Xenoblade Chronicles: Definitive Edition

Escrito por

Gonçalo "Melgacius" Carvalho

Data de publicação

09 Junho 2020 12:29

Tópicos

Quem gasta algum do seu tempo a ler as minhas análises sabe que não sou especial fã de RPG intermináveis, que oferecem histórias e mundos gigantescos que nos absorvem a vida durante semanas. Xenoblade Chronicles: Definitive Edition não só fez isso mesmo, como me deixou de beicinho por este mundo dos JRPG. Só falta vir algum convencer-me que as lutas por turnos são divertidas.

Num podcast onde participei com uns amigos seguimos um Nintendo Direct onde este jogo esteve em destaque. Uma das coisas que acabei por dizer é que nunca na vida esperava ficar tão interessado neste jogo. Para vos ser ainda mais honesto, eu tive a versão original para Wii, mas nunca a joguei. O jogo ficou esquecido no meio de tantos outros. A Monado, espada usada para destruir os Mechons, já nessa altura produziu uma capa intrigante. São aquelas compras por impulso que um adulto jovem acaba por fazer. Ainda não há filhos a prejudicar o equilíbrio financeiro… mas que estúpido fui. Tive uma obra de arte na estante até finalmente a vender por atacado.

A premissa do jogo é simples. Dois titãs, Bionis e Mechonis, digladiam-se numa batalha interminável até que tudo acaba num empate. Dos seus corpos mortos a vida floresce, contudo a guerra não pára. Os humanos, representando o mundo biónico, continuam em guerra permanente com os mechons, que representam o mundo mecânico. Os humanos parecem claramente em desvantagem, mas há algo que equilibra as contas, a Monado, espada que permite matar os mechons.

Uma história sólida, bem escrita, coerente. Os personagens principais são bem trabalhados e as vozes claramente britânicas estão bem colocadas na grande maioria das vezes. Tenho que admitir que não me agarrou de imediato, mas talvez nas primeiras 3 horas de jogo já me encontrava embrenhado no mundo. As personagens secundárias (ou terciárias, se preferirem) servem muito para nos dar missões, as famosas fetch quests. Arrisco-me a dizer que há milhares delas, mas com um sistema muito inteligente de nos serem apresentadas. A maneira mais fácil de as fazer é aceitar todas elas. Neste jogo não te limitas a fazer uma de cada vez, todas elas ficam activas e marcadas no teu mapa, podes ir fazendo tudo com calma enquanto vais jogando. Podes ir tentando apenas fazer a missão principal e apanhas as secundárias que te vão aparecendo no caminho. É fácil. Ainda melhor, são poucas as que te obrigam a andar para trás e para a frente para apanhares aqui só para ires entregar ali, mal cumpres um objectivo, quem te deu uma missão recebe o item, ou sabe da notícia, a missão fica imediatamente concluída. Quem diria que simplificar a vida ao jogador iria aumentar em muito a capacidade de nos embrenharmos completamente no jogo.

Apenas para concluir o tema das missões secundárias, estas permitem-te ganhar dinheiro, experiência e itens que provavelmente serão mais que suficientes para manter os teus personagens no nível certo para cada missão principal sem teres de perder tempos enormes em grind. Ainda não acabei o jogo, nem para lá caminho, mas até ao ponto onde estou nunca me senti forçado a ir matar alguma coisa só para ganhar experiência e subir de nível. Que luxo.

O jogo é composto por diferentes secções, não é um mundo uno, são sim áreas separadas por ecrãs de loading curtíssimos, acho mesmo que nunca vi nenhum tão rápido em jogos modernos. Cada área é grande e transmite aquela sensação de que podemos ir a todo o lado incentivando-nos a explorar alguns recantos só para ver o que lá está. Com pontos de fast travel generosos, também com tempos de loading muito pequenos, viajar é uma delícia. Olhar para paisagens verdejantes pejadas de animais, mundos originais e bastante bem concebidos, com um trabalho de remasterização fabuloso este jogo é um assombro para os olhos, embora se note que muita coisa não é actual. Acrescento também que é dos poucos jogos que joguei na Switch que tem pior aspecto em handheld que em docked. Se essencialmente jogas no modo portátil deves ter isto em atenção, mas mesmo assim tens um jogo muito bem optimizado, fluído e sem quedas evidentes de frames.

Estou aqui a conter-me para não falar constantemente do combate. Para mim uma interpretação brilhante do que pode ser um combate por turnos sem ser um combate por turnos. Lutas com uma party até 3 elementos e podes controlar cada um dos seus elementos. Cada elemento controla um determinado set de habilidades que pode usar indiscriminadamente perante um tempo de cooldown. A melhor solução não é escolher habilidades aleatoriamente, cada uma delas é adequada para determinadas posições ou momentos do combate. Consoante vão preenchendo uma barra podem ter acesso a uma sequência de ataques encadeados por todos os elementos da equipa, sendo que estes, se bem executados, podem produzir um dano brutal ao inimigo. Mais uma vez convém conhecer o potencial da nossa equipa para planear a sequência de ataques a usar, o que esperar de cada um deles e saber o que fazer a seguir. Por fim, a Monado dá-te a capacidade de prever o futuro e, por vezes, durante uma batalha isso acontece, sendo que nessas alturas tens a opção de te aproximares dum companheiro e avisá-lo, ou usares os teus poderes para o proteger. Acaba por ser um mecanismo algo simplista, mas acrescenta alguma emoção. As batalhas são um poço de diversão estratégica.

Os adversários não são burros nenhuns e alguns atacam-nos em grupo para dividirem a nossa força entre muitos. Esses momentos complicam-nos a vida, mas nada como ir fazer outras missões, ou comprar melhor gear e ganhamos aquele pequeno boost que faz a diferença entre a vida e a morte no final. Também, consoante a performance na batalha, terás a chance de reavivar um ou dois companheiros caídos. Chegando a essa fase é sinal que a luta já não estará a correr de feição, mas não perdes nada em fazê-lo, aliás, mesmo que morras, o que perdes é somente uns minutos, pois fazes respawn imediato no checkpoint mais próximo sem perder mais nada do teu progresso. Também te conto um segredo, podes fazer save em qualquer local, se achares que vais entrar numa luta difícil faz save. Ganhas uns minutos. A vantagem não é grande, mas é aquela coisa da qualidade de vida.

O jogo acrescenta ainda um epílogo à versão original, mas ainda não a joguei, não quero estragar a surpresa. Sei que o devia ter feito, mas este jogo é tão bom mesmo sem o epílogo…

Xenoblade Chronicles: Definitive Edition não é um jogo perfeito. Eu sei, ainda não é desta que encontrei esse jogo, mas continuarei a procurar. Posso, no entanto, dizer-vos que é um jogo brilhante. Foge ao actual cliché do realismo, com imensas adições que melhoram a nossa qualidade de vida e, imaginem bem, essas adições fizeram com que me perdesse completamente no jogo sem ter pausas para pensar no quão irritante é uma mecânica. Faltar o grão de sal em algumas personagens e mesmo na história em si deixa o jogo muito perto de se tornar o melhor jogo da Switch. Não é, mas definitivamente é uma pérola que merece ser jogada.

  • Lançamento: 29 de Maio de 2020
  • Plataformas: Nintendo Switch
  • Desenvolvedor: Monolith Soft
  • Editora: Nintendo
  • Nota Pessoal: 9/10
  • Cópia para análise gentilmente cedida por Nintendo Portugal

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