2017 Dec 19 / 17:00

Review: Brawlout

Analisado na Nintendo Switch

 

Brawlout intitula-se como um party fighting game acessível a todos, mas também com foco para os jogadores mais hardcore com modos competitivos e tenta tornar-se um esport – mas será que se equipara ao gigante dentro deste género?

 

O género de jogo é também classificado como um platformer fighter, ou seja, os cenários têm várias plataformas onde é possível lutar – mas o que realmente define estes jogos é a ausência de uma barra de vida das personagens. Em vez disso, eles têm um contador de dano que começa em 0% e vai aumentando consoante o dano que levamos, e quanto mais alto o número é, mais fácil é que nos atirem para fora do estádio, perdendo assim vidas, ou ganhando pontos aquele que o atirou para fora. Existem vários modos de jogo, sendo o mais comum a “stock battle”, em que cada personagem tem três vidas e o objetivo é fazem com que o(s) oponente(s) as percam ou chegar ao fim do tempo com o maior número de vidas disponíveis.

 

Sim, este jogo é um clone da fórmula da série Super Smash Bros da Nintendo que reina o género desde o seu lançamento para a Nintendo 64 em 1999, e nunca houve nenhum estúdio que tenha conseguido chegar aos calcanhares do gigante apesar das várias tentativas, mas Brawlout encontra-se muito próximo e com algumas diferenças:

 

Primeiro de tudo, é a velocidade de jogo. Em comparação com SSB, é muito mais rápido e simples, focando-se muito mais em combate agressivo do que defensivo, tendo sido removida a capacidade de defender contra golpes dos adversários.

 

Foram também removidos os grabs de todas as personagens, exceto àquelas que fazem parte do seu próprio conjunto de habilidades, mas mantém muitas das técnicas avançadas como desvios no ar, wavedashes e teching. Um dos pontos diferenciadores a nível de gameplay é a barra de “Rage”. A barra vai aumentando consoante o dano que damos e levamos, dando reset sempre que perdemos uma vida. Se tivermos metade da barra cheia, podemos usar a combinação de teclas R+L que interrompe um combo do adversário e tornando a nossa personagem invencível durante um curto período de tempo, ou então ativando uma barra completamente cheia, ela também travará qualquer combo e torna a nossa personagem mais forte, tendo mais potência em todos os knockbacks efetuados e reduzindo os que recebemos. Infelizmente, todas estas mecânicas que foram adicionadas não tornaram o jogo mais fácil, apenas dão vantagem àqueles que procuram ser competitivos. A não inclusão de itens ou transformações nos vários stages também podem tornar o jogo aborrecido a longo prazo, visto estar tudo baseado na skill do jogador e não em fatores de randomização.

 

 

Todas as personagens são baseadas em animais e têm movesets diferentes e formas de luta distintas, que expande a variedade e longevidade do jogo se quisermos conhecer todas: o sapo Paco é um wrestler com base em ataques de grappling; Sephi’ra é uma personagem mais leve e utiliza uma mistura de artes marciais com ataques de areia; Olaf Tyson é um pugilista com um ataque que congela os inimigos durante alguns segundos. De momento o jogo tem 8 personagens únicas e é aqui que se torna verdadeiramente interessante: existem de momento duas personagens convidadas de outros jogos que participam em Brawlout: Juan da série Guacamelee e Drifter de Hyper Light Drifter. Sabemos pelo desenvolvedor que existem mais personagens a ser criadas que vão ser lançadas nos próximos meses e cruzamos os dedos para que sejam mais personagens de jogos indie, tendo em conta que são mais facilmente reconhecíveis pelo público-geral. Também está implementado um sistema de Mastery para cada personagem que funciona como o nível dela. Ganha-se experiência combatendo com essa personagem e quando passa de nível recebemos rewards: vários tipos de currency e piñatas. Existem também variações das personagens originais que mudam radicalmente o seu design e efeitos de habilidades. Neste momento existem 10. Elas não estão logo desbloqueadas de início e podem ser desbloqueadas de várias formas pelo sistema de currency que passo agora a explicar de forma sucinta:

