geral da história impedem que se torne um dos meus jogos do ano. Isso faz dele mau? Longe disso, mas por vezes a decepção de ver que ficámos a um passo do pódio e tão grande como desistir da corrida. Uma jogo essencial  para quem tem Game Pass!

  • Lançamento: 8 de Dezembro de 2020
  • Plataformas: PC/Xbox
  • Desenvolvedor: Out of the Blue Games
  • Editora: Raw Fury
  • Nota Pessoal: 8/10
  • Jogo analisado com uma chave para Game Pass Ultimate gentilmente cedida por Xbox Portugal
  • Analisado na versão para PC

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