2018 Jan 23 / 06:00

Review - Assassin´s Creed: Origins

Esta é mais uma daquelas séries que nunca fui capaz de gostar. O que me fez reconsiderar e ficar entusiasmado com Assassin´s Creed: Origins? Simples. Toda a mudança! Nunca fui um jogador paciente então jogos de stealth não são o meu forte. O que eu gosto mesmo é de andar à batatada e sentir os personagens jogáveis ficarem mais fortes. Este título de Assassin´s Creed apresenta a possibilidade de usar este estilo de jogo, tal como permite jogar como um assassino ou um arqueiro. Existem três árvores de habilidades, uma para combate de curto alcance, outra para combate a longo alcance e assassinato e uma última mais designada a ferramentas. Está muito mais variado e eu gostei disso. Os pequenos elementos RPG que foram incluídos também me agradaram, apesar de serem de pouca variedade e a sua influência é notória mas poderia brilhar um pouco mais . No fundo o jogo foi de encontro com os meus gostos.

Surge uma questão, muito bem resolvida e de maneira simples, o que me surpreendeu.

Se o jogo é relativo a um credo de assassinos então porquê que posso ter um estilo de jogo que não o de um assassino?

Uma explicação lógica. O nosso personagem foi treinado em várias artes de matar. O personagem principal, Bayek, é um medjay, só mais tarde se torna um assassino. Um medjay é, na cultura popular egípcia, um Guerreiro de Deus – Protetor dos Homens. Ele perdeu o seu filho, morto pela sua própria mão quando foi usado como escudo por um membro de uma ordem secreta de pessoas poderosas e maléficas que não se importam quantos matam para alcançar o seu objetivo. Bayek e a sua mulher Aya, decidem então procurar e matar os membros da ordem que corrompem o Egipto.

O jogo é situado no Egipto. Está simplesmente lindo, maravilhoso. Desertos, montanhas, oásis. Está incrível. As pequenas aldeias, com os seus habitantes. As grandes cidades, com edifícios monumentais. Nota-se que as cidades são desenhadas para o jogador trepar os muros e edifícios. As casas estão de certa forma empilhadas. A vida animal, a arrogância dos soldados que passam. A cor mais esverdeada da água com plantas, ou um azul mais límpido e translucido de águas de mares e rios. Outra coisa que reparem foi o quão bem-feitas estão as expressões dos personagens. Parecem mais reais e menos mecânicas que o habitual. Pequenos pormenores que fazem um grande jogo. Dentro desses pequenos pormenores encontra-se uma quantidade de bugs acima do normal. A maioria deles são até divertidos de ver, como uma vez que vi uma gaivota a voar de baixo de água. Uns poucos, mas muito poucos mesmo, prejudicaram o meu jogo, mas foi uma coisa mínima, como em combate rebolar para dentro das palhas que dão para nos escondermos e não conseguir sair.

A banda sonora do jogo é de boa qualidade, mas nada de extraordinário. É suave, mágica e misteriosa tal como o deserto. Acompanha bem o desenrolar da ação. Mas falta algo para ser marcante.

As mecânicas, tanto de combate como de stealth são bastante intuitivas. Um pormenor que reparei que me agradou imenso foi o facto de poder montar o cavalo/camelo enquanto corro. Como é em parte um RPG nem sempre é possível assassinar os inimigos, se eles forem de u m nível mais alto e a Hidden Blade não tiver dano suficiente então a animação é diferente e demonstra que Bayek não foi capaz de assassinar, mas ainda assim dá um dano elevado.

O jogo tem partes de batalha naval. Não gostei muito. O combate não é nada de especial, reduz-se a acertar ataques de longo alcance, defender dos ataques dos navios inimigos e é tudo um bom bocado lento. Tudo o resto é divertido. Até passear sem destino pelo mapa é prazeroso.

O mapa é enorme e muito bem desenhado. Em qualquer área do mapa é possível avistar áreas vizinhas, basta estar num ponto alto do local. Nalguns locais até é possível avistar áreas mais distantes. Uma referência que quase sempre conseguimos avistar são as pirâmides de Gizé que podemos visitar, entre outros túmulos espalhados pelo mapa do jogo.

Para além da quest principal o jogo tem bastante mais conteúdo. Fortes de inimigos, lares de animais, um grupo de bosses secretos, uma arena de corridas e outras duas de gladiadores, uma quest diária, inúmeras quests secundárias, e mais. Quando olhava para o mapa do jogo lembrava-me sempre do The Withcher 3, pela mesma questão de localizações no mapa do jogo com objetivos repetidos.

Para repelir o mal do Egipto podemos contar com sete tipos de arma de curto alcance, como lanças, adagas, cetros, e quatro tipos de arco diferentes. Existem mais seis peças de equipamento fixas como a Hidden Blade que podemos evoluir. Os fatos não influenciam em nada o jogo, são apenas estéticos. Alguns items só conseguimos obter comprando na loja online da Ubisoft, dentro do jogo só através de um item que se chama Heka Chest, que é basicamente uma loot box com um item aleatório, dentro dos quais pode calhar um item apenas disponível na loja da Ubisoft. É uma pena pois nenhum desses items é algo que valha pagar dinheiro extra. Se comprasse alguma coisa comprava apenas cosméticos. Uma montada ou um fato, mas nesse caso prefiro investir num jogo novo.

Concluindo, o jogo foi uma supressa para mim. Não o imaginava tão bom e tão divertido. O combate não é muito difícil e os objetivos também não são massacrantes. Tem imenso conteúdo jogável. A história é interessante, admito que tive vontade de saber o que se tinha passado nos jogos anteriores, pois algumas partes estão ligadas então não percebi certas coisas. Foi um mundo que me diverti imenso a explorar e fiquei sempre encantado pelo quão bem feito está. Falha apenas em alguns pormenores técnicos que serão com certeza corrigidos. Não podia pedir mais, contado que é um jogo que em parte deve manter-se ligado às suas raízes.

Se daqui para a frente o gameplay continuar semelhante ao de AC:Origins,então vou com certeza jogar os próximos jogos.

Data de Lançamento: 27 de outubro de 2017

Plataforma: Playstation 4, Xbox One, Microsoft Windows

Desenvolvedor: Ubisoft

Editora: Ubisoft, Square Enix

Nota Pessoal: 9

Rafael "Gripe" Pereira


Fã de vídeo-jogos desde a infância. Prefere jogos de ação e RPG's e o seu amor pelos jogos aumenta quanto mais velho fica. Gosta de explorar o mundo dos jogos e partilhar as suas descobertas.