2017 Dec 04 / 22:13

Review: The Evil Within 2

Para o terror ter efeito requer muita experiência na matéria – controlo sobre o desenvolvimento do cenário e ir construindo a tensão para haver imersão. É isso que The Evil Within 2 transmite ao jogador, permitindo a exploração ao ritmo de cada um, sem libertar a pressão necessária para sentir medo.

Não gostei muito do primeiro The Evil Within, tinha uma boa premissa que infelizmente foi mal aproveitada, juntamente com falhas técnicas em mecânicas de jogo, mau ritmo de progressão, lutas muito frustrantes e história/informação sobre as personagens mal formuladas.

O mais impressionante nesta sequela é que todos os problemas do primeiro jogo foram resolvidos, um por um, como uma lista. Tudo isto em larga escala e com muita liberdade.

Se não jogaram o primeiro jogo, não se preocupem. A sequela continua a história de Sebastian Castellanos, que não requer conhecimento do jogo anterior para entender o que se passou e o que vamos encontrar pela frente. Três anos depois da investigação do assassínio ter corrido mal, Castellanos é recrutado à força pelo grupo antagonista do primeiro jogo, Mobius, para uma nova versão de um mundo com o nome de STEM, uma realidade alternativa em que (mais uma vez) as pessoas começaram a tornar-se monstros.

Castellanos, que tinha aquela faceta mais áspera no primeiro jogo e que não é mais um feitio envolvente, pelo menos agora tem um motivo mais pessoal para se juntar ao grupo. Sua filha Lily, que acredita ter morrido num incêndio trágico em sua casa, está viva no mundo alternativo de STEM. Esta é uma adição um bocado cliché, mas bem conseguida para proporcionar ao jogador e a Castellanos um bom desenvolvimento de personagem.

Ao entrar diretamente no mundo alternativo, The Evil Within 2 abraça logo um dos poucos bons aspetos do primeiro jogo: os saltos para sítios completamente estranhos desde o início. Num momento estamos no Hospital psiquiátrico de Beacon (igual ao do primeiro jogo), segundos depois estamos numa galeria de arte de um assassino. Quando pensamos que estamos no rumo correto, o jogo tem aquele preciso momento de nos puxar o tapete da realidade que está por baixo de nós.

Castellanos dirige-se para uma pequena cidade com o nome de Union, preenchida de cidadãos controlados por Mobius, para testar e desenvolver o STEM. A Union que Sebastian entra não é em nada parecida a uma cidade americana, mas sim um sítio horrendo e sombrio, cheio de monstros grotescos com anomalias e mutações de todos os tipos.

Enquanto o enredo não é nada que surpreenda, os detalhes têm um grande destaque: localizações largas e muito mais abertas, perfeitas para explorar, recolher munição e materiais para dar uso ao aperfeiçoado Crafting System. A cidade em si foi pensada para recompensar aqueles que exploram e olham para todos os cantos possíveis do ambiente. Os jogadores são bastante encorajados a darem tempo e irem com calma.

Naturalmente, uma área maior é sinónimo de missões secundárias, essas que têm imensa história para adquirir informação sobre o que se passou e o porquê de estar a acontecer. As missões podem ser marcadas com uma frequência de rádio numa espécie de Walkie-Talkie que Castellanos leva com ele. Estas tarefas extra são uma fonte que rende imensos recursos – encontramos vários corpos de soldados de Mobius cheios de munição e bolsas para aumentar a capacidade de recursos que podemos levar – e nunca temos a certeza do que vamos encontrar na frequência de rádio escolhida. Será que vamos encontrar uma armadilha cheia de monstros? Será que vamos ter a sorte de encontrar uma garagem cheia de recursos? Foi essa incógnita que me deu a vontade de ir a todos os sítios possíveis.

Confirmo que usei praticamente todos os itens que apanhei no jogo, cada bala, cada medkit e todos os outros itens que permitem aprimorar armas e habilidades.

Quando não estamos à procura de materiais nas áreas mais abertas, o jogo puxa-nos para uma sequência mais linear e direta, em que progride a história principal. É aqui onde encontramos as partes mais fortes do jogo e também é onde existem as melhores lutas.

Quero dar um destaque às Boss Fights especificamente, porque foi das maiores falhas do jogo anterior. Em The Evil Within, as Boss Fights eram extremamente frustrantes, havia aquela incerteza se estávamos a dar algum dano ao inimigo ou qual era o melhor método para matá-lo. Na sequela, existe essa informação adicional em que o inimigo está a levar dano, mostra a nossa progressão e o que se passa no ambiente dessa sequência. The Evil Within 2 mostra claramente como lutar numa situação destas, sem tornar a luta demasiado fácil nem ter a necessidade de morrer e reiniciar vezes sem conta.

Após a ultima Boss Fight que nos leva à sequencia final de The Evil Within 2, temos um final fantástico e um excelente exemplo de como manter o ritmo noutros títulos do mesmo género: as últimas horas têm uma abordagem ideal para a conclusão – o aumento da ação, clímax e desfecho, tudo aplicado com perícia e cuidado.

Não entrando com spoilers, temos um final que me deu muita emoção. Apesar de não ter uma história particularmente boa, a procura de redenção de Castellanos continua um bocado simplória, mas corajosa.

 

Para fechar, The Evil Within 2 é um brilhante jogo de terror que representa uma das melhores e surpreendentes reviravoltas, que sabe aumentar a tensão ao jogador e levar a uma imersão incrível. Se o primeiro jogo foi uma tentativa fracassada de capturar o espírito clássico de Resident Evil 4 de Shinji Mikami, a sequela é a tentativa bem-sucedida de algo muito melhor com a sua estrutura, design, produção de aúdio, tornando uma das melhores experiências de Survival Horror clássico. A cidade de Union será um sitio a visitar regularmente, apesar de seus cidadãos serem um pouco… hostis a estrangeiros.

 

  • Lançamento: 12 Outubro 2017
  • Plataformas: PC/PS4/XboxOne
  • Desenvolvedor: Tango Gameworks
  • Editora: Bethesda Softworks
  • Nota Pessoal: 8/10

João "JLCfreitas" Freitas


Técnico de Redes e Sistemas, amante de jogos de terror e fanboy da Blizzard. Achievement Hunter de noite. Speedrunner de dia.