Kingdoms Of Amalur: Re-Reckoning

Escrito por

Ricardo "Jaclops" Martins

Data de publicação

20 Outubro 2020 10:00

Tópicos

Kingdoms Of Amalur: Reckoning foi um jogo que nunca tinha aparecido no meu radar até a THQ Nordic anunciar a aquisição do mesmo e o lançamento dum remaster. Foi nesta altura que, por respeito ao óptimo catálogo da THQ, decidi ir verificar se este jogo era para mim. Quando me apercebi que aqui tinha uma mistura de Action RPG ao estilo de Elder Scrolls: Oblivion e um estilo de luta que me fez logo lembrar o combate simples, mas muito satisfatório de Darksiders fiquei entusiasmado pelo que podia ser um jogo bastante divertido. Fiquei bastante surpreso por descobrir que existe uma grande base de fãs mesmo o jogo tendo sido um falhanço comercial por falta de vendas, levando ultimamente ao fecho da 38 Studios após este seu primeiro jogo. Mesmo na dúvida se um jogo com oito anos e após o fracasso inicial conseguiria vingar no mercado de videojogos actual, atirei-me a pés juntos para esta aventura. Que boa decisão!

Aquando do lançamento da versão original, uma das grandes tentativas de fazer com que este jogo conseguisse criar algum alvoroço foi a agregação de vários nomes com peso como: Grant Kirkhope compositor das bandas sonoras de Banjo-Kazooie, Donkey Kong 64 e Perfect Dark, encarregue da criação da banda sonora deste jogo também; Todd McFarlane o grande criador das bandas de desenhadas Spawn e artista gráfico de muitas edições do The Amazing Spider-Man, encarregue da artwork do jogo; R. A. Salvatore mais conhecido pela escrita de The Legend of Drizzit, aqui mais uma vez cria um fabuloso mundo fantasioso para explorar; E Ken Rolston principal designer de The Elder Scrolls III: Morrowind e The Elder Scrolls IV: Oblivion, para variar também encarregue do design. Eu bem me parecia que havia alguma coisa que me lembrava o Oblivion… Realmente com estes talentos todos só podia transpirar um mundo fabulosamente criado com tanto para dar. E assim foi.

Kingdoms of Amalur tem uma história interessante (que não vou sequer aprofundar mais pois vale a pena ser vivida sem qualquer spoiler) repleta de personagens cheios de carácter e um vasto mundo para explorar cheio peripécias que nos levam a uma aventura memorável. No entanto, sinto que é mesmo na forma de se jogar que está o seu forte. Como já foi mencionado, este é um Action RPG que vai beber muito à série Elder Scrolls na forma como o mundo parece estar vivo e se vai constantemente mudando consoante as nossas decisões nos diálogos e acções. Uma resposta torta, uma espadada na pessoa errada ou tentarmos roubar algo que não é nosso podem significar adquirirmos novos inimigos que de outra forma nos poderia ter ajudado. Adoro este género de jogos que nos fazem ponderar a forma como agimos com o mundo à nossa volta, quer seja para o bem ou para mal.


No que toca à criação da nossa build podemos ter várias abordagens, podemos fazer um personagem mais focado em magias e tentar manter a distância, ou um que tenha imensa vida e armadura para poder andar à batatada perto dos inimigos sem grande problema, caso se queira também podemos focar-nos mais em esquivar e fazer grandes quantidades de dano com critical hits e piercing damage, ou para quem não consegue escolher apenas um foco (como eu) misturar os vários tipos de possíveis builds e usar várias vertentes ao mesmo tempo. A forma de escolhermos os nossos focos vem através da mecânica de destinos que nos levam mais para um lado ou para o outro dando-nos especialidades em certos parâmetros das builds. Esses destinos são desbloqueados consoante os pontos que aplicamos nas três skill trees de Might, Sorcery ou Finesse. Com estas ferramentas consegui criar um personagem que senti que se ajustava perfeitamente ao meu estilo de jogo, e isso é um dos pontos fulcrais que procuro num RPG.

O combate apesar de desactualizado para o que estamos habituados nos dias de hoje é bastante satisfatório e fácil de apanhar-lhe o jeito. Fez-me muito lembrar o combate de Darksiders em que é relativamente simples de fazer um combo cheio de estilo em que andamos a fazer malabarismo com os nossos inimigos. Temos uma arma primária e uma secundária com as quais podemos fazer combinações de curto e longo alcance para podermos cobrir o máximo de situações possíveis, no meu caso uma devastadora greatsword que aplica o elemento de gelo para fazer com que os inimigos se movam e ataquem lentamente, complementada de uns chacrams com grande crit damage para gerir grandes grupos e cobrir uma área extensa. As possibilidades são imensas e incentivam a experimentação de diferentes combinações.

A cereja no topo do bolo vem sob a forma de uma mecânica chamada Reckoning Mode. À medida que vamos combatendo e acertando nos inimigos ganhamos fate points com o propósito de encher uma barra que quando cheia podemos então activar este modo. Ao fazê-lo entramos num estado de slow motion no qual podemos fazer quantidades ridículas de dano sem grande problema. Excelente para arrasar com aquele inimigo que nos está a chatear ou com o qual temos mais dificuldade. No final de usar esta mecânica podemos ainda carregar repetidamente no botão que nos aparece no ecrã para dizimarmos o mal e multiplicar a experiência que ganhamos ao matá-lo. Para ser sincero, durante umas boas horas de jogo não utilizei esta mecânica por achar que era demasiado boa e tirava muita da dificuldade que alguns bichos criavam, em contrapartida, perdi a oportunidade de ganhar imensa experiência adicional. Foi um verdadeiro dialema começar a usar este poder apenas para não sentir que estava a perder níveis.


No entanto, não nos podemos esquecer que estamos a falar dum remaster e nesse ponto já não posso dizer que fiquei surpreso pela positiva. Da versão original para a versão nova existe poucas diferenças, em especial nos gráficos que apenas passaram a ser menos baços e parece que levaram com um filtro de contraste para fingir que houve alguma diferença. Merecia muito mais atenção, pois o mundo em que nos encontramos é lindíssimo. Houve ainda algumas alterações à forma como é calculada a progressão de nível do nosso personagem, dos inimigos e do equipamento que encontramos para se aproximar mais ao que estamos habituados em relação aos jogos dos dias que correm. A única coisa que realmente me agradou das novidades é a nova dificuldade Very Hard que é uma adição simpática para jogadores que gostam de um desafio a sério, no entanto, isso sabe a pouco num remaster...


Kingdoms of Amalur: Re-Reckoning é um óptimo RPG que, a meu ver, conseguiu vencer o teste do tempo, continua a proporcionar uma aventura épica cheia de grande diversão. Apesar de como remaster estar a pecar acho uma óptima oportunidade para quem, como eu, nunca teve hipótese de o jogar antes ou até para os que apenas o gostavam de revisitar. Recomendo vivamente aos fãs do género que se querem embrulhar num mundo fantasioso que não desilude.

  • Lançamento: 8 de Setembro de 2020
  • Plataformas: PC/PlayStation 4/Xbox One
  • Desenvolvedor: 38 Studios, Big Huge Games, Kaiko
  • Editora: THQ Nordic
  • Nota Pessoal: 7/10
  • Cópia para análise gentilmente cedida por THQ Nordic
  • Analisado na versão para PC

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29 Nov 2020
PC
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03 Dez 2020
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