Mars Horizon

Escrito por

Gonçalo "Melgacius" Carvalho

Data de publicação

17 Novembro 2020 15:05

Tópicos

Li há relativamente pouco tempo a minha folha de avaliação na disciplina de Orientação Vocacional que tive no 9º ano. Já nem me lembrava, mas no terceiro lugar das profissões que gostava de ter aparecia Astrónomo. Claro que a primeira era Cientista e a segunda Informático. Acabei Enfermeiro. Quase igual. Provavelmente vem dessa altura a minha atração pelo Espaço e, nesse contexto, não consegui resistir ao trailer de Mars Horizon. Bem, bonito trailer que tinha…

Em Mars Horizon podes escolher entre algumas agências espaciais e iniciar a corrida pelo Espaço. É um jogo de estratégia no papel, mas acaba por funcionar mais como um tycoon, pois a forma como evoluis é bastante linear embora aparente ter muito sumo para espremer e opções para explorar. Funciona como um jogo de estratégia por turnos, embora muuuuuito simplificado.

O trajecto da história é moderadamente realista, seguindo os mesmos passos que aconteceram na realidade e, consoante a dificuldade de jogo que seleccionares, mesmo as datas dos acontecimentos relevantes na conquista espacial não fugirão muito à realidade.

As agências espaciais são realistas e têm objectivos e relações realistas no início do jogo. Cada uma tem um conjunto de bónus próprio. Comecei com os chineses, cuja relação com o Japão não era famosa, já com a Rússia/URSS era óptima. Essa relação vai evoluindo consoante vão aparecendo alguns eventos mais ou menos aleatórios, e quanto maior for essa relação maior a probabilidade de fazermos missões conjuntas, onde duas agências partilham os custos sem aparente divisão de recompensa. Não vi grande necessidade de ter uma relação muito positiva para nos proporem missões conjuntas, bastando um estado neutral para nos oferecerem propostas. A certo ponto também desbloqueamos a opção de propor essas mesmas missões, e aí sim eu notei que era importante uma relação positiva para aceitarem.

Depois dum tutorial que deixou antever um jogo sumarento acabei por ficar decepcionado com o resultado final. No fundo tens um conjunto de acções que podes efectuar a cada mês, e estas são sempre as mesmas. Tens de seleccionar o avanço tecnológico que queres seguir e este pode vir de um de três ramos, o das missões que vai desbloqueando a possibilidade de fazer as missões de história, o de edifícios, que desbloqueia edifícios obrigatórios ou facilitadores de progressão e o de componentes, que desbloqueia novas partes para as naves espaciais progressivamente mais complexas com o avançar da história. Requer pontos de ciência ao estilo de Civilizations, mas nunca senti falta de pontos para progredir na dificuldade normal.

O jogo está completamente focado na história, onde estamos numa corrida com outras agências para chegar em primeiro. Provavelmente irás falhar a primeira missão que lanças, aliás o jogo está preparado para isso e dá-te probabilidades muito más de sucesso nesse momento para que percebas que, mesmo quando algo corre mal os teus engenheiros vão aprendendo algo que facilita o lançamento seguinte.

De forma sucinta cada missão tem 3 ou 4 momentos distintos:

  • a construção da nave e eventuais satélites com os componentes adequados;
  • o planeamento do lançamento;
  • o lançamento em si;
  • algumas missões que envolvem tripulação ou satélites envolvem o estabelecimento de contacto com esses mesmos.

Cada nave pode ser construída com diferentes componentes que tornam o lançamento mais ou menos fiável. Cada componente tem determinadas características e preços. Cada vez que lanças um componente o teu conhecimento sobre ele fica mais sólido, tornando cada novo lançamento com este mais fiável.

Depois de tudo construído tens de seleccionar quando lançar a nave e em quê é que vais aproveitar o teu tempo antes do lançamento. Há meses óptimos, aceitáveis ou maus para lançares um foguetão, e mesmo que faças como eu e escolhas sempre um mês óptimo podes ter o azar de apanhar más condições atmosféricas que prejudicam o lançamento, lançamento esse que tem sempre alguma probabilidade de correr mal. Cheguei a apanhar essa probabilidade a apenas 1%, mas apanhei sempre. Depois pode ter problemas e aí perdes algumas das recompensas, pode ser normal ou pode correr muito bem e aí ganhas uns benefícios extra.

Se tiveres que estabelecer algum contacto vais depender duns jogos de probabilidades para estabelecer esse contacto, mas desde que planeies os pontos antecipadamente só falhas se tiveres mesmo muito azar.

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Ao mesmo tempo que fazemos estas missões estamos a desenvolver a nossa tecnologia e edifícios. Esses edifícios providenciam diferentes opções ou bónus e interagem positiva ou negativamente entre eles consoante o seu posicionamento no mapa. Aqui foi onde tive a maior dificuldade no jogo, pois o que realmente faz falta na fase inicial é o dinheiro, pois não chega para construir tudo. Acabei por deixar sempre edifícios para trás em detrimento do lançamento de missões, até porque os edifícios têm um custo de manutenção associado, mas protelando um edifício por muito tempo a usa não existência pode impedir a realização duma missão. Por exemplo, não tinha o edifício para contratar tripulação pronto quando estava pronto para lançar o primeiro humano par ao espaço, e tive de esperar por ele.

As missões de história são obrigatórias para o desenrolar do jogo, mas ao mesmo tempo podes desbloquear novas slots de missão onde podes, por exemplo, fazer missões acessórias. Essas missões acessórias dão-te, consoante as características, mais apoio popular, mas dinheiro ou mais tecnologia. Depende muito.

Rematando para golo, o jogo promete bastante, mas após percebermos as mecânicas estamos sempre a fazer as mesmas acções. Tudo é repetitivo, incluindo a música, que é sempre a mesma, e as animações de cada acção. Tem alguma originalidade no conceito e reconheço o esforço em tentarem recriar as situações de forma realista, mas o jogo em si fica no limbo. Simples e repetitivo para quem gosta de jogos de estratégia, esquisito demais para quem quer um jogo tycoon. É um mau jogo? Não. É um jogo aceitável que acho que brilharia como jogo para telemóvel, mas para um jogo completo em PC vale-se da temática. Essencialmente o jogo é para essas pessoas, mas mesmo para esses se calhar o melhor mesmo é esperar por uma promoçãozita…

  • Lançamento: 17 de Novembro de 2020
  • Plataformas: PC/Xbox One/PS4/Nintendo Switch
  • Desenvolvedor: Auroch Digital
  • Editora: The Irregular Corporation
  • Nota Pessoal: 6/10
  • Cópia para análise gentilmente cedida por The Irregular Corporation
  • Analisado na versão para PC

Lançamentos

 

PositronX
29 Nov 2020
PC
Scorpius Games
Immortals Fenyx Rising
03 Dez 2020
PC/Xbox One/Nintendo Switch/PS4/Stadia
Ubisoft Quebec
Puyo Puyo Tetris 2
08 Dez 2020
PC/Xbox/Nintendo Switch/PS
SEGA

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