Review - Where the Water Tastes Like Wine

Escrito por

Gonçalo "Melgacius" Carvalho

Data de publicação

20 Julho 2018 05:50

Tópicos

Na minha hora de caminho para o emprego ouço podcasts sobre jogos. Where the Water Tastes Like Wine (WTWTLW) foi mencionado e elogiado em alguns deles e fiquei curioso com o conceito. Não posso dizer que o jogo não me surpreendeu, mas deixou-me muitas dúvidas em como o analisar. 

WTWTLW é um walking simulator com foco na história, música e arte. Começamos o jogo a perder uma aposta no póker e a partir daí pagamos a nossa dívida trocando histórias pelos Estados Unidos da América. Quando digo trocamos histórias é mesmo isso que quero dizer, ouvimos histórias para depois a conseguirmos trocar com outros personagens do jogo. 

Graficamente posso e tenho que dividir o jogo em dois. As gravuras/pinturas que servem de pano de fundo quando ouvimos ou trocamos histórias são muito boas, diversas, e poucas vezes se repetem. Dão realmente gosto de ver. Depois há os momentos em que andamos pelos EUA em que literalmente somos um esqueleto 3D a andar num mapa 2D, tudo isto terrivelmente optimizado, com grandes framedrops na minha Nvidia 1070. 

Salva-nos a música, que rapidamente começamos a assobiar, e nos fica na cabeça durante dias. Isso ajuda a passar as loooongas caminhadas que forçosamente temos de fazer ao jogar. 

Nesta introdução praticamente descrevi todo o jogo, mas ainda há algumas coisas das quais quero falar. 

Num jogo sobre histórias é estranho não existir uma história mãe, um fio condutor que nos guie. No fundo o jogo parece uma sucessão de missões de recolha muito similares entre si. Recolhemos a história de personagens randomizados que encontramos, para depois as trocarmos com aquilo que posso chamar de NPCs. Esses NPCs pedem-nos histórias dum tipo específico, como por exemplo uma história divertida, ou triste, ou assustadora, ou entusiasmante ou mesmo de fantasmas, e cada um desses tipos de história pode estar incluído em 18 categorias diferentes. Essas categorias são definidas pelo rumo que damos aos diálogos, já que uma história pode iniciar numa categoria e a meio nós encaminhamo-la para outra consoante as opções de diálogo que nos aparecem. Convém irmos variando as categorias, a longo prazo ajuda. Ora, aqui começa o problema, pois embora saibamos a categoria de cada história, não sabemos de que tipo são. Eu posso ler uma história como divertida e o NPC dizer que ela é assustadora. Vai da moda. O que ajuda é que se é assustadora para um dos NPC é assustadora para todos, e rapidamente aproveitei o meu livrinho de notas para anotar também de que tipo eram as histórias. Algo que não ajuda é que só podemos escolher 3 histórias de cada categoria para podermos contar a cada momento, algo que é estranho e mesmo algo ridículo, porque se sabemos todas as histórias, porque não as podemos contar todas? Será que esquecêmos selectivamente algumas para depois as relembrarmos? Não faz sentido. 

Conforme vamos contando aos NPC as histórias que querem ouvir eles vão confiando mais em nós e contam-nos também a história deles. Cada história pode ter múltiplos níveis e a cada um deles vai exigindo ouvir histórias mais enraizadas na comunidade. As histórias só enraizam depois de as contarmos e/ou ouvirmos de volta enquanto caminhamos. 

Ao início esta mecânica é dificil de entender, mas embora só esteja a cerca de 2/3 do fim do jogo creio que agora será bem mais fácil concluí-lo. 

Embora este jogo seja sobre os EUA do início do século passado pode ser jogado por gente de qualquer país, pois mesmo sem termos a referência histórica exacta percebemos as referências dos inúmeros filmes a que já assistimos, se bem que algumas das vezes não as consigamos associar a um período histórico específico. 

Descobri que o jogo está muito optimizado para ser jogado com comando, embora só exista a versão para PC, e também percebi que dá perfeitamente para jogar só com uma mão, o que fez com que o jogo fosse a minha companhia quando andava com a filhota bebé ao colo. Como parte negativa a ausência de cloud saving, que é imperdoável, um jogo como este e tive de optar jogar no PC fixo ou portátil. Sim as histórias podem enveredar por múltiplos caminhos, mas no fundo é sempre a mesma coisa, e para mim o replay value do jogo só existe para os complecionistas. 

Para além disto há inúmeros mini-aborrecimentozinhos como as músicas acabarem ou mudarem abruptamente, os carros a que podemos pedir boleia só andarem num sentido, sentido esse que metade das vezes não é o que precisamos, partes do jogo onde falha o narrador, longos períodos de absolutamente nada onde só caminhamos, imenso backtrack que só serve para aumentar o tempo de jogo, sistema de vida, cansaço e dinheiro que é inútil, pois nos pode ser literalmente dado sem que tenhamos de fazer o que quer que seja, só podemos atravessar rios em determinados pontos, o que leva a grandes caminhadas quando por vezes o que queremos estava logo ali, diálogos e arte repetida em algumas histórias. Isto em 20h estimadas de jogo. Isto é que foi um verdadeiro ghetto de reclamações, não? Por norma não faço isto, mas neste jogo estas mini chatices acumulam facilmente, especialmente para um jogador que não gosta de walking simulators como eu.  

Então está decidido, o jogo é uma treta e não vale a pena jogar... Bem, não exactamente. O que é certo é que com o tempo comecei a gostar dele. Não é material para jogo do ano, mas tem uma forma estranha de nos ir cativando. Por um lado começamos a querer saber mais da história dos NPC, por outro queremos saber onde é que o jogo nos leva, pois a certo ponto também começamos a perceber que há algo que também é sobre nós. Isto fascinou-me. Quero mesmo acabar o jogo, mas só o vou fazer porque me fui forçando a jogar na fase inicial para poder fazer esta análise. Neste ponto estou seguro que é um bom jogo dentro do género. Provavelmente não o melhor ou mais convencional para começar a jogar, mas para quem gosta do género tem certamente muito que podem aproveitar, pois é perceptível o carinho com que foi feito a milhas! 

 

  • Lançamento: 28 de Fevereiro de 2018
  • Plataformas: PC
  • Desenvolvedor: Dim Bulb Games/Serenity Forge
  • Editora: Good Shepherd Entertainment
  • Nota Pessoal: 6/10
  • Cópia gentilmente cedida por Dim Bulb Games

Lançamentos

 

Super Mario 3D All Stars
18 Set 2020
Nintendo Switch
Nintendo
Mafia III: Definitive Edition
25 Set 2020
PC/Xbox ONE/PS4
Hangar 13
Crash Bandicoot 4: It's About Time
02 Out 2020
Xbox One/PS4
Toys for Bob

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