Review: GRID

Escrito por

João "JLCfreitas" Freitas

Data de publicação

21 Outubro 2019 14:24

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O meu primeiro contacto com esta franchise, ainda tinha o nome de Race Driver, e foi na PSP, perdi a quantidade de horas que joguei com cada veículo em todas as pistas, aquilo para mim era algo bastante inovador até porque na altura já havia dezenas de jogos de corrida, mas nada como aquele.

Promessas foram feitas no anúncio deste título, novos sistemas, variedade de veículos, novos modos de jogo, e a lista continua. O mais infeliz é que em pleno 2019, onde existe F1 2019, Project Cars 2, Asseto Corsa que são a competição direta do género Racing Simulator, GRID 2019 acaba sendo uma dúvida, será que é arcade ou simulador? Isto é uma crise existencial num título demasiado genérico para ser alguma coisa concreta numa franchise com mais de dez anos de existência.

Embora exista vários títulos bem mais profundos e profissionais, este ainda consegue dar uma boa oferta para os jogadores com sede de velocidade, uma série de corridas com múltiplas voltas, ponto a ponto, circuitos em cidades, ou em pistas profissionais. Penso que um bom jogo de corridas deve ter sempre um catálogo de veículos bastante variado, o problema de GRID é que todos os carros estão todos bloqueados logo de início com apenas uma mão cheia para escolher com o pouco saldo que nos dão. Mantendo essa ideia, se gastarem o dinheiro num veículo de uma certa Liga/Classe (vamos assumir “Tuner”), só irá ser possível correr essa classe porque gastamos tudo nesse carro e não há mais fundos disponíveis para comprar outro, por outras palavras, somos forçados a jogar essa classe até ter fundos para outro veículo de uma classe diferente. Privar os jogadores da possibilidade de jogar outras classes é sempre uma má ideia, seja em jogos de corridas ou outro género qualquer.

As primeiras horas são bastante satisfatórias, contudo comecei a perguntar se existia algo mais, algo diferente, algo que continue a refrescar a jogabilidade, e a resposta é não, reciclar eventos, pistas com diferentes layouts a repetir demasiadas vezes cansa demasiado. Para não mencionar que não existe modo história para ter algum tipo de progresso para além do dinheiro que recebemos e nível, carros e outros eventos, tudo parece demasiado genérico e básico. É verdade que os visuais e sons estão num nível altíssimo, é com muita pena que não acompanha o resto do conteúdo que o jogo poderia ter.

 

Um ponto importante de mencionar, e para aqueles que realmente jogam simuladores de corridas, existem algumas opções de condução para ajustar ou desligar qualquer ajuda de acordo com o nosso estilo ou o carro que escolhemos, também existe compatibilidade  com volantes e respetivos acessórios que é sempre bem vindo. Embora com todas estas opções, fiquei sempre com a sensação que a condução geral dos carros, embora todos sejam diferentes, é um demasiado nervoso, qualquer ajuste leva a uma derrapagem extrema, mesmo em velocidades baixas e curvas alongadas, com a experiência que tenho em outros simuladores, existia este problema, mas era rapidamente resolvido com ajustes no carro, ainda estou perdido neste assunto porque não sei se é realmente intencional.

Pouco ou nada é explicado sobre contratar colegas de equipa ou sobre o sistema Nemesis. Colegas de equipa podem ser usados para abrir caminho ou conduzir na defensiva dependendo da nossa posição ou dos outros condutores, se batermos acidentalmente no nosso colega o jogo automaticamente dá um estado de “Nemesis” que supostamente é apenas para os outros condutores que não a nossa equipa, acabamos tendo um colega numa perseguição pista fora a nos tentar mandar para fora da estrada em vez de ajudar, primeira vez que aconteceu foi bastante estranho, na segunda e terceira é que realmente dá para compreender o que realmente se passa e como é que um erro destes passa assim para uma versão final do jogo.

 


É um jogo que é bastante divertido de se jogar, se não existisse concorrência no mercado, essa que tem melhores sistemas, melhores modos e diversidade. E o valor que é cobrado era para ser algo mais consistente com todas aquelas promessas concretizadas.