Pro Cycling Manager 2020

Escrito por

Gonçalo "Melgacius" Carvalho

Data de publicação

18 Junho 2020 09:38

Tópicos

O último Pro Cycling Manager que joguei foi o de 2012. Não posso dizer que tudo neste foi uma novidade aliás, muitas mecânicas mantinham-se similares, tive de relembrar algumas coisas mas o essencial estava lá. Com isto quero dizer que não vos consigo dizer se este jogo melhorou significativamente a entrada anterior, mas como jogo isolado vale cada cêntimo.

Admito que há muito tempo não pedinchava tanto um jogo por interesse pessoal. Gosto bastante de ciclismo, mas há muito que não consigo acompanhar a evolução do pelotão, a emoção das clássicas e entusiasmantes chegadas em montanha, o aparecer de cada nova coqueluche do mundo do ciclismo. Apercebi-me imediatamente desta realidade quando comecei a olhar para os planteis das equipas e poucos eram os nomes que me chamavam a atenção, que diabo, o próprio nome das equipas era um admirável mundo novo. De certa forma foi melhor assim, já que não fiquei muito focado em escolher uma equipa só por gostar dum determinada ciclista.

O jogo agarrou-me desde o primeiro minuto, embora à primeira vista seja muito espartano nas opções. Carreira de treinador, carreira de ciclista, prova única. Para além disso o modo online que não me move minimamente. Mais um engodo de alma, porque nas primeiras 20 horas de jogo (que passaram num piscar de olhos) ainda estava numa fase muito precoce da carreira de treinador. Este jogo é lento para os padrões a que estou habituado. Não vejo grande forma de contornar isto, e não é de todo algo que atrapalhe, é apenas uma feature da qual já não me lembrava, e que neste modo até pode ser minimizado quando optamos por simular a corrida, algo que é possível quando temos os objectivos assegurados, e queremos ganhar algum tempo. Já no modo de carreira de ciclista não podes usar este truque, no entanto o jogo é bem mais rápido na tua evolução, e rapidamente és capaz de melhorar as características mais importantes para a categoria do teu ciclista, tornando-o capaz de lutar por etapas ou por provas onde os participantes sejam mais fracotes, o que te põe agarrado ao jogo e entusiasmado em cada novo patamar de evolução.

Graficamente bastante bonito, mas continua-se a insistir em meter modelos de assistência que parecem de cartão, imensos repetidos ou com movimentos padronizados (quando algum). Isto não é de todo grave, e vejo-o em todos os jogos de corrida de estrada, mas a mim retira alguma da imersão. Por falar em retirar a imersão, não posso deixar de falar da forma como lidaram com a detecção de colisão. Não lidaram. Passamos pelo meio de carros, arbustos e mesmo com outros ciclistas as colisões são um bocado manhosas. Por fim a música. Curta e repetitiva. O melhor que posso dizer é que dá para desligar. Num jogo em que passamos grande parte da etapa sem nada de entusiasmante a música de fundo é parte fundamental da experiência. Liguei o Spotify e fui colocando algumas das minhas listas de reprodução. Não deveria ser assim, mas melhora significativamente a experiência e é o que aconselho a cada um de vós.

Epá, não fiquem com a ideia errada, adorei o jogo. Controlar uma equipa inteira num pelotão é bastante desafiante. Controlar a forma dos ciclistas para que atinjam picos de forma para as suas corridas favoritas ou para as corridas que o nosso patrocinador mais valoriza exige um jogo de equilibrismo que só me faz lembrar os chineses que rodam 10 pratos num pauzinho ao mesmo tempo. Na mesma etapa temos de conseguir proteger o nosso líder, lançar um sprint, entrar ou anular uma fuga, controlar o pelotão…uff! E ainda há gestão de orçamento, escolha de parcerias, transferências de ciclistas, estratégias a curto e longo prazo. Atenção que não é um jogo com a profundidade dum Football Manager, nem perto, mas acreditem que o nível de gestão é tão ou mais importante que nesse, já que basta falhar o planeamento da forma dum ciclista para perdermos uma prova importante, enquanto num jogo de futebol um jogador estar em baixo de forma até passa despercebido no meio de 11.

Que emoção quando ganhamos uma etapa, quando ganhamos uma prova de forma inesperada, quando vemos a nossa estratégia a funcionar ou quando conseguimos fazer um comboio para lançar um sprint vitorioso. É um jogo curiosamente carregado de emoções fortes.

Enterrei toneladas de horas no jogo, e podiam ter sido mais se o jogo não tem embirrado com o meu portátil, que é uma máquina muito mais poderosa e actual que o meu computador fixo, mas no portátil não rodava nenhuma corrida em 3D, apenas as simulações pelo computador. Tentei todas as soluções que encontrei online, sem nenhum sucesso. Pode ser só um problema meu, e nem tomei isto em conta na avaliação final, até porque não vi relatos deste problema em mais nenhum lado, mas em boa verdade tenho que o mencionar.

Assim, debaixo duma capa de simplicidade temos um jogo de estratégia bastante completo e complexo. Uma interface que vai ser reconhecível pelos jogadores habituais e fácil de assimilar pelos novos jogadores. As ajudas automáticas ao planeamento ajudam bastante quem quer entrar na franquia, e podem ser desligadas pelos veteranos. Há alguns problemas que nos retiram alguma da imersão, mas não são suficientes para disfarçar que esta é uma entrada sólida na franquia e um deleite para qualquer fã de ciclismo.

  • Lançamento: 4 de Junho de 2020
  • Plataformas: PC
  • Desenvolvedor: Cyanide Studio
  • Editora: Nacom
  • Nota Pessoal: 7,5/10
  • Cópia para análise gentilmente cedida por Nacom

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