Mortal Shell

Escrito por

Rafael "Gripe" Pereira

Data de publicação

31 Agosto 2020 12:30

Tópicos

Cá vamos nós outra vez. Atirados para um mundo estranho, negro, misterioso que só nos quer mal. Que local é este? O que fazemos aqui? Qual o nosso propósito? Não faço ideia.

É isto que tanto gosto neste tipo de jogos! A história estar encoberta de neblina, ser necessário ler todos os textos, falar com todos os npc... para no final obter apenas aquilo que pode talvez ser verdade, uma incerteza sobre a história que ocorre neste universo.

Em Mortal Shell somos um ser branco, sem boca (ainda bem que existe uma explicação para não falar), capaz de se apoderar de cadáveres que outrora foram guerreiros, as Shells, das quais falaremos um pouco mais à frente. 

É-nos dada uma missão, por um ser estranho, acorrentado, aparentemente enfraquecido que pretende que nós recolhamos três glândulas de três outros seres, dos quais igualmente pouco se sabe, com o propósito de criar o verdadeiro Nektar. Um produto também ele misterioso, cuja informação que vamos recolhendo indica que nem todos os mortais o devem de ingerir.

O combate é muito técnico, parecido com Dark Souls. É necessário dominar os timings dos dodges e dos parries, sendo que neste jogo o parry é uma mecânica bastante peculiar. Um parry normal não faz jus ao risco de falhar, é necessário ter Resolve, que no fundo é a nossa mana, para poder ativar uma mecânica denominada de Empowered Riposte que por si só pode ativar várias habilidades logo após a execução um ataque de dano tremendo. Uma destas habilidades é a única maneira fiável, sólida de nos curarmos, maaaaaaaaas...com pouca vida, querendo curar-me, arriscar-me a um parry é bastante perigoso, por outro lado os níveis de adrenalina sobem e a gratificação de conseguir é enorme. Excluíndo este método de cura resta apenas os consumíveis, que admito que são bastante curiosos.

Para começar há consumíveis que voltam a surgir nos mesmo locais, algo que foi totalmente contra as minhas expectativas e deixou-me muito mais à vontade para utilizar consumíveis, por outro lado, não fazemos ideia do que cada item faz até o utilizarmos, o que pode ter resultados surpreendentemente inconvenientes e indesejados, mas ao fim de usos ficamos familiarizados com o item e o seu efeito muda parcial ou totalmente.

Retomando ao combate, a mecânica de parry não é suficiente para fazer o destacar o combate de Mortal Shell neste "universo" que são os soulslike, é-nos apresentada então a mecânica Harden que enrijece o personagem refletindo qualquer ataque protegendo o jogador, anulando o dano. Tem um ligeiro cooldown, pelo que deve de ser utilizada conscientemente mas é a ferramenta mais útil neste jogo. É tanto defensiva como ofensiva, digo isto pois a sua utilização está aberta durante um ataque, durante um combo, e permite sempre saír de uma enrascada, seja ela má gestão de stamina ou atacar fora do tempo.

As Shells, cada uma delas resteas de uma vida que contam uma história. Guerreiros que suponho que tentaram enfrentar a mesma jornada que nós, mas falharam miseravelmente, deixando para trás um cadáver do qual nos podemos apoderar. Cada uma tem os seus stats inalteráveis, e habilidades passivas únicas, fazendo de cada Shell uma classe. Para as evoluír é necessário duas unidades monetárias, Tar a "moeda" geral e Glimpse, mas primeiro é necessário identificar a Shell, saber o nome do guerreiro, para então poder desbloquear o seu verdadeiro potêncial. Existe um total de quatro Shells e todas elas estão disponíveis relativamente cedo, sendo que a grande parte, esbarrei-me sem intenção contra elas, inclusivé, aterrei em cima de uma após um inimigo me atirar do precipício.

Tal como as Shells, existem quatro armas que podemos utilizar, cada uma bastante distinta das outras, e com a possibilidade de integrar duas habilidades. Existe um problema com as armas, só podem ser melhoradas numa workbench, das quais existem poucas. O mapa do jogo é curto, mas ainda assim achei a distribuição das workbenches mal feita, sobretudo porque o único fast travel que existe é para o último checkpoint visitado, fazer melhorias às armas torna-se uma  tarefa complicada. Conto-vos então a minha experiência. 

Estava a caminho de recolher a minha primeira glâdula, tinha a minha arma a nível 1 de 5 níveis. Durante a minha pequena jornada e até conseguir retomar a um local onde conseguisse fazer melhorias à arma, recolhi 4 Quenching Acid,  o item necessário para melhorar as armas. Resultado, a minha arma passou de nível 1 para o nível máximo.

Se não fossse pelas Shells, a progressão do personagem acabava aqui.

Gostei especialmente da lutas com os Bosses, que não são muitas. Existe uma variede de gameplay dentro do mesmo estilo. Contraditório, eu sei, deixem-me explicar. O jogo não muda, de repente não somos obrigados a usar mecânicas que não são de combate para ultrapassar o desafio como nalguns jogos, mas dentros das nossa mecânicas de combate os Bosses reagem de maneiras diferentes, nalguns o parry é uma ferramenta bastante eficiente, um outro castiga-nos com dano se o derrubarmos (algo que acontece quando executamos um parry bem sucedido) e um último que nem permite parry. Não podemos adotar sempre a mesma estratégia contra todos os Bosses, algo que não é comum em soulslike, onde por norma desviar e atacar chega perfeitamente.

O melhor do jogo, assim como o pior, ambos se encontram na área artística do jogo. O melhor é sem dúvida o ambiente, dúbio, muito cinzento, pouca vida e a existente não tem brilho algum. Por vezes silêncioso ao ponto de parecer assombrado. As falhas mais notórias encontram-se nalgumas animações, não por estarem mal feitas mas pela falta de variedade, na verdade, nada de muito grave. Tenho também a opinião de que algumas alavancas não são de todos óbvias, sobretudo as que são braseiros de pedra, achei mesmo que serviam só para iluminação.

Devo dar especial atenção ao pormenor de a câmara tremer com alguns ataques, potencializando o impacto do mesmo, intimidando o jogador.

Desde o início que achei que o jogo seria curto mas acabou por ser mais curto do que estava à espera, mas chega perfeitamente, é um produto sólido, bastante satifatório. Um desafio à altura dos fãs de soulslike. Por vezes os bons produtos vêm em pacotes pequenos. Não encontrei um grande número de mortes fáceis, mas existe sim uma enormidade de armadilhas no chão que nos deixam vulneráveis a um ataque inimigo assim como um ataque de coração.
Se estás com o bichinho de um novo Dark Souls que sabes perfeitamente que não vai acontecer, recomendo-te então Mortal Shell, vais ver que é um tempo bem passado.

 

  • Lançamento: 18 de Agosto, 2020
  • Plataformas: PlayStation 4, Xbox One, PC
  • Desenvolvedor: Cold Symmetry
  • Editora: Playstack
  • Nota Pessoal: 7/10
  • Analisado na versão para PC

Lançamentos

 

Super Mario 3D All Stars
18 Set 2020
Nintendo Switch
Nintendo
Mafia III: Definitive Edition
25 Set 2020
PC/Xbox ONE/PS4
Hangar 13
Crash Bandicoot 4: It's About Time
02 Out 2020
Xbox One/PS4
Toys for Bob

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