2017 Mar 07 / 21:52

Review: NieR: Automata

Nier Automata é refrescante, imersivo e estranhamente bonito. Não sei o que o diretor do jogo andou a magicar quando veio com a premissa deste jogo, mas deve de ter sido algo que ele sonhou de noite.

É de um estranho espetacular, do tipo que nos faz pensar e questionar tudo, durante e mesmo depois de jogar. A escrita é fantástica, somos arremessados para este mundo sem muitas explicações, sem saber o porquê nem como do que está a acontecer e ficamos agarrados logo na primeira playthrough. E sim, NieR Automata tem vários fins, apesar de não estar tecnicamente correto. Não gosto muito de entrar no território do spoiler, mas quando terminares o jogo e ver os créditos, basta continuar daí pois o jogo não começa do início como seria de esperar.

A história é fantástica, a jogabilidade também. E a apresentação? Bem, olhando para a concorrência, penso que não vai ganhar muitos prémios, mas a atmosfera é louvar. O uso da palete de cores do tipo desolado e lavado com umas borrifadelas de verde usado na área da cidade contrasta perfeitamente, e se soubermos o que se passa com a história,faz todo o sentido. NieR Automata é um dos melhores jogos que joguei este ano e ainda nem passamos o quadrimestre.

O jogo decorre 8000 anos no futuro, onde a humanidade foi suplantada por uma raça de robôs hostis como espécie dominante. A última esperança da raça humana para retomar o planeta é um exército de androides de cabelo prateado com super habilidades, sobre ordens do governo lunar para limpar o Planeta Terra das máquinas. Inicialmente começamos a jogar com a personagem 2B, que mais tarde se encontra com 9S, um soldado androide com habilidades de hacker e com aspeto de uma criança de 14 anos. Primeiramente, a sua missão é simplesmente fazer reconhecimento e recados, sendo literalmente uma máquina de sidequests de todo o tipo e em grande escala. 

 

Apesar de trabalhar num gênero cuja personagem se baseia em matar tudo que se mova, existe um momento em que o jogo confronta o jogador com os valores compartilhados e o contínuo desenvolvimento pessoal, dando-nos múltiplas escolhas, incluindo assassinato planeado. Há consequências e vantagens por cada decisão feita pelo jogador e o jogo baseia-se nisso mesmo para continuar a história. Até as lutas com os inimigos mais mortíferos justificam a medida de compreensão e empatia do jogador. NieR Automata é dos poucos jogos que faz uso da dissonância ludonarrativa, algo que o jogador não pode controlar e que tem um grande impacto emocional, o que gera conflito entre a narrativa e experiência de jogo após esse acontecimento. Batman: Arkham Origins, Tomb Raider, Bioshock são exemplos de jogos que também recorrem à ludonarrativa. Taro emprega cada truque “sujo” do game-design que existe para começar os seus pontos transversais, incluindo distorções visuais na interface do jogador, tudo em favor da história acima de tudo, que nunca toma uma saída fácil. Esta história não tem medo de oferecer um contador de corpos elevado, entregando-nos a uma viagem de culpa num segmento do jogo que, no geral, é totalmente destemido em nos trazer cara-a-cara o que significa ter humanidade latente num género de jogo que frequentemente mantém um registo de apatia.

 

Há poder e glória para ser obtida ao jogar NieR Automata e talvez o maior testemunho do que foi criado é quando dessa glória envolve misericórdia, em vez de assassínio. E isso, vindo do desenvolvedor cujo maior momento antes disso envolveu uma bruxa com arremesso de armas que golpeia Deus em direção ao Sol, é demais!

Data de Lançamento: 7 de Março 2017
Plataforma: PC/PS4
Desenvolvedor: Platinum Games
Editora: Square Enix
Nota Pessoal: 8.5

João "JLCfreitas" Freitas


Técnico de Redes e Sistemas, amante de jogos de terror e fanboy da Blizzard. Achievement Hunter de noite. Speedrunner de dia.