Wasteland 3

Escrito por

Gonçalo "Melgacius" Carvalho

Data de publicação

22 Setembro 2020 14:00

Tópicos

Embora tenha os primeiros dois Wasteland acabei por nunca os jogar. Ficavam sempre para a próxima. Wasteland 3 foi a minha entrada na franquia e deixem que vos diga, que maneira fantástica de começar!

Wasteland 3 é um CRPG que mistura exploração em mundo aberto com momentos de luta por turno estilo X-COM. Para falar a verdade lembrei-me logo dum jogo que adorei, Mutant Year Zero: Road to Eden. Costumo não gostar destes jogos, mas considerando que todos os que joguei desde que colaboro com a Hyped levaram boa nota, se calhar até gosto mas sou teimoso.

Um dos templates padrão destes jogos é usado. Mundo pós-apocalíptico, sobreviventes juntam-se em bandos onde há relativa segurança e o território é dominado por uma figura autoritária. Nós somos contactados por uma dessas figuras autoritárias “The Patriarc” que domina o gelado Colorado, no entanto algo corre mal e a maioria da nossa equipa morre após uma emboscada antes de chegarem ao ponto de encontro, não aquele do Henrique Mendes, mas com o tal Patriarca que os contratou.

Aqui a componente RPG começa a entrar em força. O começo de Wasteland 3 é lento, ainda mais para mim que tive muito para ler, muito para aprender e mesmo recomeçando uma vez creio que fiz erros suficientes para encher uma camionete. Este jogo é mesmo assim, as combinações são múltiplas. Há personagens que podemos ser nós a criar de base, mas numa equipa de 6 há sempre pelo menos dois que são companheiros que se juntam a nós.

Numa primeira abordagem perdi muitos pontos em repetições entre personagens, na segunda vez que joguei já criei personagens especializados, anotei os nomes no meu caderninho para não fazer asneira sem querer, mas mesmo assim há espaço para erros, especialmente se esperamos uma coisa e nos sai outra.

Por exemplo, Wasteland é a única franquia em que ganhamos loot em torradeiras. O jogo engana os noobs tipo eu, que vêem uma na base e gastam aí logo pontos que são muito menos úteis numa fase inicial que noutras skills. Os combos de armas e munição também são importantes, pois felizmente todo o loot aparece numa pool a que acede toda a gente. Ainda bem que não temos de gerir inventário um a um. Que maravilha. Tenho que tirar o chapéu ao caminho que os estúdios da Xbox estão a percorrer, que a Nintendo já fazia e a SONY começa também a fazer. Tornar os jogos mais acessíveis nas mecânicas torna muito mais fácil o embrenhar no mundo e na história. Se perder menos tempo no acessório, que usualmente é aborrecido, sobra mais tempo para o que realmente importa. Jogar.

As combinações de personagens, equipas, skills, perks, e mesmo personagens individuais em si é gigantesca. Jogar o jogo apenas uma vez já te dá conteúdo que chegue. Este fim-de-semana enterrei o dente no jogo, sem me distrair com streams, só jogar. Passei as 30h, creio que estou longe de chegar ao fim. O começo é lento, mesmo a pender para o aborrecido, mas a certa parte as árvores de diálogo tornam-se mais abertas, menos truncadas, menos aborrecidas. O jogo engana pois as missões que nos aparecem ao início são muito acima do nosso nível, mas as missões secundárias que vamos fazendo estão bastante bem incluídas na história, não são simples fetch-quests, acrescentam sempre algo ao mundo, daí eu achar que muitas delas podiam ser incluídas “oficialmente” na história principal, para nos tirarem esta ideia que andamos ás voltas sem avançar, até porque numa fase inicial não percebemos que estamos a aprender sobre o que nos rodeia, e todas as interacções são importantes.

Por exemplo e sem entrar em spoilers. Logo no início somos colocados perante duas decisões importantes na nossa base. Tomei as decisões. Uma nunca esqueci, mas outra ficou completamente esquecida, contudo um batalhão de horas mais tarde tornou uma secção do jogo completamente diferente.

Temos múltiplos destes encontros. Ainda há pouco analisei o Tell Me Why e nunca senti realmente esta dificuldade em decidir. Acho que nesse aspecto Wasteland 3 dá quinze a zero, contudo perde na magnitude e profundidade da história, que apesar de boa não mantém a consistência ao longo e tantas horas, algo que não me surpreende de todo.

De realçar a importância dos companheiros. Podemos encantar animais para nos seguirem, e eu creio que o meu elemento mais consistente na equipa foi um gato de chapéu. Apenas tenho alguma pena que muitas vezes ignorem o perigo, atacando os inimigos em linha recta, independentemente de passarem pelo meio de chamas ou outros perigos.

No mundo deslocamo-nos num veículo tipo tanque, que pode ser usado como arma em algumas secções. Se formos mais afoitos a explorar o mundo corremos o risco de ficar atolados, mas se chegares a esse ponto já sabes que estás perto de descobrir uma recompensa que vale a pena. O jogo também é bom nesse aspecto, recompensa bastante quem gosta de explorar.

O que me faz mais pena é que os controlos não são tão fluidos como noutros jogos, acredito que pela necessidade de serem adaptados a um comando também, mas tive sempre dificuldade em lidar com a câmara, e enganei-me múltiplas vezes com os botões direito e esquerdo do rato, mas isso já foi de mim.

As paisagens do Colorado são bonitas quanto baste, mas se há algo que precises de ver, vais conseguir vê-lo, e raramente não te irá parecer bonito. Já que falei do Tell Me Why, e considerando que ambos são jogados na neve, o Wasteland, como seria de esperar, nem de perto é tão bonito como o outro, mas estou a comparar um mundo aberto relativamente grande, com uma experiência bem mais pequena e truncada. O jogo é bonito.

Joguei este jogo com calma, devagar, a aproveitar a informação que me dava. Gostei de experimentar com os diferentes membros da equipa, gostei das opções e da maneira como a história está escrita. Gostei como as nossas decisões são reais, e nos causam problemas no futuro. Nem sempre o que parece certo é certo, nem sempre um penso imediato serve a longo prazo. Aqui a forma como jogas faz a diferença. Este jogo está fantástico e é uma recomendação fácil não só a quem gosta deste género mas a todos os jogadores.

  • Lançamento: 27 de Agosto de 2020
  • Plataformas: PC/Xbox One/PS4
  • Desenvolvedor: inExile Entertainment
  • Editora: Xbox Game Studios
  • Nota Pessoal: 8,5/10
  • Analisado na versão para PC

 

Lançamentos

 

Ghostrunner
27 Out 2020
PC/Xbox ONE/PS4
One More Level, 3D Realms, Slipgate
Watch Dogs: Legion
29 Out 2020
PC/Xbox ONE/PS4/Stadia
Ubisoft
Pikmin 3 Deluxe
30 Out 2020
Nintendo Switch
Nintendo

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