Football Manager 2021

Escrito por

Gonçalo "Melgacius" Carvalho

Data de publicação

09 Dezembro 2020 15:00

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Todas as épocas encaro com expectativa o lançamento da franquia Football Manager. Por um lado é o meu jogo fetiche, por outro estou sempre curioso por ver quais as arestas que limaram, afinal é uma franquia anual, não podem mudar muita coisa, pois não? Desta vez a magia da Sports Interactive foi enorme. Que jogaço!

Football Manager 2021 não é um jogo para se analisar de forma convencional, conseguia estar uma hora a falar dele e ainda ficavam coisas por dizer, mas vamos ser duros e tentar fazer o melhor possível.

Tenho sempre a esperança que a Ecoplay nos envie este jogo, provavelmente um dos únicos que gosto genuinamente de jogar todos os anos. Nunca me aborrece e por norma só a nova entrada é capaz de me fazer apagar o atalho da anterior do meu ambiente de trabalho, já que de tempos a tempos volto para fazer mais umas jornadas. Acabo cada temporada com cerca de uma dezena de épocas feitas, o que não é nada para o jogador habitual, mas para alguém que está sempre a mudar de jogo é uma vida.

Esta época as duas palavras para o jogo são “Imersão” e “Acessibilidade”. Antes de o receber fui espreitar o que havia de novo e digo-vos que a sua página oficial é muuuuuito redutora no que apresenta, não sei se para refrear os ânimos, mas a verdade é que se descontarmos a skin e a personalização do nosso boneco o jogo parece outro praticamente desde o início.

Desta vez esqueci o tradicional modo carreira, e comecei… o tradicional modo carreira, mas com um clube criado por mim. Pensei ter a opção de criar do zero, mas ou me enganei ou apenas me deixou mudar o nome a um clube já existente. Azar do Nacional que foi ao ar para dar lugar ao poderosíssimo Lordemão Futebol Clube, clube onde o Liverpool foi descaradamente roubar a sigla. O problema deste sistema é que o novo clube mantém todo o staff, direcção e filosofia que muitas vezes não se coadunam com o espírito da equipa que criámos. Ainda outra coisa, tendo escolhido colar a minha equipa a uma da Madeira, também fica um bocado estranho ter uma equipa de Coimbra na zona das ilhas, mas eu entendo que ter de fazer isto tudo de raiz não fosse fácil nem divertido para ninguém.

Começando a jogar a direcção apresenta-nos logo o clube. Estas reuniões estão muito mais interessantes, agora com uma avaliação da nossa equipa já incluída. Fiquei admiravelmente surpreendido com a pertinência. Os problemas da equipa são bastante bem identificados, bem como a sua qualidade geral. Claro que com o tempo começamos a ligar pouco a estas reuniões, mas são um processo muito mais realista que o anterior, e efectivamente ajuda a estabelecer as primeiras redes de prospecção, a identificar as primeiras falhas e jogadores alvo, contudo após conhecermos bem os jogadores e táctica a usar, duvido que estas reuniões mudem as nossas ideias.

Por falar em tácticas, somos imediatamente incentivados a criar a nossa. Se fores um veterano irás certamente pegar na tua táctica de eleição, que já sabes de cor de entradas anteriores na franquia, mas caso não sejas o mais certo é ficares enamorado por alguma das iteracções do tiki-taka do Guardiola, ou por algum dos gegenpress do Klopp. Acho mesmo que serão estas últimas a moda do ano. Para falar a verdade já se jogava assim anteriormente, apenas não lhe davam nome porque não era moda.

