Tower of Time

Escrito por

Gonçalo "Melgacius" Carvalho

Data de publicação

13 Julho 2020 10:00

Tópicos

Tower of Time caiu no nosso email sem ninguém o ter pedido. Como não estamos habituados a isso fomos deixando ficar a pensar que seria para qualquer um dos outros. Foi por pouco que nos escapou uma proposta muito interessante para o mundo das consolas. Ainda bem que reparámos a tempo.

A oferta de CRPG para consola não é muito grande ou variada. O ano passado jogámos a adaptação de Baldurs Gate que eu gostei, mas o Rafael nem por isso. Tower of Time é uma versão modernizada desses CRPG, com mecânicas de batalha curiosas, um jogo desafiante, uma história bastante envolvente, mas com alguns problemas.

Muito do encanto do jogo é a história. Apresentada em momentos de cinemática ou em textos associados a excertos de livros que vamos apanhando consoante vamos jogando, a história evolui a bom ritmo, sempre capaz de nos atirar um osso interessante. Sou-vos muito sincero, impressiona-me como conseguem escrever um jogo para o manter interessante por tantas horas. Não cai em vulgaridades, não entra no espectro do mirabolante. Introduz personagens a um ritmo que nos dá espaço suficiente para as perceber e interiorizar. Este ano tenho tido alguma sorte, pois tenho apanhado jogos que me têm mantido completamente embrenhados na história e ambiente, fazendo com que gradualmente vá gostando mais de RPG. Tower of Time não foi excepção. Pena os textos serem tantos e tão difíceis de ler em modo handheld. Os meus olhos sofreram um bocado.

Passamos metade do tempo a explorar os níveis procurando dinheiro para evoluir estruturas ou treinar os heróis, procurando textos que explicam a história, fazendo missões, vasculhando cada canto do labirinto à procura de upgrades ou encantamentos para as nossas armas. Embora com múltiplos pontos de fast travel, os níveis são suficientemente pequenos para andares a pé sem teres aquela noção chata de constante backtrack. Eu andei maioritariamente a pé. Há loot com fartura, embora nem sempre seja fácil de encontrar, seja pelas cores, seja pela natureza condensada da informação, num plano assimétrico aliado a um ecrã pequeno. Cada vez que entramos num combate passamos por um aborrecidíssimo ecrã de loading que rapidamente começa a cansar.

O combate é interessante. Iniciamos com uma equipa com dois elementos. Os adversários embora mais fáceis, não nos dão muito espaço a invenções. Esta fase funciona um pouco como tutorial, para percebermos como posicionar os personagens, como usar as suas funções, como trabalhar com upgrades, como usar as suas habilidades. Gradualmente vão-se juntando novos personagens e a nossa equipa pode ir até aos 4 elementos. A equipa pode ser alterada, e certamente irás alterá-la para passar alguma situação onde ficamos encalhados. Se nos níveis iniciais isso não acontece, a certo ponto é importante usar heróis com diferentes características. Foi nessa fase que comecei a perceber que não devia ter investido tanto na evolução dos heróis iniciais, criando um desequilíbrio bem evidente dentro da equipa. Depois sofri com isso.

Joguei o jogo na minha Switch, que é das primeiras. Graficamente não é nenhum fenómeno, sendo mesmo claramente inferior à versão para PC. Esse facto já é habitual, e na realidade nem me afecta muito. O que me afecta são as mini paragens que o jogo tem por vezes. Isso já me tinha acontecido com o Songbird Sympony, e também desta vez não vejo referências a esse facto online. Não sei até que ponto o problema é meu, mas tenho que mencionar isto.

Bem pior começou a acontecer com o evoluir dos inimigos. Logo no segundo andar da torre quando aparecia um determinado tipo de Orc, a magia que lançava fazia crashar a consola. Por sorte nunca me aconteceu numa batalha obrigatória, mas com o tempo tive de começar a fugir de algumas batalhas. Mais uma vez não encontrei menção a isto. Será uma falha do meu hardware? Sinceramente não sei, mas foi a razão pela qual acabei por pousar o jogo que até então estava a ser tão interessante, mas que de forma abrupta me começou a fazer evitar tantas batalhas que acabou por retirar muito do seu imenso sex appeal.

Tenho imensa pena de ter apanhado estes problemas. O jogo é bastante bom. Mesmo muito bom. Para consolas ocupa um espaço que onde a oferta não é grande. Estava completamente embrenhado no jogo até começarem os problemas. Claro que não era uma potência gráfica, as mecânicas de combate, embora muito interessantes, não eram geniais, mas tem todos os ingredientes para ser um jogo muito, muito bom. Se quiserem arriscar que os problemas que tive foram da minha consola, avancem sem medo para o jogo, vão gostar imenso. Não garanto é que não passem o mesmo que eu, e nesse caso não vai valer a pena, nada mesmo.

  • Lançamento: 25 de Junho de 2020
  • Plataformas: PC/Xbox One/Switch/PS4
  • Desenvolvedor: Event Horizon Software
  • Editora: Event Horizon Software
  • Nota Pessoal: 6,5/10
  • Cópia para análise gentilmente cedida por Event Horizon Software
  • Jogo analisado na versão para Nintendo Switch

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