Tennis World Tour 2

Escrito por

André "dre" Silva

Data de publicação

03 Outubro 2020 14:00

Tópicos

O mundo dos desportos é cada vez mais vasto, com a constante atualização e adaptação dos mesmos ao mundo de hoje. Com jogos monótonos e um decorrer algo repetitivo, arrisco-me a dizer que o ténis não é um desporto para todos. O mesmo se pode dizer dos videojogos dedicados à representação realista e ao mesmo tempo divertida deste desporto. Está então estabelecido um obstáculo que, este ano, cabe à Big Ant Studios ultrapassar.

 

Visuais

Os cenários, ou devo dizer, courts, em Tennis World Tour 2, não são nada apetecíveis. A verdade é que vais reparar inevitavelmente nos adeptos estilo FIFA 15, com os tenistas a passarem através dos árbitros ou restantes ajudantes no arredor do campo.  Penso que a representação minimamente fiel dos 37 tenistas à vossa disposição não deve ser de todo premiada, até porque acaba por ser um requisito fundamental que à partida é tomado como garantido no momento de compra deste jogo. No entanto, nem mesmo essa representação é feita de forma perfeita (antes pelo contrário) uma vez que até nas clássicas expirações de Nadal, o jogo arranja maneira de as sobrepor, ou de as reproduzir quando não deve. Em termos gráficos, também não é um jogo que se destaque de nenhum outro, ficando até mesmo muito atrás dos visuais de FIFA e NBA. Claro que estamos certamente a falar de orçamentos diferentes, mas num jogo que se foca no ténis e nos atletas integrados nesse desporto, não deveria de existir uma discrepância tão notória e cartoonizada dos tenistas, dos árbitros, e até mesmo dos adeptos.

Jogabilidade

No que toca a jogabilidade, TWT2 também não merece numa distinção. Tens a opção de realizar meia dúzia de movimentos, que na maioria das vezes têm o efeito desejado. No entanto, um dos grandes problemas é a própria IA do jogo. Supostamente representando o comportamento de alguns dos melhores tenistas a nível mundial, deparei-me com alguns casos nada característicos destes atletas, chegando mesmo a existir sets perdidos apenas e só por falhas no serviço inicial, notando que estava a jogar na dificuldade normal. É óbvio que estas coisas se falham, mas 10 vezes seguidas, é algo não muito característico. Agora, voltando aos tipos de movimentos que podes realizar para enviar a bola para o campo adversário, existem diversas vezes em que a bola toma uma trajetória própria, não correspondendo completamente ao tipo de animação que o jogo escolheu para interpretar o teu comando. Apesar de não acontecer um exagerado número de vezes, não consigo deixar de passar a quantidade de bolas fáceis que o Nadal falhou. Aliás, os atletas não falham apenas bolas fáceis, mandando-as contra a rede, mas chegam mesmo a não querer alcançar a bola. Em certos casos, vais ver a bola do outro lado do campo e carregar no botão correspondente, e o personagem bloqueia logo a bola e a ação sai perfeita. Outras vezes, em circunstâncias muito mais simpáticas, o competidor tira umas férias e prefere ver a bola simplesmente passar ao lado.

 

Para acrescentar, o jogo também tem uma enorme dificuldade em manter-se funcional por mais de 15 minutos. Pelo menos, na versão PS4, não consegui completar uma partida sem que ocorressem uns quantos erros de aplicação, interrompendo bruscamente a minha experiência e imersão.

Vão poder jogar uma coleção meio desanimadora de modos de jogo, entre eles, um modo online, um modo carreira, e de exibição. Os restantes modos disponíveis, não passam de variações básicas dos referidos. O modo carreira é demasiado simples, com uma customização miserável de personagem, que decididamente não te faz sentir que estás numa das competições mais difíceis do mundo. Já no modo online, não existe mais nada para além do esperado, com uma pobre interação do tenista com o seu redor, passando várias vezes entre os apanha-bolas e árbitros, desvirtuando o jogador completamente da imersão. O modo de exibição, que é o clássico modo onde é suposto experienciares tudo o que o jogo tem para te oferecer, não passa 15 minutos sem crashar.

Agora, numa nota ainda mais pessoal, num jogo supostamente competitivo, com foco também no realismo, a existência de boosts que, de forma mágica, influenciam a taxa de sucesso do oponente em certos casos, é completamente desnecessária, desvirtuando também o jogo para um combate de quem tem as melhores cartas, e não de quem é o melhor no jogo.

Em suma, Tennis World Tour 2 acaba por não se sobressair pela positiva em nenhum ponto. Tendo isto em conta, e somando os bloqueios constantes, é impossível conseguir recomendar este jogo por alguma coisa, e fico com dúvidas se seria sequer um jogo a recomendar para os amantes do desporto. Fica, portanto, mais uma má homenagem ao mundo do ténis, com um nítido caminho ainda por percorrer aquando a sua representação nos videojogos.

 

  • Lançamento: 24 de Setembro de 2020
  • Plataformas: PC/Xbox One /PS4
  • Desenvolvedor: Big Ant Studios
  • Editora: Nacon
  • Nota Pessoal: 5/10
  • Cópia para análise gentilmente cedida por Nacon
  • Analisado na versão para PS4

Lançamentos

 

Ghostrunner
27 Out 2020
PC/Xbox ONE/PS4
One More Level, 3D Realms, Slipgate
Watch Dogs: Legion
29 Out 2020
PC/Xbox ONE/PS4/Stadia
Ubisoft
Pikmin 3 Deluxe
30 Out 2020
Nintendo Switch
Nintendo

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