2019 Dec 26 / 10:31

Análise: Tools up!

Querem juntar 4 amigos para andar à porrada num jogo co-op, mas já estão cansados de Overcooked? Tools up! é o jogo a aparecer para coçar esse desejo para algo novo, mas igual. Fazer o reskin dum bom jogo não faz imediatamente um bom jogo. Tools up! prova isso mesmo.

O trailer deste jogo pareceu-me muito divertido, e efectivamente foi-o sempre que joguei com o meu filho. Tem lá tudo. Cooperamos para um objectivo comum, neste caso remodelar divisões de casas, e nem tudo é um mar de rosas.

Raspamos, limpamos, pintamos, colocamos carpetes, enfim fazemos o que nenhum empreiteiro parece conseguir fazer. Obras rápido e bem, se bem que não sem percalços.

Inicialmente não percebemos bem o que fazer, mas a adaptação é rápida e notamos que o jogo é muito mais intuitivo do que parece, o que acontece é que os controlos são horríveis, e para além da gritaria que eu e o meu filhote fazíamos para nos coordenarmos à parva, gritávamos para os controlos porque frequentemente eram necessárias múltiplas pressões num botão, com o boneco irritantemente a abanar a cabeça, até que finalmente anuísse em realizar essa acção. Acções similares serem realizadas em botões diferentes também não ajudou. Por exemplo, se levarmos o lixo directamente para a reciclagem ou o depositássemos num balde era necessário pressionar um botão, mas se quiséssemos depositar o lixo do balde para a reciclagem já era outro. Num jogo em que o tempo é ouro, quer os péssimos controlos, quer estas hesitações são fatais.

Embora seja possível jogar este jogo sozinho, realmente foi feito para jogar com amigos, não há volta a dar. O problema incontornável é que não tem modo online. Pelo menos na minha Xbox nunca o encontrei, e muita falta faz. Faz pouco ou nenhum sentido isso acontecer numa altura em que as reuniões com os amigos, as brincadeiras das crianças, são cada vez mais online, cada vez mais com amigos virtuais. Metade do jogo passei sozinho. A diversão não se compara. Para pior.

Jogar sozinho tem outro problema, a certo ponto torna-se impossível ir superando cada um dos 30 níveis, ainda para mais a dificuldade não é homogénea, com níveis aleatoriamente mais difíceis que outros anteriores, ou porque temos que tirar materiais da água e por muito que os atiremos eles teimam em aterrar novamente na água, porque está a chover e se formam constantemente poças de água que temos que limpar, porque um cão nos derruba tudo ou porque as divisões são pequenas demais para trabalharmos os dois. Pelo meio alguns são bastante simples, e mesmo o último não parece nada difícil quando comparado com alguns dos anteriores. Mas as coisas são como são. Gostamos de ter um sentido de progressão que nos incuta a vontade de continuar, e isso aqui não acontece.

Algo que também esperava, e jogos como este prezam-se um bocado a isso, era a introdução de novas mecânicas, e embora isso vá acontecendo, o ritmo é bem inferior ao que esperava. Também não é isso que estraga a diversão ao jogo, mas usando o meu pedantismo habitual, tendo a focar as coisas que me saltam à vista.

Também me saltou à vista que me diverti imenso com o meu filho, depois o meu filho com o meu sobrinho, mas cansaram-se do jogo mais rapidamente que o habitual e voltaram ao Minecraft e Fortnite. Foi também isso que me aconteceu. Joguei o jogo, diverti-me com o jogo. Saltei para novo jogo. Esqueci este jogo. Um jogo pastilha elástica, que parece inferior ao jogo que tenta homenagear. Talvez seja melhor tentarem o original, mas com este também têm diversão garantida… pena faltar o modo online, praticamente chora desesperadamente por essa opção.

  • Lançamento: 3 de Dezembro de 2019
  • Plataformas: PC/Xbox One/Nintendo Switch/PS4
  • Desenvolvedor: The Knights of Unity
  • Editora: All in! Games
  • Nota Pessoal: 6,5/10
  • Analisado na versão para Xbox One
  • Copia para análise gentilmente cedida por All in! Games