2018 Apr 08 / 11:00

Fallout 4

  • Análise à versão de PS4

Já por inúmeras vezes os videojogos nos colocaram em mundos pré ou pós-apocalípticos, mas poucos são aqueles que nos colocam em pleno apocalipse. Fallout 4 é um desses poucos. Este não é um daqueles típicos apocalipses zombie, alienígena ou natural, é um apocalipse nuclear provocado por humanos.

Desenvolvido pela Bethesda Game Studios, conseguimos facilmente encontrar uma partilha de conteúdos e mecânicas entre Fallout e Elder Scrolls, o peso em itens que podemos transportar e como o peso extra nos afeta, a mecânica de stealth, entre outros. Na minha opinião a grande diferença entre ambos os jogos seria que Elder Scrolls situa-se num mundo que irradia magia e Fallout num mundo pós Armageddon, no seu sentido genérico.

Visualmente, o jogo está bem conseguido. Ao primeiro contacto com o mundo, percebemos que está completamente destruído, réstias de um bombardeamento nuclear, muito pouco permaneceu intacto e os destroços estão bem representados. Fui alertado para o facto de que as faces dos modelos masculinos, onde se nota maçãs do rosto e covas nos olhos, estão sem dúvida bem mais esculpidas que as faces dos modelos femininos, onde algumas partes da face aparentam ser quase lisas.

À parte do menu de inicio de jogo, quando ficamos imóveis durante demasiado tempo, e de uma pequena faixa que toca ao completar uma quest, mal reparei na existência de uma banda sonora. No Pip-Boy, um dispositivo multifunções que cada vault dweller possui, existe uma opção de sintonizar uma pequena quantidade de canais de rádio, onde conseguimos ouvir algumas músicas que se assemelham à música americana dos anos 50. Este reviver dos anos 50 pode encontrar-se em vários pontos do jogo, quer seja no formato físico dos carros, televisões, rádios, mobilia, e muitos mais. Como a existência de banda sonora é muito limitada, quase que opcional, o silêncio desempenha um grande papel, cria muita tensão e nas áreas mais vastas onde mal encontramos inimigos ou aliados. Senti muitas vezes um sentimento estranho de solidão.

Um pormenor que me fez confusão e de certeza faz a todos, é uma má fluidez de frames. A versão de Fallout 4 na PS4 não é a melhor, um pouco fraca na verdade, por vezes baixa tanto que se torna impossível de jogar por uns momentos.

A história não se prolonga muito. Começa interessante, pelo meio quase que se torna secundária, para mais tarde se um tanto ou quanto que surpreendente. À parte a historia, o jogo é rico em conteúdo, quests secundárias, pedidos de socorro, vários pontos de interesse e um vasto mundo por explorar.

Ao longo do jogo, vários personagens vão interagir com o jogador. Os diálogos dão-nos sempre a opção de escolha entre quatro respostas, algo que já vimos em títulos anteriores de Fallout, e também em The Witcher 3, mas algumas destas opções têm consequências que podem afetar bem mais do que só a ação que se está a desenrolar, podendo até bloquear quests ou alianças com personagens. Por falar em alianças, o jogador pode escolher de entre personagens disponíveis, um para o acompanhar que pode ser alterado, ou pode escolher aventurar-se sozinho.

Desgostei da maneira como se navega no menu. Raramente conseguia chegar onde queria à primeira tentativa, enganava-me quase sempre. Outro pormenor, sem dúvida complicado inicialmente, é a maneira como se desbloqueia perks, um ponto mal colocado e o jogador pode ficar com uma desvantagem e ficar para trás dependendo do estilo de jogo que planeou fazer, visto não haver maneira de recolocar os pontos.

Achei interessante o facto de usarem radiação como um factor que influencía a jogabilidade, apesar de ter um efeito muito chato. É um debuff que reduz o limite de pontos de vida do jogador. Outro fator muito interessante é a adição a drogas, que são itens de utilidade com o nome de chems, pode limpar a radiação ou fazer o tempo ficar mais lento, que quando em uso excessivo causam adição que obriga o jogador a tomar essa droga ou então sofre um debuff.

Para nos ajudar, existe um fato mecânico chamado Power Armor, é mais do que uma ferramenta útil, é o receptáculo de um pormenor muito bem conseguido. Para começar é uma armadura fechada, no lugar dos olhos tem um visor transparente, no qual se vê as gotas quando chove, depois a armadura é extremamente pesada, e isso nota-se quer seja na câmara, no som, ou na vibração do comando quando o jogador se move.

Como disse antes, este jogo em muito se assemelha a Elder Scrolls, um dos detalhes de maior coincidência ou talvez mesmo reciclagem de uma mecânica já desenvoldida, é a maneira como o jogador obtém armas melhores. É possível comprar, saquear, mas também melhorar as armas que já possuímos, caso tenhamos os materiais e perks necessários.

É uma experiência interessante, por vezes um pouco saturante devido à falta de variação do ambiente do jogo. Como não é possível assistir a tudo com um só gameplay o factor replay está explicito, diria que será necessário jogar o jogo pelo menos quatro vezes para assistir a tudo.

 

  • Lançamento: 10 Novembro 2015
  • Plataformas: PC/PS4/ Xbox One
  • Desenvolvedor: Bethesda Game Studios/ Escalation Studios
  • Editora: Bethesda Sofworks
  • Nota Pessoal: 7/10

Rafael "Gripe" Pereira


Fã de vídeo-jogos desde a infância. Prefere jogos de ação e RPG's e o seu amor pelos jogos aumenta quanto mais velho fica. Gosta de explorar o mundo dos jogos e partilhar as suas descobertas.