2017 Dec 28 / 12:23

Review: DOOM

Análise feita na versão para PC.

 

Quando pouco depois do primeiro minuto do jogo o narrador me começa a contar uma história pensei que DOOM estava irremediávelmente perdido, mas eis que o Doom Guy ignora o narrador e volta ao seu trabalho... matar demónios! Preparem-se que isto é o DOOM!

Estive sempre na dúvida se devia jogar este jogo, já que o jogo anterior da série não tinha sido bom e não queria estragar ainda mais a imagem que tinha da minha infância. Grande erro, DOOM regressou em grande forma, com a Bethesda a conseguir criar uma mecânica simples de jogo, que é fácil de perceber, mas difícil de conciliar com as dezenas de demónios que constantemente temos de matar ao mesmo tempo. Amigos, se não são capazes de se desviar e disparar ao mesmo tempo vão passar um mau bocado já que é isto o pilar de todo o jogo. Parece simples, não?

DOOM é um First Person Shooter com muitos elementos de jogo de plataformas que decorre muito no futuro. Os humanos já colonizaram Marte e aprenderam a controlar a energia do Inferno usando-a agora para abastecer a Terra. Obviamente algo correu mal, mas se tudo corresse bem para que servia o Doom Guy?

Deixou-me muito satisfeito a história ser praticamente ignorada pelo herói, no entanto ela está lá e é interessante. Com o desenrolar do jogo admito que comecei também a ficar interessado em saber mais, e dava por mim a procurar os mais diversos itens que depois me davam acesso a mais informação no menu de pausa. A isto chamo conciliar ambos os mundos, quem quer saber mais tem acesso a informação, quem não quer saber só tem de ignorar estes itens, o que até torna o jogo mais rápido.

Graficamente não é o melhor jogo do mercado, mas o ambiente está muito bem conseguido. A desolação em Marte, a destruição do interior das instalações e claro, a quantidade infindável de corpos e sangue. A parte que gostei menos acabou por ser o Inferno, que devido à componente de plataformas do jogo não pareceu tão bem conseguido, mas acreditem que só reparei nisso porque já estou formatado para ir avaliando conforme jogo, ou nem notava.

Joguei maioritariamente no modo campanha, que me levou cerca de 10 horas a concluir. A maioria dessas horas foram a desviar-me de demónios ou projécteis e a disparar contra essa bicharada. Isto não é feito em ritmo de passeio, é feito sem parar e a velocidade alucinante. Isso misturado com música heavy metal levou-me a adrenalina a níveis bem altos. O jogo é justo na sua dificuldade, pois vai-nos apresentando nosvos desafios à mesma velocidade que nos oferece meios para os ultrapassar. Os demónios vão sendo progressivamente mais fortes, mas também as armas, que ainda por cima podemos evoluir. Quase todas são úteis, mas muito cedo abandonamos as armas iniciais, que não cumprem nenhuma função a partir duma fase muito precoce do jogo.

A dificuldade do jogo vem essencialmente do número de adversários e não da sua inteligência. Esses mesmos números são o que nos dificulta e facilita a vida. Confuso? Bem, não se perceberem que duas das componentes mais recompensantes deste jogo são as que nos dão vida, armadura e munições. As glory kills, uma sequência de animação em que o Doom Guy mata um demónio de forma violenta dá-nos um extra de vida e, mais tarde, armadura, e quando se nos está a acabar a munição só temos que pegar na motosserra e literalmente serrar um demónio ao meio para sermos inundados de munição. Esta componente torna o jogo menos táctico e mais linear, pois nunca tive de fazer gestão de vida ou munição, mas admito que o tornou mais divertido para mim.

Pode parecer que isto torna o jogo algo repetitivo e é verdade. Senti isso durante uma missão, mas rapidamente percebi que o fim se estava a aproximar, ao mesmo tempo que as lutas contra bosses aumentavam. Isso introduziu algo de novo no jogo e voltou a elevar o meu entusiasmo.

O modo campanha tem algum replay value? Creio que não se considerarmos a campanha completa. O jogo está carregado de segredos e itens para descobrir, mas provavelmente a melhor maneira de o fazer é jogar cada missão em separado.

Há também um modo Multiplayer. Joguei-o algumas horas, mas nunca me entusiasmou muito. É um arena shooter convencional, com habituais modos de controlo de área ou team deathmatch. O melhor do modo online é a possibilidade que temos de jogar como demónios, mas é este elemento extra que é ao mesmo tempo um ponto positivo e negativo do modo, pois a cada spawn dum demónio é criado um desequilibrio no jogo. Diverti-me umas horas, mas não o suficiente para continuar a lá ir propositadamente para isso.

Sendo assim DOOM é um excelente first person shooter à moda antiga. Gostei muito da forma como conciliaram o que é mais moderno com o que é mais antigo. Violência, sangue e muito demónio desfeito até ao boss final. Muita velocidade e adrenalina no jogo que mais gostei de jogar este ano, mesmo sendo do ano passado.

  • Lançamento: 13 de Maio de 2016
  • Plataformas: PC/PS4/XBoxOne/Switch
  • Desenvolvedor: id Software
  • Editora: Bethesda Softworks
  • Nota Pessoal: 8/10