O motor de jogo mudou significativamente. Agora os avançados até já marcam quando estão num um para um com o guarda-redes, isso foi logo a primeira coisa que notei quando o Riascos, um podão Colombiano, picou a bola por cima do redes quando se encontrava isolado. Acho que fiquei ali 5 minutos a processar aquilo e percebi que se calhar já valia a pena colocar bolas nas costas da defesa. Depois até considerei que podiam ter abusado no favorecimento aos avançados, mas duma forma geral parece algo equilibrado. Também é mais perceptível agora quando um jogador é bom e sabe tomar decisões. A diferença entre um mau jogador e um bom jogador é clara, tornando mais complicado a colocação dum miúdo numa posição chave em jogos divididos. Os passes são agora mais rápidos e imprevisíveis, com muitas triangulações e quando a familiaridade com a táctica é grande o jogo até se torna… bonito! No anterior motor de jogo já sabíamos mais ou menos o que ia acontecer quando a bola estava em determinada zona. O processo de decisão dos jogadores parecia algo predeterminado, mas agora já não há tanto essa impressão, com as jogadas a serem bem mais variadas que anteriormente.

 

Foram também incluídas uma data de estatísticas novas, das quais destaco o xG ou golos esperados. Eles usam a fórmula deles, que difere um bocado daquela que vemos especialmente na liga inglesa, mas duma forma geral funciona bem e, na realidade, estou sempre a olhar para ela, mesmo que nem sempre saiba como interpretar aquilo que me diz, ou saber bem o que alterar por causa dela.

A interface gráfica também mudou, agora com os jogadores a aparecerem no fundo do ecrã, e os suplentes num ecrã à parte. Todos os valores numéricos foram substituídos por imagens, algo que é muito mais realista, pois ninguém sabe num jogo se a condição física dum jogador está a 86%...

O ecrã principal da partida também nos apresenta as estatísticas como se fosse num tablet, com as indicações e sugestões do nosso assistente a aparecerem também numa fila à parte. Tudo para que pareça mais realista, ou pelo menos nota-se o esforço de dar uma interpretação mais imersiva do que acontece realmente no relvado.

Durante as palestras e conferências de imprensa as atitudes que eram representadas por palavras foram substituídas por acções. Agora em vez de estares sempre a ser assertivo podes bater na mesa, pontapear garrafas, por as mãos nas ancas ou apontar o dedo. Vá, nós sabemos que é a mesma coisa, mas claro que isto melhora a nossa imersão. O que não mudou foi o facto das conferências de imprensa continuarem a ser repetitivas, e pouco depois de começar já era o meu adjunto que as fazia quase todas. Gostei do detalhe de criarmos relações com os meios jornalísticos, todos eles reais. Foi um bonito detalhe.

Vamos lá à vaca fria, o que gostamos mesmo é de comprar e vender jogadores. Agora podemos falar directamente com o empresário para perguntar se o jogador está interessado em vir para o nosso clube, pois caso não esteja não vale a pena entrar numa guerra de propostas. A ideia morre logo aí. Continua a achar que a primeira época é muito parada, o mercado só começa mesmo a mexer após uma ou duas temporadas, mas nesta altura eu já estou acostumado a isso, embora gostasse das coisas mais mexidotas logo a abrir.

Finalmente a pièce de résistance. A optimização é excelente. O jogo correu constantemente a 144 FPS no meu PC, quando o anterior andava pelos 70 ou 80. Carregar ou gravar um jogo é rapidíssimo, o que torna muito menos doloroso o acto de gravar o jogo antes daquele jogo importante que imaginas que te vá fazer rage quit sem gravar, apenas para depois tentares ganhá-lo numa segunda tentativa.

É tão raro encontrar um jogo que melhora em tudo a entrada anterior da mesma franquia. Football Manager 2021 é esse jogo. Por norma aconselho esperar por uma promoção para o comprar, mas agora acho que merece ser experienciado já. Eu mesmo acabei por considerar  que merecia o preço e, já que o recebi de borla, acabei por comprar o editor e diverti-me a fazer falcatruas a torto e a direito aqui e ali. Este jogo é obrigatório para os fãs da franquia e uma excelente porta de entrada para quem quer entrar no mundo das estatísticas, tácticas, pesquisas e guerras dos simuladores de futebol.  Uma recomendação de caras!

  • Lançamento: 23 de Novembro de 2020
  • Plataformas: PC/Xbox
  • Desenvolvedor: Sports Interactive
  • Editora: SEGA
  • Nota Pessoal: 9/10
  • Cópia para análise gentilmente cedida por Ecoplay
  • Analisado na versão para PC