Serious Sam 4

Escrito por

Gonçalo "Melgacius" Carvalho

Data de publicação

06 Outubro 2020 12:00

Tópicos

Começo com uma nota prévia. Sou um sobrevivente do grupo de fãs de Serious Sam, por isso posso eventualmente exagerar um bocado num ponto ou outro, mas o que seria dum jogo de Serious Sam sem o verdadeiro exagero? Embora cada vez mais um género de nicho, estes FPS tipo run n’ gun ainda fazem muita falta para quem se quer divertir sem pensar em mais nada.

Cada vez mais há o cuidado de evitar estereótipos e um cuidado muito grande em falar de assuntos sensíveis. Serious Sam é um desses jogos… mas ao contrário. Creio que não há um estereótipo que aqui não esteja representado e, imagine-se, quando bem enquadrado não cria qualquer polémica. Essa é a surpresa que este jogo traz, já que esperava alguns vídeos a falar mal dele.

 

Serious Sam 4 continua a ser uma prequela dos dois primeiros jogos. Aqui andamos pela Europa à procura do Cálice Sagrado, qual Indiana Jones, mas com armas de destruição em massa. Continuamos a ter como inimigo Mental e a sua legião de extra-terrestres acéfalos que são a versão alienígena dos russos que nunca conseguiram arrumar com o Rambo. A história é boa? Não, mas o que é que isso interessa aqui?!?!

Quando entrei no jogo pela primeira vez pensei que continuava em Serious Sam 3, mas na verdade isso é um bocado injusto porque depois de instalar o jogo anterior confirmei que este é muito mais polido, quase sem comparação, mas continua uns bons furos abaixo daquilo a que esta geração já nos habituou. É fácil perceber porque graficamente o jogo não deslumbra quando começamos a ver 100 inimigos no ecrã sem perda assinalável de frames. O jogo pareceu-me bastante bem optimizado, mesmo durante streams não tive grande dificuldade em jogar em médio/alto com a minha 1070 e com frames por segundo a rondar os 70 sem grandes oscilações, excepto nas lutas mais exigentes onde chegava a cair para números inferiores a 50.

 

O especial deste jogo é mesmo pegar numa qualquer arma e iniciar uma carnificina, depois outra e depois outra, para somente depois iniciar outra e, por fim… outra. Simples, prático e eficaz. E isso não esgota rapidamente? Bem, rapidamente não, mas mesmo com a constante introdução de novas armas e inimigos a dois terços da campanha já só tirava o mesmo gozo da acção quando nos introduziam uma arma nova, nos metiam num descampado cheio de munição e nos deixavam brincar com ela sem nos preocuparmos em poupar balas. E aquele canhão… lindo!

Obviamente que houve muitos momentos isolados que foram bem mais divertidos que outros, maioritariamente quando envolvia mecânicas diferentes, como o uso de veículos. Digam lá se não gostavam de andar com uma debulhadora no meio dum campo a passar por cima de extra-terrestres? Então e se o Papa-móvel fosse um mech gigante com munição praticamente infinita e o pudessem usar para semear o caos por onde passassem? (desde que considerassem o “por onde passassem” um corredor de 500 metros numa avenida em Itália). Podemos apontar muitos defeitos a este jogo, mas não que não é divertido.

Numa fase inicial do jogo aborreceu-me que os extra-terrestres eram praticamente todos os mesmos que no jogo anterior, mas com o tempo foram aparecendo novos. Não foram somíticos com as novas adições, há muito bicho novo para rebentar, e as novas cores fizeram-lhes bem. Parecem mais vivinhos, mais fresquinhos. Estão ali mesmo no ponto para servirem de interface entre o meu lança granadas e uma poça de sangue.

Com as armas a sensação foi a mesma, embora aqui com menos criatividade. Há coisas novas, mas continuo a usar a caçadeira sempre que posso. Agora com uma proto-skill tree até temos a opção de usar duas ao mesmo tempo!! Sim, leram bem, Serious Sam tenta introduzir elementos de RPG, mas são tão centrais à história como a sopa dos pobres. Têm algumas coisas curiosas, mas tal como a expressão indica pouco mais são que uma curiosidade. Mas desbloquear a dupla caçadeira… caramba!

Com o arrastar do jogo há a tentação de nos tentarem vencer pelos números. E vencem. Dificuldade normal para mim foi difícil, fácil estava no ponto quando se juntavam grandes magotes, mas era… fácil nas secções entre os ajuntamentos. Parece que falta algo ali no meio para quem, como eu, joga sozinho. E já que falo em jogar sozinho, é uma pena não dar para chamar alguém a qualquer altura. Se quiseres jogar co-op terás de ter um save só para isso. Acho que este ponto devia ser revisto.

Os momentos de grande confusão fizeram-me perceber o quão bem desenhado e pensado está o som deste jogo. Os efeitos sonoros bem distintos entre cada inimigo são imensas vezes a diferença entre a vida e a morte no meio da confusa salganhada que normalmente se forma, pois ficas com a sensação clara e precisa de qual inimigo vem e de onde. Por vezes não o vês, mas aí já a história é outra, pois em termos de proximidade faz falta mais umas diferenças de decibéis pelo meio, já que muitas vezes parecia que o raio do bicho estava mais próximo do que na realidade estava.

 

Em termos de bugs e glitches, algo em que esta franquia é pródiga, não me posso queixar. Centenas de bichos a cada minuto e raramente algum ficou preso no cenário, ou fez spawn fora dele. Nunca fiquei preso por não encontrar um inimigo e só por uma vez tive de andar algum tempo à procura, mas no terreno que foi até se entende, ele simplesmente não detectou que eu estava ali. Apanhei algum pop-in, nada de especial e o jogo nunca me crashou. Até ficou curto este ghettozinho de queixas.

A minha tendência é recomendar este jogo de caras, mas há alguns aspectos a ter em atenção. Acima de todos o preço. O jogo não é full price, mas também me parece que arranjam algo mais polido pelo mesmo valor. Ainda está muito despido de modos e de mods, que serão introduzidos no futuro. É um jogo de nicho e cada vez mais datado para as novas gerações. Posto isto, é terrivelmente divertido, despretensioso, não se leva a sério, com humor tão mau que dá a volta, gráficos aceitáveis e uma história cheese que dói. Adoro!

  • Lançamento: 24 de Setembro de 2020
  • Plataformas: PC/Xbox One/PS4/Stadia
  • Desenvolvedor: Croteam
  • Editora: Devolver Digital
  • Nota Pessoal: 7.5/10
  • Cópia para análise gentilmente cedida por Croteam

Lançamentos

 

Ghostrunner
27 Out 2020
PC/Xbox ONE/PS4
One More Level, 3D Realms, Slipgate
Watch Dogs: Legion
29 Out 2020
PC/Xbox ONE/PS4/Stadia
Ubisoft
Pikmin 3 Deluxe
30 Out 2020
Nintendo Switch
Nintendo

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