2019 Dec 23 / 15:37

Análise: Transport Fever 2

Transport Fever 2 é um simulador de logística, à sua escala fez-me saber como é trabalhar como repositor de stocks, mas sem a pressão de ter um prazo para o fazer, nem saber ao certo porque razão as pessoas estão ou não a comprar os produtos. Pesando bem tudo, é um jogo muito interessante.

Na minha senda de pedir jogos pelo trailer, desta vez calhou um simulador. Já mencionei algumas vezes que adoro um bom simulador, e este tem aspectos de tycoon e, de forma secundária, de world builder.

De forma genérica temos de organizar toda uma logística para levar coisas que são precisas em sítios, mas não existem nesses sítios. Parece simples, mas é tudo menos simples. O jogo tem o tutorial estruturado em missões, missões essas que não são exactamente exemplares a explicar-nos o que fazer, e tive de recorrer a vídeos para conseguir concluir todas elas, algumas mais que uma vez. Nem num jogo de puzzles fui obrigado a fazer isto tanta vez. Mesmo jogadores experientes pareceram ter algumas dificuldades em resolver algumas das missões, imaginem eu. Além disso, e embora eu não tenha nada contra jogos com marcada ideologia política, algumas missões eram simplesmente um tratado anti-comunista sem qualquer tipo de enquadramento num jogo que tenta sempre introduzir os seus conceitos numa perspectiva histórica bem definida.

E é nesta toada que seguimos durante todo o jogo. Quando percebemos o que fazer e passamos para sandbox é aí que conseguimos ver o quão intrincado o jogo se torna. Embora não haja um desafio de urgência no jogo, os mapas tendem a nos dificultar a vida, seja pelo terreno em si, seja afastando imenso todos os itens, de forma a tornar bastante dispendioso o seu transporte. É com o transporte que ganhamos dinheiro, e até uma linha estar a render, temos de ter capacidade para absorver o prejuízo, e embora isso seja desafiante a curto prazo, é nessa altura que entra em cena o efeito tycoon. Basta esperares o tempo suficiente para que tudo estabilize e comece a render. Não há urgência, não há concorrência, ninguém te vai tirar o lugar. Torna-se uma luta apenas contra a tua paciência. A isto acrescem os mini-aborrecimentozinhos espalhados por todas as mecânicas, e nem sempre é fácil saber como os resolver.

Ora é os barcos não transportarem mercadorias porque previamente não há uma rota criada para transportar os bens do porto para a cidade, ora as pessoas não andam de comboio porque querem uma paragem de autocarro, ora as linhas de comboio não ligam por uma coisa minúscula e depois não quer resolver esse problema, ou as cidades crescem sem que consigamos ter controlo para onde, sendo que posteriormente vai dar um prejuízo dum raio mandar as construções abaixo porque o comboio tem de passar ali, ou para modernizarmos as infraestruturas temos de o fazer um a um, e vender os veículos mais antigos, … enfim, parece que a maioria das vezes o jogo pede múltiplas acções para fazer algo que parece extremamente simples. Além disso a interface tem alguns problemas que não facilitam a coisa, e os controlos também não são isentos das suas manias.

O que interessa tudo isto se o jogo é uma delícia de ver? Detalhe por todo o lado, tudo muito bem individualizado, com múltiplas opções de câmara. Estava longe de imaginar tanto detalhe e qualidade neste jogo. Tenho que tirar o meu chapéu à equipa.

Numa fase precoce do jogo este torna-se viciante, e dei por mim a perder-me frequentemente no modo sandbox, mas quando se começam a multiplicar as linhas, as manutenções, os bens, as pessoas, o crescimento das cidades vais suspirar por menos microgestão. O jogo é tão complexo quanto desejares, ninguém te obriga a ligar tudo a todo o lado, mas tu que és viciado nestes jogos de estratégia sabes bem que nenhuma linha pode ficar por ligar, nenhum ponto pode ficar desconectado de todo o filme. O nosso obsessivo-compulsivo a funcionar.

E a isto chegamos. O jogo é muito viciante. Divertido. Bem feito. Por um lado, falta um componente que nos dê um desafio, uma motivação para fazer mais e melhor, por outro lado é mais complexo do que o necessário. No meio de tudo isto está um gigantesco jogo de logística. Vale por mais que o simples conceito é realmente um bom jogo, graficamente impecável, que merece uma espreitadela.

  • Lançamento: 11 de Dezembro de 2019
  • Plataformas: PC
  • Desenvolvedor: Urban Games
  • Editora: Good Shepherd Entertainment
  • Nota Pessoal: 7,5/10
  • Analisado na versão para Nintendo Switch
  • Copia para análise gentilmente cedida por Good Sheperd Entertainment