Dirt 5

Escrito por

Gonçalo "Melgacius" Carvalho

Data de publicação

20 Novembro 2020 09:00

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Quando comecei a jogar o jogo achei estranho não ter um tutorial. Já estou tão habituado a que os jogos me expliquem como se vira para a esquerda e para a direita que parece que senti a falta, mas em dois minutos percebi a razão. Dirt 5 é um jogo tão, mas tão, mas tão arcade e casual que não é preciso explicar nada. Conduz como te divertires mais. Vai correr tudo bem, vais ver.

O que salta mais à vista com Dirt 5 é a qualidade gráfica. No seu todo, olhando para todo o cenário, percebemos onde estão os atalhos, mas o nosso olho está ali no centro do ecrã e é aí que reside a magia e onde a Codemasters investiu em força. No meu portátil que já suporta ray tracing o jogo impressiona, mas mesmo sem isso as diferentes condições atmosféricas já criam efeitos que nem no Forza Horizon 4 alguma vez vi. Talvez uma das minhas reacções mais fortes a um efeito visual tenham sido neste jogo, no momento em que vi as folhas de árvore a voar com a minha passagem. É tudo predeterminado, não é o carro que as levanta, mas inicialmente nem reparamos, nem interessa, nesse momento percebemos que os jogos deram um salto qualitativo, e a partir daqui será sempre a subir. Preparem os PC…

Para falar a verdade esse foi um dos problemas de Dirt 5. Com o adiamento de Halo Infinite tornou-se um jogo de capa para a Xbox Series X e quis-se tornar um jogo multiplataforma num exclusivo da marca. As expectativas criadas foram irrealistas e o jogo acabou por levar por tabela por quererem olhar para ele como algo que não é nem nunca foi.

O que mudou foi o estilo de jogo. Esperava um simulador mais completo, mas fui presenteado com um jogo absolutamente arcade e casual, algo diametralmente oposto ao seu antecessor, e acho que a mudança fez-lhe bem, deu-lhe um ar mais fresco e provavelmente é um sinal que vai haver, tal como na franquia Forza, uma diferenciação dentro do Dirt, existindo uma versão mais virada para a simulação, outra mais para o arcade. Ainda mais agora que a Codemasters conseguiu a licença da FIA para o Mundial de Rally.

Então conduzir ficou reduzido a quê? Ficou reduzido à diversão. Não me entendam mal, continua a ser mais rápido conduzir bem, mas para mim isso nunca valeu a pena quando na mesa estava a diversão com uma penalização tão baixa. Grande parte dos circuitos pode ser passado com uso correcto do travão de mão, toque preciso no acelerador na altura certa e algumas travagens queimadas para antecipar ou facilitar um drift. No fundo, é apontar o carro, meia bola e força. Isto torna o jogo redutor? Não, torna-o divertido!

Para além do modo online tens o modo Playgrounds onde podes criar as tuas próprias pistas e Gincanas para correres e partilhar online. Esse modo, para quem gosta dessas coisas, insere o replay value a todo o jogo. É uma ferramenta de construção interessante e já produziu muitas pistas interessantes. Não é bem algo que goste de fazer, mas admito que ficou giro.

O grosso do jogo será certamente investido no modo carreira, onde começas como um rookie e vais progredindo na cadeia alimentar. A música é um dos grandes pontos positivos do jogo e mantém-te na onda certa para cada local e modo. Embora os modos sejam mais ou menos sobreponíveis, o modo Pathfinder que funciona como uma espécie de trial para jipes é muito interessante e o já esperado modo Gymkhana onde fazes diversas habilidades para somar pontos são claramente diferenciados dos demais.

Em termos de superfícies há diferenças entre todas, mas a condução no gelo é claramente diferente. Vão ao detalhe de ser importante apanhares bocados de neve para nesses momentos ganhares um bocado de aderência que te dará alguma vantagem sobre os adversários.

