Maneater

Escrito por

Ricardo "Jaclops" Martins

Data de publicação

21 Agosto 2020 16:00

Tópicos

Quando a Tripwire anunciou na E3 de 2018 que tinham um jogo em desenvolvimento que misturava tubarões e elementos RPG, "shaRkPG" como eles o descreveram, fiquei entusiasmado pela potencialidade de um jogo assim. Tubarões. RPG. Destruição total. Membros a voarem. Na minha cabeça só podia ser boa receita para um tempo bem passado e cheio de gargalhadas. O que há para não gostar?

Maneater é um action-RPG que glorifica a violência e destruição muito ao estilo de GTA (onde claramente se foi inspirar) simplesmente dando-lhe uma reviravolta fazendo com que aqui sejamos um tubarão à procura de aniquilar tudo o que nos apareça à frente. Não consigo transmitir a diversão que foi para mim engolir a vida marítima que se atreve a passar perto de nós, saltar para fora de água e estripar uns quantos humanos antes de ter de voltar para o nosso habitat, as batalhas contra outros predadores ou simplesmente explorar a imensidão do oceano. Infelizmente esta receita só me conseguiu agarrar o suficiente para fazer sessões de mais ou menos uma hora pela repetição de objetivos e alguns problemas com os controlos, mas uma coisa é certa, enquanto jogava parecia um louco a rir.

Começamos o jogo como um tubarão ainda bastante pequeno com o intuito de dar alguma progressão de personagem fora dos elementos RPG. É aconselhável comermos toda a vida que nos passe à frente para podermos ir evoluindo o nosso personagem de tamanho e progressivamente conseguir comer animais cada vez maiores, rumo ao topo da cadeia alimentar. Ao passar de criança, para adolescente, adulto, velho e mega tubarão conseguimos também desbloquear caminhos que estavam anteriormente bloqueados por portões demasiado rijos para a nossa estatura, entre outros perks como ganhar um radar que detecta vida e objectos numa área à nossa volta, saltar mais que uma vez, resistir mais tempo fora de água ou o quanto nos conseguimos projetar no ar com a nossa cauda. Outra forma de evoluir o nosso personagem é encontrando umas caixas de nutrientes espalhadas pelo mundo, algumas claramente posicionadas para nos ajudar a evoluir rápido, outras extremamente bem escondidas.

O openworld em que nos largam à solta é realmente de louvar. Apresentam-nos um mundo repleto de diferentes tipos de biomas com ciclos de dia e noite que afetam a vida do ecossistema, tanto dentro como fora de água. Enquanto exploramos podemos cumprir vários objetivos para progredir na história e no mundo, como encontrar landmarks que fazem referências a filmes ou coisas da cultura pop de tubarões, comer todas as placas de matricula que geralmente nos obrigam a fazer acrobacias no aéreas, fazer controlo de população marítima ao comer grupos de certos tipos de peixes, lutar contra outros predadores ou simplesmente arrasar com alguns humanos. É aqui que entra a repetição e monotonia. Usando o perk do radar conseguimos facilmente descobrir onde estão a maioria dos objetos escondidos e dos landmarks, quando temos de comer grupos de dez (sim, sempre dez) peixes é apenas aborrecido e os humanos que temos de comer não representam qualquer tipo de ameaça. Quando cumprimos qualquer objetivo durante o jogo vamos recebendo factos sobre os tubarões-cabeça-chata (a nossa raça) que variam dentro do espectro informativo e cómico, em especial porque são narrados pelo ator Chris Parnell que faz a voz do Jerry na série Rick And Morty, este pormenor deixou-me completamente deliciado.

Quanto ao lado RPG jogo, isso sim, deixou-me completamente dececionado. Podemos apetrechar-nos com partes especiais do corpo como cabeça, tronco, barbatana, cauda, dentes e órgãos que nos dão algumas habilidades e stats. Um dos problemas com isto é que existem apenas três tipos de sets diferentes: bone set, shadow set e bio-electric set. Não me faria tanta confusão haver tão poucas escolhas se desse para misturarmos partes de diferentes sets e continuar a ser viável, no entanto não é o caso, o que nos força um bocado a escolher um deles e a investir os nossos nutrientes para o evoluir apenas a esse. Dois deles até são divertidos de obter, um deles através de subir na cadeia alimentar e aniquilar os outros predadores existentes, outro através de comer humanos até termos hordas de caçadores de tubarões a virem atrás de nós e derrotar os caçadores boss que vêm no final, enquanto que o terceiro é apenas atingível quando fazemos a aborrecida tarefa de encontrarmos todos os landmarks em zonas especificas.

De certa forma fico triste de não terem criado um sistema de RPG mais complexo, interessante e com a possibilidade de misturar os vários sets. Pelos vistos esse não foi o foco principal, mas sim a diversão desmesurada de aterrorizar, comer e destruir. Nisso posso dizer que fizeram um ótimo trabalho porque realmente nos sentimos um verdadeiro monstro aquático.

  • Lançamento: 22 de Maio de 2020
  • Plataformas: PC/PlayStation 4/Xbox One/Nintendo Switch
  • Desenvolvedor: Tripwire Interactive, Blindside Interactive
  • Editora: Tripwire Interactive, Deep Silver
  • Nota Pessoal: 6.5/10
  • Analisado na versão para PC

Lançamentos

 

Super Mario 3D All Stars
18 Set 2020
Nintendo Switch
Nintendo
Mafia III: Definitive Edition
25 Set 2020
PC/Xbox ONE/PS4
Hangar 13
Crash Bandicoot 4: It's About Time
02 Out 2020
Xbox One/PS4
Toys for Bob

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