2018 Apr 10 / 20:00

Owlboy - Review

Owlboy é hoje lançado para XBox e PS4, o que me fez ir remexer na minha livraria de jogos a ver se por lá o encontrava. Encontrei e passei 10 horas encantado com o jogo. Simplesmente delicioso.

Creio que a introdução diz tudo, mas suspeito que estão à espera de ler mais umas linhas. Owlboy esteve em desenvolvimento durante quase 10 anos e por pouco passava despercebido quando foi lançado para PC. É um jogo de plataformas em que resolvemos alguns puzzles relativamente fáceis para irmos avançando na história. Otus, o nosso personagem principal, vê a sua terra atacada por piratas e vai criando um grupo de amigos constituído por personagens outrora desvalorizados pelos seus pares, para tentar salvar o seu mundo. Há que dizer que é uma história muito bem contada, com personagens bem caracterizadas, cada uma com a sua história mais ou menos bem detalhada ao ponto de nos preocuparmos com todos eles e mesmo alguns dos personagens secundários ou vilões são extremamente bem representados. É uma história linear, com um pequeno twist no final, mas muito bem incluído e explicado. O meu único problema com a história, e sem querer dar grande spoiler, é a batalha final. Para além disso alguns dos diálogos tornam-se algo extensos, embora eu creia que pouco ou nada poderia ser excluído do produto final.

Graficamente o jogo foi uma surpresa. Esperava uma representação ao estilo de Shovel Knight (por exemplo) mas a forma como usaram os pixeis neste jogo, aliando-os a gráficos de alta resolução, imensos detalhes nos movimentos, expressões e construção de mundos e cenários vai muito além dos jogos que tentam entrar na categoria de jogos retro. Por exemplo o Otus não fala mas o detalhe das expressões faciais e corporais são mais que suficientes para perceber todas as suas emoções e conseguimos mesmo imaginar todo um diálogo só com isso. A semana passada falei da atenção ao detalhe prestada em Sea of Thieves e este jogo é mais um excelente exemplo de como construir um mundo e como usar a arte para fazer algo bem feito.

A banda sonora do jogo não decepciona e consegue acompanhar o tom de cada cena de forma exemplar. Quando estamos a explorar tranquilamente a música é calma e relaxante, enquanto estamos numa secção de luta ou que exige movimentos rápidos a música torna-se mais intensa e dinâmica. Gostei dos sons dos movimentos e acções dos personagens e até dos sons das caixas de diálogo, e embora aqui nada seja extraordinário é sem dúvida um trabalho competente.

Como se joga isto? Tentei jogá-lo como um twin stick shooter, mas a certo ponto cansei-me pois é muito mais fácil simplesmente usar o teclado e rato. Não havia nada de essencialmente errado com a configuração de acções do comando, mas quando o jogo atingia um pico de dificuldade, eu não tinha destreza suficiente para ultrapassar um boss ou secção mais exigente, como tal optei pela solução mais fácil... mudar o controlador.

Neste jogo controlamos Otus que de forma isolada faz muito pouco. Voa, rodopia e gira sobre si como se estivesse a fazer uma sucessão de cambalhotas. O segredo e charme do jogo é o facto de podermos pegar em qualquer um dos nossos três amigos e aproveitar as suas diferentes habilidades para progredirmos nos níveis ou a áreas a que não teríamos acesso sem eles.

Embora a quantidade de inimigos não seja grande, raramente o combate parece repetitivo pois a forma como eles nos aparecem leva a que usêmos diferentes técnicas para os ultrapassarmos em cada um desses momentos.

Os puzzles são relativamente simples e a maior parte das vezes óbvios, o que leva a que tenha ficado com a sensação que as batalhas com os boss têm um pico de dificuldade assinalável e necessitei de inúmeras tentativas para ultrapassar a maioria deles. O facto dos controlos serem algo confusos, o que me fazia enganar múltiplas vezes também não ajudava. Nas secções em que temos tempo para pensar não havia grande problema para além do aborrecimento frequente de pegarmos no amigo ao invés de pegarmos num item ou escolhermos o personagem errado, mas durante sequencias rápidas um engano estraga tudo e nesses momentos isso torna-se frequente.

Há imensos coleccionáveis e áreas escondidas que recompensam quer a exploração, quer a repetição de algumas das áreas quando ganhamos acesso a novos personagens. Derrotar inimigos de determinada forma também dá acesso a novos itens.

E de forma resumida o jogo é isto. Um adorável mundo com personagens com quem conseguimos facilmente criar uma relação. Graficamente conseguiu impressionar-me pela forma como incluiram tanto detalhe num estilo artístico como o deste jogo. Uma história muito envolvente. Um jogo e também uma experiência que recomendo vivamente. Agora disponível em todas as plataformas, se tiveres a oportunidade não descartes este jogo.

 

  • Lançamento: 1 de Novembro de 2016
  • Plataformas: PC/Switch/Xbox/PS4
  • Desenvolvedor: D-Pad Studio
  • Editora: D-Pad Studio
  • Nota Pessoal: 8.5/10
  • Análise baseada na versão do jogo para PC