Deliver Us The Moon

Escrito por

Gonçalo "Melgacius" Carvalho

Data de publicação

09 Julho 2020 10:00

Tópicos

O Game Pass tem destas coisas. Acordei e deparei-me com o facto raro de não ter nenhum jogo em lista de espera. Parece que já nem sei o que fazer nestes dias. Abri o Game Pass e procurei algum jogo que me parecesse pequeno o suficiente e diferente o suficiente para eu poder jogar e gostar. Deliver Us The Moon pareceu-me uma espécie de Alien Isolation Indie e instalei-o. Felizmente estava enganado, não era um jogo com uma tensão assustadora. Foi sim um jogo que conseguiu conciliar vários pontos positivos que isolados não são excepcionais, juntos providenciam uma excelente experiência.

Deliver Us The Moon é um jogo de ficção científica que se passa no futuro próximo, numa altura em que o Planeta Terra já esgotou os recursos naturais. Está a subsistir através duma substância descoberta em abundância na Lua, Helium-3, que serve para suprir boa parte das necessidades energéticas terrestres até que… um dia para de ser enviado.

Sem energia para enviar nova missão para perceber o que tinha acontecido, o destino da Terra parecia traçado, até que uma pequena equipa, que nunca tinha desistido de lutar para voltar à Lua, lá consegue reunir condições para essa missão. O tom da história é sempre este. Previsível. Funciona como um funil, até começa dando-nos espaço para formular muitas hipóteses, mas vai progressivamente guiando-nos para as respostas, que parece que adivinhamos sempre um passo antes de nos serem dadas, contudo esta progressividade fabulosa faz com que queiramos sempre ter a certeza do próximo passo, mesmo que já tenhamos uma boa dose de certeza do que aconteceu, não sabemos ao certo como aconteceu.

A própria maneira como nos dizem como aconteceu tem alguma magia, mesmo que se vá tornando mais convencional com o passar do jogo, ver o que já aconteceu através de hologramas a que o nosso companheiro robô pode aceder em cada nível cria logo cenário. É uma solução criativa e bem pensada.

Também acedemos a informação em blocos de notas ou trocas de mensagens deixadas em tablets que encontramos na Estação Espacial, tablets esses que milagrosamente mantiveram a carga durante 5 anos. É o futuro.

O que gostei menos foi da forma como encontrávamos os ficheiros de áudio. Eram-nos dados ao passarmos em determinadas portas. Depois de tanto cuidado com o detalhe noutras secções, este foi bastante descurado e creio que havia múltiplas maneiras de tornar esta obtenção de informação muito mais orgânica.

O gameplay é um misto de puzzles simples com um walking simulator. O jogo é bastante focado na história, mas esta funciona excepcionalmente bem ao ser conciliada com estes puzzles, já que estão perfeitamente enquadrados no cenário e ambiente criado pela narração. O defeito que posso apontar é que há um par deles que repetem a mecânica de forma desnecessária. O mesmo puzzle feito apenas uma vez teria muito mais impacto que, por exemplo, ter que alinhar três ou quatro torres sempre da mesma maneira.

Convém mencionar que os gráficos eram deslumbrantes em campo aberto, com o ray tracing a fazer grande diferença na superfície lunar, e muito competentes nos interiores. Foi este ambiente que me chamou a atenção no jogo e é mais um daqueles pontos que não é de topo mas que aliado a todos os outros cria um jogo em que o todo é claramente superior à soma das partes. A qualidade sonora deu aqui também uma ajuda gigantesca à imersão no jogo. Muito bom o detalhe de cada acontecimento, cada passo, cada entidade. A narração também foi impecável do princípio ao fim, e praticamente nada me distraiu do que se passava no ecrã.

Antes de acabar não posso deixar de mencionar o nosso personagem cujo andar me pareceu sempre muito rígido e artificial, destoando um bocado de todo o cuidado empregue nos restantes gráficos, e a maneira estranha como a câmara se movimentava. Percebo que quisessem dar um ar mais cinemático ao jogo, dada inclusive a sua natureza, mas não facilitou em nada algumas das secções.

Deliver Us The Moon não precisou de me assustar para me agarrar do início ao fim. Almocei, arrumei a cozinha, comecei a jogar. Parei para jantar, arrumei a cozinha e voltei ao jogo para só parar após o concluir. Concilia uma história sólida com puzzles moderadamente criativos e grafismo acima da média. Não foram precisos grandes twists, acontecimentos mirabolantes, mecânicas inovadoras. Foi preciso uma equipa competente, com cuidado no produto que criou com amor, criando também no processo uma história de amor que me manteve de olhos fixos no monitor até a concluir. Se gostam do género joguem o jogo. Se não gostam… joguem na mesma. Recomendado!

  • Lançamento: 10 de Outubro de 2019
  • Plataformas: PC/Xbox One/Switch/PS4
  • Desenvolvedor: KeoKen Interactive
  • Editora: Wired Productions
  • Nota Pessoal: 8/10
  • Análise efectuada na versão para PC

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