Deadly Premonition 2: A Blessing in Disguise

Escrito por

Gonçalo "Melgacius" Carvalho

Data de publicação

27 Julho 2020 15:00

Tópicos

Na minha idade adulta deixei de ser adepto de consolas. Tive uma Wii porque ma deram, tive uma PS2 porque apareceu muito barata no fim do ciclo, mas praticamente não joguei com ela. Uma vez joguei o primeiro Deadly Premonition em casa dum amigo, numa tardada de jogos. Ele apresentou-me o jogo como sendo um meme, mas dei por mim a pensar que gostaria de ter metade da genialidade de quem tinha escrito aquela história, mesmo só tendo jogado durante umas horas. Deadly Premonition 2: A Blessing in Disguise entra nesse mesmo capítulo, mas ao contrário do antecessor não consegue chegar ao estatuto de tão mau que é bom.

Tenho que libertar-me já desta frustração imensa. A díade criada com o personagem principal e a sua dupla personalidade tornam York/Zach o personagem mais emblemático e desenvolvido que vi nos jogos que me lembro de jogar nos últimos tempos. É quase enternecedora a forma como fica surpreendido com o trivial, e como ignora praticamente tudo o que a mim surpreenderia. As constantes comparações com filmes, as voltas gigantescas que dá para justificar ou exemplificar uma ideia, a maneira ridícula como encara a solução de um crime... se calhar convém dizer que o Agente Especial do FBI Francis York Morgan se encontra numa pequeníssima cidade sulista completamente dominada pelo mafioso que a criou. Apenas o facto de ser uma cidade sulista já dá para antever algumas ideias politicamente incorrectas para os dias actuais, e não sou de questionar a liberdade artística, mas algumas das ideias polémicas e politicamente incorrectas não parecem enquadradas, parecem atiradas apenas para criar antagonismo a este mundo do politicamente correcto. Embora entenda, não resultou.

A qualidade gráfica é pobre, algo que tentou ser minimizado pelo cell shading. Olhando de perto torna as pessoas interessantes, mas afastamo-nos dois passos e essa ilusão esfuma-se por entre os dedos. Seria de esperar que com gráficos tão simplistas o jogo conseguisse estar optimizado para a Switch, plataforma para o qual é exclusivo, mas de forma incompreensível o jogo parece uma apresentação de slides quando estamos na rua, especialmente cada vez que andamos de skate. Há inclusive pop-ups a aparecer praticamente quando estamos a chegar à sua localização. Acho que nunca tinha apanhado um jogo tão mal optimizado, embora tenha a certeza que os há.

A história é mirabolante e bem escrita. Arrisco-me a dizer que os fãs desta franquia sentir-se-ão em casa. Eu adorei. O que corta imenso a imersão no jogo é o realismo que dá aos horários. Há missões que só se podem fazer a determinadas horas, falhas essa hora e tens de esperar mais um dia, mais ou menos a 20 minutos por hora. Esse nem é o pior exemplo, lembro-me duma missão que apenas podia ser realizada a um dia da semana. Há jogos que minimizam esta espera oferecendo múltiplas actividades para nos entreter nessas esperas. Esquece as actividades, aqui não tens quase nada para fazer, e mesmo as missões secundárias só te entretêm por um bocado. Eu acabava por ir dormir sempre que tinha de esperar. A certo ponto já contava com isso, mas dormir vem sempre associado a banhos, limpezas de fatos, comer e fazer a barba, uma data de mecanismos de jogos de sobrevivência para os quais já não tenho paciência quando são inseridos num jogo que nada tem a ver com essas características. Bem sei que é uma questão de preferência pessoal, mas é tão mas tão aborrecido que me tira imediatamente a vontade de prosseguir com um jogo, e este nem é dos piores nesse campo.

Para um jogo com tantas referências cinéfilas acaba por ser algo irónico a música que corre quando andamos de skate ser sempre a mesma, bem como os monólogos do Agente York serem bastante repetitivos nessas alturas. Considerem que passam boa parte do jogo em cima dum skate e perceberão facilmente que isso não é muito entusiasmante.

Para finalizar o capítulo da optimização convém mencionar que o tempo de carregamento que serve de transição entre áreas interiores e exteriores é gigantesco. Pior só carregar um servidor no Rust quando temos o jogo instalado num HDD.

Em jeito de resumo é uma pena um personagem tão emblemático e uma história tão divertida não tenha tudo o resto desenhado de forma a conseguir acompanhar o jogo. Tenho sérias dúvidas que este jogo também se venha a tornar um clássico pela sua falta de qualidade, e ainda há a gratuitidade com que debita ideias polémicas. É um jogo de extremos, da minha parte mais para o extremo negativo. Para todos os efeitos também me parece que os fãs do primeiro jogo irão gostar deste, já que é mais do mesmo. És um desses? Avança para este. Não fazes parte do gangue? Passa para o próximo.

  • Lançamento: 10 de Julho de 2020
  • Plataformas: Nintendo Switch
  • Desenvolvedor: TOYBOX Inc.
  • Editora: Rising Star Games
  • Nota Pessoal: 6/10
  • Cópia para análise gentilmente cedida por Nintendo Portugal

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