2020 May 15 / 00:15

Análise: Streets of Rage 4

Streets of Rage 4 não fez nada para se afastar do formato clássico do jogo, mas dado que o anterior jogo da franquia foi lançado em 1994 há agora uma panóplia de gerações que nunca teve contacto com ele. Para mim foi mais Streets of Rage e isso não é de todo mau.

Joguei novamente o segundo jogo da franquia há relativamente pouco tempo e senti-me claramente em casa quando liguei esta nova entrada agora. A música a lembrar Miami Vice, os movimentos, os golpes, o agarrar de armas, a dificuldade em perceber a nossa posição relativamente ao adversário… praticamente tudo é similar a jogos anteriores.

Como sempre há a introdução de novos personagens. Mantêm-se os omnipresentes Axel e Blaze e introduzem Cherry e Floyd. Os dois primeiros parecem sempre lutadores genéricos, e como sempre as novas introduções mantêm sempre alguma dinâmica, sendo Cherry a personagem rápida e Floyd o brutamontes. Mais tarde desbloqueamos também Adam, um velho conhecido, que me parece claramente o personagem mais forte, bom em tudo o que faz, e recorri a ele para passar os níveis onde estava a ter mais dificuldade.

O estilo artístico a fazer lembrar banda desenhada ficou lindo de morrer e é uma óptima actualização aos jogos anteriores. Essa arte dá imediatamente um visual muito mais actual ao jogo.

A história é do mais banal que existe, mas até aí se mantém a tradição. Os bandidos genéricos querem genericamente dominar a cidade, desta vez controlando genericamente a mente das pessoas. Genérica o suficiente para nem sabermos que efectivamente havia uma história durante os primeiros níveis.

Há 12 níveis no total, cada um com um mini-boss pelo meio e um boss a sério no final. Não esperava nada muito diferente. O padrão telegráfico dos movimentos ajuda a superar cada novo desafio, tudo muito old school. Pelo caminho os tradicionais minions que sucessivamente nos aparecem pelo caminho, ou não fosse este jogo um bom velho beat’em up. Estes adversários vão progressivamente aumentando de dificuldade e número e, de forma geral, oferecem diversidade e desafio adequados.

O desenho dos níveis não pode nunca ser muito diverso, até porque nos limitamos a andar da esquerda para a direita, contudo há aqui uma interessante diversidade, dado que há os já tradicionais níveis de elevador onde podes ser projectado para fora da área de combate ou fazeres o mesmo aos adversários, ou níveis com buracos onde podes cair ou fazer cair os mesmos adversários. Há também um nível onde lutamos em cima dum comboio, e embora não tenha gostado especialmente dele, aceito que é diferente ter de combinar a luta com saltar por cima de obstáculos. É interessante. Foram introduzidas algumas armas e mecânicas novas com as quais podes criar “armadilhas” aos adversários, como fazer com que candelabros lhe caiam em cima, ou fazer oscilar uma bola de demolição (tradução directa do inglês, pois não sei o termo português) para acertar em toda a gente que se cruze no seu movimento pendular.

O jogo torna-se claramente mais interessante quando jogado em co-op. Dado a altura particular, em que nem o meu filhote está em casa, apenas testei o modo online, e sempre que o host não fugia o jogo era assaz interessante, com a possibilidade de fazer combos entre os jogadores que doutra forma eu não descobriria.

O grind é incentivado, mas as recompensas não são assim tão interessantes. Quase que as classifico como um saudosismo, no entanto são bem-vindas e é o pequeno acréscimo ao pequeno replay value que o jogo oferece às cerca de 4 horas do modo de história.

Quando acabas a história desbloqueias mais alguns modos, como o tradicional arcade, mas não me senti impelido a testá-los por mais tempo que o necessário para escrever aqui estas linhas. São bem-vindos, mas não a razão para que eu vou jogar o jogo.

Tenho que admitir que gostei muito do jogo, mas provavelmente porque é a cara do Game Pass, um jogo giro, divertido, curto. Aqui acresce que é dos poucos títulos capazes de me despertar algum saudosismo, mas isso conta para a malta da minha geração, não para os mais novos. Para quem vai entrar na franquia há que ter a noção que o jogo é curto, e mesmo o que vais desbloqueando com as vezes que jogas pode ser um bocado decepcionante. Não é um jogo full price, mas creio que mesmo assim fica curto. No entanto é super divertido.

  • Lançamento: 30 de Abril de 2020
  • Plataformas: PC/Xbox One/Nintendo Switch/PS4
  • Desenvolvedor: Dotemu, Guard Crush Games, Lizardcube
  • Editora: Dotemu, Yooreke Studio
  • Nota Pessoal: 7,5/10