Embora o grande “factor UAU” do jogo sejam as condições atmosféricas e os efeitos visuais, por vezes exagerou-se. A certo ponto boa parte das provas acabavam de noite, com visibilidade praticamente nula ou sinais confusos para onde virar. Para compensar isso os néones e fogo de artifício eram claramente exagerados, criando uma explosão de florescentes no ecrã em quase todas as provas. Em contraste, quando bem feitos esses efeitos conseguiam criar a ilusão duma dificuldade climatérica real, com as tempestades (de chuva ou areia) a serem bastante bem representadas e o nevoeiro a limitar a visibilidade na medida certa.

Em plano de fundo desenrolava-se a história num tom passivo/agressivo no podcast apresentado por James Pumphrey e Nolan Sykes. Tenta-se criar uma rivalidade entre dois pilotos, mas nem essa rivalidade é bem criada, nem tão pouco é criado drama. Os rivais são o nosso mentor, AJ, e Bruno Drumond representados pelos mais que batidos Troy Baker e Nolan North. Vou ser honesto, eles esforçaram-se, mas acho que qualquer outro faria o mesmo trabalho, já que a história não tem assim tanto dinamismo. Para acrescentar a essa falta de concordância, numa fase inicial da nossa carreira pilotos com esses mesmos nomes participam nas mesmas provas e são banalíssimos. Ou não metiam nomes similares, ou os faziam os melhores nas provas que participavam.

Embora haja 10 locais diferentes para correr, sem o gerador aleatório de pistas estas rapidamente se tornam repetitivas e a meio da carreira já me estava a cansar um bocado, fui avançando para ouvir a evolução da história, pois provavelmente teria parado nesta altura para intervalar o jogo com outro, ou para jogar Playgrounds. Mesmo os carros não são assim tantos e a meio da carreira já os compraste todos. Sobra-te depois comprares coisas cosméticas, algo a que não ligo nada.

Na pista tenho que dizer que a dificuldade média é simples, passa de imediato para algo mais difícil, mas mesmo assim nota-se que os pilotos não têm qualquer problema em te mandar para fora da pista e sabem muito bem como o fazer. A colisão com os veículos está muito boa nesse aspecto e um toque no local certo faz-te dar um pião. Já a colisão com objectos é um terror, do pior que vi ultimamente, com o carro a dar múltiplas cambalhotas no ar ao bater numa moeda de 1 euro que esteja à beira da estrada, e qualquer salto maior onde caias em cima doutro carro produz um efeito muito similar. Sei que o objectivo não é andares a bater nas coisas, mas num jogo arcade quem não corta nas curvas e falha uma entrada ou saída da mesma? Atirem a primeira pedra!

Num jogo tão grande também se cortou no público, algo tão intrinsecamente ligado ao rally, mas não se pode ter tudo. Agradeço sim os bonecos não parecerem de cartão. Claro que continuam essencialmente parados, mas muitos já têm movimentos fluidos e realistas. Ninguém repara nisso, mas é sempre a primeira coisa para onde eu olho nestes jogos.

Assim a Codemasters assumiu o risco de criar um jogo igual, mas completamente diferente. Isto não faz sentido? Faz sim. Inegavelmente este é um jogo Dirt, mas desta vez completamente casual, muito virado para uma diversão sem compromissos e penalizações. Graficamente muito bom é penalizado por se tornar repetitivo de forma relativamente rápida e ter menos carros do que eu esperava. A evolução das condições atmosféricas durante cada prova são uma mais valia e acabam por disfarçar o número limitado de pistas. Tem coisas boas e outras menos boas, mas é um jogo que recomendo sem qualquer receio.

  • Lançamento: 5 de Novembro de 2020
  • Plataformas: PC/Xbox One/PS4/Nintendo Switch
  • Desenvolvedor: Codemasters
  • Editora: Codemasters
  • Nota Pessoal: 7,5/10
  • Cópia para análise gentilmente cedida por Ecoplay
  • Analisado na versão para PC

Lançamentos

 

PositronX
29 Nov 2020
PC
Scorpius Games
Immortals Fenyx Rising
03 Dez 2020
PC/Xbox One/Nintendo Switch/PS4/Stadia
Ubisoft Quebec
Puyo Puyo Tetris 2
08 Dez 2020
PC/Xbox/Nintendo Switch/PS
SEGA

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