 

 

Existem três tipos de currency no jogo: gems, gold e shards. Podem ser adquiridas por simplesmente jogando o jogo, ou por completando daily quests, ou simplesmente por ligar o jogo pelo menos uma vez por dia. Shards servem simplesmente para desbloquear as variações de personagens, embora não possamos escolher qual, e cada personagem necessita entre 50 a 200 shards para a desbloquear. Depois existem três tipos de piñatas que permitem desbloquear itens de costumização: Dois tipos que podemos trocar por gold e desbloqueiam variações de skins e outros equipáveis e as Brawler Piñata que são trocadas por gems e que desbloqueiam uma das 10 variações de personagens. Nenhuma dos itens que recebemos das piñatas será duplicado. Devido a estas piñatas se parecerem bastante com o conceito de lootboxes que está presente em vários jogos de hoje em dia, contactámos os desenvolvedores para saber se elas eventualmente poderão a vir ser compradas com dinheiro real e a resposta que recebemos é que de momento não existe planos para tal.


 

A nível de modos de jogo, existem várias formas de jogar:

 

- Um contra um ou 4 amigos todos contra todos ou equipas no formato online;

 

- Multiplayer local até 4 jogadores em consolas diferentes;

 

- Quick play para jogos locais na mesma consola ou contra oponentes CPU;

 

- Single Player com practice mode, tutorial, quick match contra CPU e Arcade Mode.

 

O jogo realmente brilha quando juntamos várias pessoas para jogar à volta da mesma consola, criando um ambiente divertido devido à simplicidade do jogo. O modo arcade funciona com um sistema de ladder, isto é, combate atrás de combate até chegar até ao topo onde somos recompensados com várias formas de currency. Ele tem três níveis de dificuldade, onde no fácil jogamos sempre contra um CPU, enquanto no médio e máximo lutamos contra 2 e 3 oponentes respetivamente. Infelizmente aqui o jogo peca devido à sua dificuldade, devido ao CPU ter um tempo de reação extremamente baixo, que castiga severamente o jogador. Durante o meu tempo de jogo nunca consegui passar para a metade de cima da escada do modo intermédio, mesmo com várias personagens.

 

Infelizmente é no modo online que o jogo peca. Não existe de momento nenhum sistema de ranking e os combates não têm servidores dedicados. Para piorar ainda a situação, não é possível escolher a região com quem lutar: houve combates onde fui colocado contra oponentes em que nenhum de nós conseguia fazer sequer um ataque. Também não existe nenhum party mode online com randoms. Esperemos que estas situações sejam resolvidas em breve.

 

 

A nível de performance, o jogo corre a 60 FPS em modo docked e portátil, tornando a experiência extremamente suave que é necessário em qualquer jogo de luta. Infelizmente notámos pequenos freezes de meio segundo quando jogámos contra o CPU – mas é um problema que já está a ser resolvido pelos desenvolvedores que prometem lançar um patch muito em breve para o resolver. Também confirmado está o modo de guardar clips do jogo em breve.

 

Brawlout não é um jogo perfeito, mas é um bom jogo para um género com muita procura e pouca oferta, e é um jogo para aqueles que querem um novo jogo para jogar em multiplayer local, assim como aqueles que procuram um jogo mais competitivo na consola. Enquanto não tivermos um Super Smash Bros na Nintendo Switch, Brawlout será o rei da Switch dos party-fighting games.

 

  • Lançamento: 19 Dezembro 2017
  • Plataformas: PC, Nintendo Switch, PS4 e Xbox One em breve
  • Desenvolvedor: Angry Mob Games
  • Editora: Angry Mob Games
  • Nota Pessoal: 7/10

Agradecemos ao estúdio Angry Mob Games por nos ter enviado uma chave para analisarmos o jogo.

 

Luís "Homie" Pereira


Dev, game historian and officially a geek.