Minecraft Dungeons

Escrito por

Gonçalo "Melgacius" Carvalho

Data de publicação

30 Junho 2020 10:00

Tópicos

O meu filhote ficou deliciado quando pelo Whatsapp lhe mandei um vídeo meu a jogar Minecraft Dungeons. Que pena ainda não estar aqui em casa. Ficou ele ansioso por jogar e eu ansioso por jogar com ele. Minecraft Dungeons não é um jogo para crianças, é um jogo para todos. Não se deixem enganar pelo grafismo pois é um bom jogo.

Quando compro um jogo e não o peço vou acabando por o deixar ficar para trás. Mete-se um, depois o outro, depois enviam mais um… foi este o destino de Minecraft Dungeons. Aliado a isso tenho que dizer que não sou fã de Minecraft, mesmo quando tenho de ver o meu filho jogá-lo quando a mãe lhe dá autorização para estar uma horita de volta da consola e ver os vídeos dos milhentos youtubers brasileiros que ele passa a vida a ver.

Mais cedo eu tivesse pegado nele, mais cedo pararia com os outros, já que fiquei agarrado neste dungeon crawler que faz lembrar Diablo antes de se meter no ginásio.

As múltiplas opções de criação de personagem deram-me a ilusão inicial que o jogo teria múltiplas classes, mas fui enganado, apenas escolhemos a nossa personagem entre muitas outras. Como não fã deste estilo muito à base de blocos, escolhi ao calhas, e cedo se revelou a opção certa, já que com a mudança de armadura, a escolha que fizemos dilui-se nas outras cores e aparente falta de detalhe.

Quando falo em falta de detalhe estou a ser muito injusto, pois é algo intrinsecamente ligado ao mundo Minecraft. Este jogo tem um grafismo bastante detalhado que foi capaz de me impressionar, mesmo não sendo fã do estilo. Desde efeitos atmosféricos que se reflectiam no interior de edifícios às voltas que têm permanentemente de dar para tornar todas as estruturas definidas e claras. O defeito que aponto é que no meio de tanto detalhe e complexidade dada a este mundo, a impossibilidade de mudar de perspectiva da câmara fez com que múltiplas vezes perdesse noção de inimigos atrás de paredes ou árvores, e mesmo as ajudas visuais acabaram por nem sempre serem assim tão prestáveis quanto isso.

Não tenho queixas da qualidade sonora, mas não foi um jogo que me conseguisse manter constantemente embalado. Por momentos chegava lá, mas nem sempre o conseguia. A narração com um estilo clássico faltava um pouco de força para reforçar a nossa importância no desenrolar da trama, mas creio que a história meia fracota e a opção de podermos escolher a ordem pela qual jogávamos os níveis tirava alguma da intensidade e progressividade ao jogo, tornando-o muito mais um somatório de missões que uma história.

Uma jogabilidade um bocado repetitiva baseada numa arma de luta corpo a corpo e outra de disparo à distância combinada com um rolamento que servia para nos reposicionarmos (quando não ficávamos presos num inimigo) tornam o jogo pouco diverso. Limitamo-nos a apanhar loot de nível cada vez mais alto, mas a raridade ou características da arma eram terrivelmente mais importantes que o seu nível, contudo o nível de loot que apanhávamos aparenta estar ligado ao nível de equipamento que tínhamos equipado. É uma mecânica normal, mas eu queria muitas vezes manter outras armas mais fracas de nível, mas que na prática eram muito mais úteis.

Uma feature interessante era que a cada nível que subias ganhavas um ponto de encantamento que podias usar para melhorar as tuas armas. Recuperavas esses pontos cada vez que destruías uma arma, por essa razão nunca tive problemas em os usar. Gostei dessa mecânica, mas creio que depois de encontrar a minha maneira de jogar procurei sempre o mesmo tipo de bónus sempre que estes se encontravam disponíveis para upgrade.

Dá para escolher o nível de dificuldade em cada nível, por isso acho que as críticas ao jogo por ser demasiado fácil são algo exageradas. Mesmo no nível normal morri um bom punhado de vezes até concluir o jogo, embora tenha a noção que se tivesse mantido as minhas armas preferidas o teria feito mais rápido. Depois de concluir o jogo desbloqueamos ainda mais níveis de dificuldade, no entanto vamos jogar os mesmos níveis apenas com o objectivo de apanhar loot de nível mais alto. Não me puxou.

Nunca consegui jogar com mais ninguém, embora tivesse jogado sempre online. É uma pena, este jogo chora para ser jogado com amigos, ou ainda melhor, com o meu filhote. Chegará o dia certamente.

Acho que a Xbox nunca teve tanta diversidade nos seus jogos. Falta aquele jogo do ano, mas em toda a honestidade tem jogos para todos os gostos. Está a lançar jogos que parecem feitos para o Game Pass e, por inerência, para mim. Curtos, muito divertidos, bem desenhados e concebidos, sem inventar muito, capazes duma dezena de horas de pura diversão sem criar grande compromisso. Minecraft Dungeons é um desses jogos. Preço justo, jogo curto, faz o que promete, adequado às necessidades de cada jogador. O jogo não é um achado, mas é competente. É um daqueles que não tenho problema nenhum em recomendar, já que mesmo que não fiquem fãs nem vos agarre por muito tempo, vai certamente proporcionar umas horas divertidas.

  • Lançamento: 26 de Maio de 2020
  • Plataformas: PC/Xbox One/Switch/PS4
  • Desenvolvedor: Mojang Studios; Double Eleven
  • Editora: Xbox Studios
  • Nota Pessoal: 7.5/10

Lançamentos

 

Skater XL
07 Jul 2020
PC/Xbox One/Nintendo Switch/PS4
Easy Day Studios
F1 2020
10 Jul 2020
PC/Xbox ONE/PS4/Stadia
Codemasters
Paper Mario: The Origami King
17 Jul 2020
Nintendo Switch
Nintendo

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