Crash Bandicoot 4: It's About Time

Escrito por

Rafael "Gripe" Pereira

Data de publicação

07 Outubro 2020 10:03

Tópicos

Já se passaram anos desde que recebemos um novo Crash Bandicoot, para ser sincero, nem era algo que eu imaginava acontecer.
Ao reviver uma série já tão antiga, sou de acordo que é necessário trazer algo de novo ao jogo, algo que refresque e entusiasme o jogador. Crash Bandicoot 4: It's About Time não desilude de maneira alguma neste aspecto. Traz um saco cheio de novas mecânicas, personagens jogáveis e até cosméticos, tudo isto encaixado suavemente sem causar estranheza alguma da nossa parte, a parte do jogador. Assim vale a pena.

Tudo começa...ou melhor, recomeça quando antigos vilões, Cortex, N.Tropy e Uka Uka escapam da sua prisão e abrem uma frecha no espaço-tempo, motivando Crash e Coco a reunir as quatro máscaras quantum e impedir o desastre eminente.

Crash Bandicoot tem vindo a demonstrar um historial de bom level design com a capacidade de tornar um objeto hóstil num suporte para alcançar uma plataforma mais distante, criando pressão sobre o jogador e tornando o salto mais preciso. Todas estas ideias ganharam imenso potencial ao serem acrescentadas ao jogos as novas quatro máscaras. Cada uma dela traz um novo poder, uma nova mecânica, materializar e desmaterializar objectos, abrandar o tempo, inverter a gravidade ou aumentar exponencialmente a velocidade do nosso rodopio que nos faz saltar mais alto, mais longe e destruir caixas, inimigos e ataques dos mesmos que de outra forma não nos é possível. Não me compreendam mal, estas máscaras não nos tornam mais forte, são colocadas no início de algumas secções desenhadas para essa mecânica em específico. Por vezes conseguimos aldrabar um pouco essas secções utilizando outras mecânicas base aliadas aos poderes de cada máscara, sendo que inverter a gravidade foi o que me pareceu ter maior potêncial para esta brincadeira.

Pode ser um jogo fácil ou difícil, algo que antes era apenas proposto pelos objetivos extras de cada nível, como partir todas as caixas. Esta opção é realçada com a inclusão de duas dificuldades. Modern para quem não quer repetir os níveis por perder todas as vidas, utiliza apenas checkpoints nunca obrigando o jogador a ver o ecrã de Game Over. Retro para aqueles que querem uma experiência clássica onde podem acumular vidas e perdê-las todas num só nível.


Nunca me fartarei de jogar na pele de Crash. Concerteza que vocês concordam comigo. No entanto, não digo que não a mais personagens jogáveis. 

Começando por Coco que agora divide o protagonismo com Crash, está sempre disponível para ser utilizada no lugar do seu irmão mais velho, o que faz sentido dado que o gameplay é no seu todo igual.

Tawna, uma velha amiga de Crash e Coco, mas sendo esta de uma dimensão diferente, logo uma Tawna diferente. Usa um gancho para alcançar caixas e inimigos longínquos assim como para se movimentar pelo mapa. Pode fazer wall jump em locais indicados para tal.

Dingodile, um antigo boss de Crash Bandicoot : Warped, e para mim o possuídor do gameplay mais divertido entre os novos personagens. Faz-me lembrar Luigi's Mansion, o seu lança-chamas é agora um aspirador, aspira caixas que se não se partirem logo (Ex : TNT), podem ser atiradas contra inimigos, muros de explosivos ou qualquer outro objeto com que haja a possibilidade de interação. Também usa o aspirador para se manter no ar durante saltos de maior comprimento e rodopia para atacar com a cauda

Por fim, muito inesperado, N.Cortex, o grande vilão da série é agora um personagem jogável e também aquele com que menos gostei de jogar, apesar do seu gameplay ser bastante original. Para atacar usa uma pistola, mas esta não destroí os inimigos. Com um tiro, transforma o inimigo numa plataforma de pedra, com dois tiros transforma o inimigo numa plataforma de gelatina que funciona como um trampolim, ou transforma o inimigo numa plataforma imaterial. A parte chata é o terceiro tiro, que traz o inimigo de volta à sua forma original tornando-se outra vez numa ameaça para nós. Não possuí qualquer tipo de salto duplo ou maneira de manter no ar, tem sim um dash que pode ser utilizado tanto no chão como no ar.

