Witcheye

Escrito por

Ricardo "Jaclops" Martins

Data de publicação

11 Setembro 2020 14:00

Tópicos

Quem me conhece quase de certeza que sabe que eu tenho uma pequena paixão pela Devolver Digital e o trabalho fabuloso que fazem como curadora e publicadora de jogos. É preciso vincar que têm a tendência de lançar os jogos mais estranhos e com mecânicas mais fora da caixa que costumo ver. Este não é exceção. Apesar de vir do universo dos jogos mobile (que às vezes até faz confusão os jogos que vão parar à eshop da Nintendo) Witcheye é um platformer curto, interessante e divertido que dá para devorar numa única sessão explosiva da demanda de um simples olho flutuante que quer reaver o que lhe foi roubado.

O fio condutor aqui é a história de um cavaleiro que a comando do grande mago foi incumbido de adquirir uns ingredientes mágicos que são conhecidos estar na posse de uma bruxa. Essa bruxa somos nós. O sorrateiro cavaleiro é bem sucedido, no entanto, um morcego apercebe-se do furto e cria o alerta. Mestre dos mil feitiços, rapidamente a bruxa transforma-se num olho flutuante e prossegue a perseguir o ladrão, é aqui que começa o jogo em si. Não é complexa nem sequer interessante ou intrigante. Mas também quem quer saber da história numa mistura de 2D platformer e bullethell dividido em níveis tão curtos que morrer nem é uma preocupação?

Num jogo destes o que se quer é um gameplay fluido, responsivo e de preferência inovador. É aqui que Witcheye nos pisca o olho. O olho que controlamos é flutuante mas tem caracteristicas de bola saltitona. Em primeiro a partir do momento em que o olho se mover vai continuar initamente a andar até nós lhe darmos o comando de parar; segundo, em qualquer superficie que batamos somos logo projectados para o lado contrário. Inicialmente demorei um bocado a habituar-me a isto. Estava constantemente a bater em tudo e ser projectado para onde não queria, mas rapidamente me habituei e percebi que dava para usar isso a meu favor. Comecei a procurar bater nos inimigos no ângulo certo para que fosse lançado contra uma parede logo ali ao lado, para ser de imediato lançado de volta contra o inimigo fazendo com que conseguisse dar dois hits de seguida. Aqui o jogo passou a ser mesmo muito divertido!

Os controlos são claramente de mobile o que se traduz mal para controlos de teclado e rato. Temos de carregar no botão esquerdo do rato e arrastá-lo no ecrã para metermos o olho a andar nesse direcção. Para fazê-lo parar é só carregar em qualquer tecla. Torna-se tão cansativo em bosses estar contantemente a mexer o braço de um lado para o outro porque temos de fazer imensos ajustes de tragetória constantemente. Para mim não funcionou... fui buscar o meu comando e a história mudou logo. Com a ajuda dos analógicos do comando a tradução de controlos ficou perfeita! Usas o analógico esquerdo para direcionar o olho e qualquer outra tecla para a fazer. Do nada tinha um controlo sobre o meu personagem que era completamente natural tranzendo muita fluídez aos meus movimentos que soube incrívelmente bem.

Depois de mudar para o comando o jogo parecia outro e voou muito rápido, para ser mais especifico demorou três horas a terminar o modo de história com todos os colecionaveis. Os inimigos não são especialmente difíceis, têm padrões bastante previsíveis que mesmo quando ainda não os conhecemos é fácil de lhes dar a volta. Atenção! Com isto não quero dizer que às vezes o posicionamento deles em relação a picos na parede ou poças de lava não seja tramado. Os bosses e minibosses por outro lado já aumentam a dificuldade com padrões mais complexos ou condições mais complicadas para lutar com eles, mas ainda assim em apenas duas ou três tentativas conseguimos dar conta do recado e recolher mais um dos ingredientes que nos foram roubados. Vê-se que investiram mais tempo e criatividade nestas lutas do que nos níveis comuns. Os puzzles que estão imbutidos nelas são tão espertos e divertidos, com animações mais cuidadas, e muito mais recompensadores. Acho que se podiam ter focado em fazer mais batalhas com mecânicas curiosas e menos nos níveis que são mais limitados.

Tenho que mencionar que gostei bastante do estilo visual muito retro. Com um pixelart simples mas bem conseguido e cheio de cor, quase que faz lembrar alguns jogos do tempo dos arcades. Durante as batalhas com os bosses somos bombardiados por efeitos visuais e explosões de cor para dar aquele ar de épico enquanto uma banda sonora, igualmente retro, nos dá ritmo e nos mete a cabeça a abanar. A música deste jogo é para mim um dos seu pontos altos. Simplemente adorei! Já dei por mim a ouvi-la mesmo quando não estou a jogar ou a cantarolá-la sem me aperceber. A facilidade com que estas músicas repletas de sintetizadores e guitarras elétricas conseguem dar ambiente a certos níveis ou criar momentos de tensão nos bosses está muito bom.

Tenho alguma pena que só depois de passar o jogo a primeira vez é que se desbloqueia a dificuldade hard. Para jogadores como eu que gostam de um bom desafio deviam ter a possibilidade de jogar logo numa dificuldade mais elevada. Percebo que o façam para haver algum replay value, assim como os modos de boss rush e speedrun que se desbloqueiam também, mas preferia que houvesse logo as três dificuldades normais e uma extremamente difícil que essa se desbloquearia apenas depois da história. Não me vejo a voltar a jogar assim tão cedo, excepto para fazer um ou outro boss rush só pela diversão.

Com uma mecânica de bola saltitona muito interessante e divertida, lutas com bosses criativas, estilo visual bonito e uma banda sonora digna meter o som bem alto, Witcheye apesar de curto vale a pena experimentar. Acreditem que vão ter umas horinhas espetaculares!

 

  • Lançamento: 27 de Agosto, 2020
  • Plataformas: PC, Nintendo Switch, Android, iOS
  • Desenvolvedor: Moon Kid
  • Editora: Devolver Digital
  • Nota Pessoal: 7/10
  • Cópia para análise gentilmente cedida por Devolver Digital
  • Analisado na versão para PC

Lançamentos

 

Super Mario 3D All Stars
18 Set 2020
Nintendo Switch
Nintendo
Mafia III: Definitive Edition
25 Set 2020
PC/Xbox ONE/PS4
Hangar 13
Crash Bandicoot 4: It's About Time
02 Out 2020
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Toys for Bob

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