Paper Mario: The Origami King

Escrito por

Gonçalo "Melgacius" Carvalho

Data de publicação

30 Julho 2020 10:00

Tópicos

Não me canso de mencionar que sou novato no mundo Nintendo. Cresci com a SEGA e só agora ando a conhecer todas as franquias lançadas pela Nintendo. Continuo a impressionar-me com a facilidade com que, usando basicamente sempre os mesmos personagens, conseguem um catálogo tão diverso. Paper Mario: The Origami King ocupa o espaço do que deve eventualmente ter sido um RPG, mas que agora é apenas uma divertida e bem feita aventura.

Quando vi a o trailer deste jogo fiquei mais curioso que entusiasmado. O combate por turnos dava a ideia que me ia meter num RPG, o mundo dava a ideia dum jogo de plataformas em 3D com personagens em 2D, o diálogo voltava a remeter para RPG… bem, o que é certo é que me parece que o criador ficou ali na dúvida se devia fazer um jogo para toda a família, ou fazer um jogo mais complexo. Criou algo para toda a família, e para mim está muito bem assim.

Numa das tradicionais visitas à Princesa Peach que acaba por se tornar numa odisseia para a libertar das mãos do opressor, seguimos Mario acompanhado por Olivia, uma amiguinha voadora de origami, para tentar impedir que o Rei do Origami controle o Mundo e quiçá o Universo. O croqui geral da história é sempre o mesmo, mas o importante é que todo o enredo que nos leva desde o início até ao fim do jogo é fabuloso. Encontrei um jogo muitíssimo bem escrito, com humor que deixa entender que houve uma altura que estava pensado para gente mais crescida, com uma história que nunca se torna cansativa ao longo dos 6 níveis principais do jogo.

Foi a exploração desses níveis o elemento que mais gostei no jogo. Encontrar áreas secretas, descobrir os Cogumelos, reparar estruturas, apreciar as belíssimas paisagens, as conversas com Olívia e outros personagens secundários que encontramos ao longo do jogo. Isto é Nintendo a fazer a sua magia. Parece que em cada mundo que toca os consegue encher de segredos e carisma.

Há, no entanto, uma pecha grande no jogo, a luta. Cada luta é feita num combate por turnos, sendo esse combate original numa fase inicial. Ao invés de somente escolher o melhor ataque e atacar os adversários aqui temos que os alinhar primeiro, seguindo como que um puzzle com sucessivos círculos e somente depois podemos escolher a melhor maneira de atacar os inimigos. Com a progressão no jogo também percebemos que nem sempre a maneira com que o jogo quer que alinhemos os personagens é a melhor, mas acho bem que não se digam as coisas que não são essenciais. Inicialmente isto é bastante giro, mas rapidamente se torna repetitivo e escusado, até porque a dificuldade do puzzle não é homogénea. Algumas vezes é simples, outra quase que me apetece tirar um screenshot parar o jogo e ver se percebo a solução.

Antes de cada batalha, se formos rápidos, podemos acertar no inimigo, mas a vida que lhe roubamos é minúscula, raramente significativa, e apenas a 1 de 8 inimigos. Praticamente não vale a pena. Algo engraçado é que podemos atirar dinheiro ao público, composto pelos Cogumelos que vamos salvando ao longo da aventura, e eles vão realizando diversas acções, como resolver o puzzle, curar-nos ou atacar o adversário. Quanto mais dinheiro atiramos mais acções realizam. Inicialmente não usei esta acção mas o dinheiro é tão abundante e já me aborrecia tanto a luta que acabei o jogo a esbanjar dinheiro. Também podemos gastar algum dinheiro para comprar tempo para resolver o puzzle.

A luta contra os Boss é ligeiramente mais dinâmica, embora dentro do mesmo estilo. Aqui o puzzle funciona de maneira diferente, pois nos obriga a encontrar o caminho certo para ficarmos com a possibilidade de atacar. Cada Boss é bastante original e bastante bem desenhado. Por vezes não entendi como a personalidade se encaixava como vilão, mas isso não invalida o excelente trabalho feito e o propósito de cada um deles em cada nível.

Podemos ter um companheiro durante as lutas normais, mas este funciona de forma automática, não passa pelo nosso controlo. É uma ajuda porreira quando os inimigos ficam mais fortes, e acreditem que ficam.

A variedade de inimigos é grande, no entanto não o suficiente para explicar porque é que depois de libertarmos um nível esses inimigos não desaparecerem. Nintendo, as lutas não são boas, dêem-me a chance de explorar descansado, nem que somente depois de bater o nível. Não há incentivo a voltar a lutar, já que não há progressão da personagem, e as ferramentas que me dão para matar os adversários antes da luta começar não permitem que ande descansado.

Isto acaba por me chatear mais um bocado pois também há batalhas em tempo real, que embora muito simplistas, pelo menos não são aborrecidas.

E de forma resumida é esta a minha opinião. Este jogo apresenta um Mundo que incentiva a descoberta e exploração, mas que insiste em brindar-nos com luta aborrecida e sem grande propósito. Rapidamente comecei a evitar todas as lutas possíveis, e considerando esta premissa Paper Mario: The Origami King é um dos melhores jogos que joguei este ano. Parece ficar a meio de muita coisa, mas é inquestionável que tem personalidade.

 

  • Lançamento: 17 de Julho de 2020
  • Plataformas: Nintendo Switch
  • Desenvolvedor: Intelligent Systems
  • Editora: Nintendo
  • Nota Pessoal: 8/10
  • Cópia para análise gentilmente cedida por Nintendo Portugal

Lançamentos

 

Transformers: Battlegrounds
23 Out 2020
PC/Xbox One/Nintendo Switch/PS4
Coatsink
Ghostrunner
27 Out 2020
PC/Xbox ONE/PS4
One More Level, 3D Realms, Slipgate
Watch Dogs: Legion
29 Out 2020
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