As novidades não acabam aqui. Começemos pelos grinds à Ratchet & Clank, pequenas secções de nível onde vamos a deslizar num tronco, num carril, e temos de nos deviar dos obstáculos enquanto apanhamos caixas. Assim como estas secções de grind, também os níveis que baseavam-se em fugir de algo, uma bola de neve, um dinossauro, são agora também apenas secções de nível, com muita pena minha. Ainda assim estas secções não perdem impacto algum, a câmera no ângulo inverso que obriga o jogador a prestar uma atenção constante e a ter reacções rápidas, assim como o "mal" que nos segue e cria a pressão de que não há margem para erros.

Temos também os Flashback levels, níveis desbloqueáveis ao apanhar cassetes VHS, sendo estas gravações do treino de Crash enquanto experimento de Cortex. São níveis desafiantes onde existem poucas plataformas de apoio. Não perdemos vidas nestes níveis, fazendo deles secções BONUS em formato nível. Gostei bastante. Os Inverted Levels, que são os mesmos níveis da história, mas não só estão invertidos como adicionam novas surpresas a cada nível, como este ser a preto e branco e necessitar de ser pintado, ou um nível passado debaixo de água. Vale a pena visitar estes níveis e ver que surpresas nos esperam.

 
 Não podia deixar de parte o modo Multiplayer. Um modo casual para se jogar com amigos ou família. Consiste no antigo modo de jogo desenvolvido pelos jogadores entre si, que é sobretudo moral, cuja denominação é "Vida a vida". É verdade, foram buscar uma ideia tão antiga, mas que encaixa perfeitamente. Temos então as Bandicoot Battles, com duas opções, Checkpoint Race, ver qual o jogador que termina mais rápidamente o nível ou o que chega mais longe em menos tempo. Crate Combo, consiste em destruír caixas, acumular pontos e multiplicador desses pontos ao destruír caixas.  E por fim temos o modo Pass N. Play onde os jogadores se juntam para passar um nível, seja este Normal ou Invertido, ao morrer ou chegar a um checkpoint o jogador passa o comando ao próximo. Ok, se calhar não é bem um "Vida a vida", mas a ideia está lá.
  



As melhorias gráficas já tinham sido espetaculares em N'Sane Trilogy, ainda assim, neste novo título, foram capazes de ir mais além com maior qualidade gráfica mantendo sempre o estilo cartoon, enfeitando o cenário de fundo com mais animações, mais objetos que trazem vida e muita animação a cada nível, sejam eles vegetação, quadros, máquinas, músicos...há muito mais para onde olhar. A paleta de cores também aumentou, trazendo cores mais berrantes e criando contrastes mais salientes. São ambientes bonitos e divertidos.

Dificilmente se resiste à onda de nostalgia que surge ao ouvir a música típica de Crash Bandicoot. Foi o primeiro pormenor do áudio que registei, não poderia ficar de lado, e era-me impossível não reparar. No geral o áudio do jogo está bom, bastante limpo e sincronizado. Todos os sons antigos foram apenas melhorados. Exitem alguns novos efeitos sonoros de entre os quais se destacaram os efeitos dos poderes de certas máscaras que atrasam a música de fundo e aumentam o eco, ou fazem parecer que estamos dentro de uma máquina centrifugadora. Excelente trabalho!


Não posso deixar de mencionar uma curiosidade da qual me apercebi. Como podemos averiguar na imagem acima, estamos a ser bombardeados com ataques tanto altos, como rasteiros. Não é algo que acontece apenas na situação acima. O que tem de especial? A cor dos ataques. Ataques altos são vermelhos, ataques verdes são rasteiros, e estas são as cores dos botões na Xbox que correspondem à acção necessária para esquivar o ataque. O trabalho da equipa de UX (User Experience) é de tal maneira bom que está perceptível a qualquer jogador, a ajuda que está a ser oferecida, até para mim que joguei o jogo na Playstation.

 

Foi um jogo proporcionador de inúmero belos desafios que me entreteu durante todo o meu tempo de jogo e ainda entretém. Após passar a história ainda tenho inúmeros níveis opcionais para passar, coisas para recolher, enfim, a diversão não termina. Não podia estar mais contente pelo regresso de Crash que decidiu vir mais acompanhado do que nunca. Este não é sem dúvida só mais um jogo no ano de 2020.

  • Lançamento: 2 de Outubro de 2020
  • Plataformas: PS4/Xbox One
  • Desenvolvedor: Toys for Bob
  • Editora: Activision
  • Nota Pessoal: 8/10
  • Cópia para análise gentilmente cedida por Playstation Portugal

Lançamentos

 

Ghostrunner
27 Out 2020
PC/Xbox ONE/PS4
One More Level, 3D Realms, Slipgate
Watch Dogs: Legion
29 Out 2020
PC/Xbox ONE/PS4/Stadia
Ubisoft
Pikmin 3 Deluxe
30 Out 2020
Nintendo Switch
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