2018 May 02 / 10:30

God of War Review

Logo com o primeiro jogo que God of War se tornou grandioso, este último assim se mantem. Certamente existe memória da raiva e sede de vingança que existiu em Kratos e o fez destruir o Ólimpo, matando brutalmente os deuses que lá habitavam. Após este feito, Kratos atira-se do monte. Morreu, pensei para mim, e com certeza que muitos pensaram isso. Este novo jogo prova o contrário, Kratos está vivo, e este novo jogo, apesar de não se chamar God of War 4, é uma continuação da história já existente. Já pelos trailers dava para perceber que havia uma parte da história que faltava, a história entre histórias, afinal de contas Kratos agora tem barba, rugas, um filho, e está no norte da Europa. A mitologia abordada já não é a grega, mas sim a nórdica, independentemente do local há algo que não muda em God of War, os deuses não são de confiança.

Não foi apenas a o local onde decorre a história que mudou, o gameplay também. A câmera que antes era fixa, e o ângulo onde se fixava que não era decisão do jogador, está agora colocada sobre o ombro direito de Kratos, é controlada pelo jogador e intensifica, através do seu movimento quer seja a afastar-se ou a tremer, momentos de maior ação. A nova arma, a belíssima nova arma de Kratos, o machado Leviathan e a mecânica que trás atrelada de o atirar, e com um simples movimento de mão fazer com que volte, são para mim uma mudança espetacular e extremamente divertida, já para não dizer que conseguimos congelar os inimigos e pregar-lhes rasteiras com esta nova mecânica. O seu filho, Atreus, que não só é um personagem importantíssimo na história dividindo o protagonismo com Kratos, é também uma nova mecânica de combate. O progresso deixa de ser linear, agora existe espaço para exploração e conteúdo opcional, apesar de não ser conteúdo exagerado, faz todo o sentido que exista, e o próprio Atreus sugere a exploração várias vezes ao longo do jogo, visto que este novo título conta com uns poucos elementos RPG, o que transforma também o combate, torna-se mais estratégico apesar de as habilidades do jogador continuarem a ter um grande peso. Para terminar com as grandes novidades, o salto, uma vez mais, está condicionado, podemos saltar apenas em locais entre plataformas com marcas a amarelo, sim porque marcas amarelas significa que dá para interagir, saltar, escalar, tal como em Horizon Zero Dawn.

Juntamente com tanta mudança vem sempre uma questão. Será que ainda se pode considerar um novo jogo, apesar de diferente, ainda um “irmão” dos jogos anteriores? Um medo comum, pois nalguns casos quando há estas mudanças radicais os fãs não ficam satisfeitos, como por exemplo no caso do Final Fantasy XV. Não é o caso. Podemos dizer sim que é sem dúvida um God of War. Continuamos a ter violência gratuita, apesar de ver mais vezes Kratos a partir pescoços do que a arrancar cabeças ou uma execução mais brutal, se for um animal então, não existe qualquer tipo de brutalidade típica de um God of War. As lutas contra os bosses continuam imersivas e brutais, e nalguns casos com cinemáticos interativos.

A parte artística é algo que nunca desaponta em God of War. Os gráficos são espetaculares, do melhor que há, topo na categoria de gráficos realistas, isto tendo em conta as possibilidades da PS4. A água, montanhas, árvores, personagens, cores, tudo espetacular. A existência da ideia do enorme, do monumental nas construções e alguns personagens, que está presente em todos os God of War, está ainda mais brilhante, graças à nova câmera, podemos agora entender o quão colossais são estas estruturas e seres, tendo em conta que alguns destes seres chegam a fazer parte da paisagem. A música sempre épica, grandiosa, gloriosa mesmo ao mudar os instrumentos, mesmo ao mudar da temática grega para a nórdica, cria sempre um ambiente incrível, apropriado ao momento. A grande mudança que eu senti na banda sonora é que agora é mais misteriosa, mais mágica, mais ligada à natureza e não à tragédia e conquistas humanas, mas sempre gloriosa, sempre a deixar um arrepio na espinha.

A história é extremamente imersiva e emocionante. Se antigamente Kratos era movido pelo sentimento de vingança e raiva, então agora é movido por um sentimento paternal, pela imensa responsabilidade que é criar um filho, algo que ele próprio não sabe e está a descobrir. Uma coisa é certa, a razão porque assistimos, já desde os trailers, Kratos a controlar-se, é porque não quer que Atreus cresça para se tornar no que ele antes fora, quer lhe passar valores de um guerreiro inteligente, astuto e não de uma besta enraivecida e descontrolada, e isso é lindo, ver como tanto Kratos e Atreus mudam conforme a sua relação se vai tornando mais profunda depois de ultrapassarem dúvidas e medos, depois de erros cometidos e dificuldades superadas. Durante esta jornada, Kratos e Atreus vão conhecendo outros personagens, e acabam a travar uma possível amizade, Kratos já não está sozinho, para além de Atreus tem mais com quem realmente contar, não apenas alguém com quem partilha um objetivo, mas sim alguém com quem partilha uma emoção e está disposto a ajudar, para melhorar tudo estas novas relações trazem também elementos de comédia, umas poucas piadas, não podem todos ser tão rabugentos e carrancudos como Kratos.

Achei extremamente interessante o fato de dois personagens que estão praticamente sempre presentes sem o estarem, por isto refiro-me a personagens com os quais nunca os cruzamos, mas o peso e importância que eles têm na história do jogo é tão grande que estão constantemente a ser mencionados.

Um novo mundo, uma nova história um novo sentimento. Este novo jogo pode ser resumido a estes três tópicos, são eles que criam a novidade em God of War, porque verdade seja dita a novidade existe apenas dentro desta série e não no gaming em si, um ótimo jogo sim com uma ótima história sim, mas já vimos imensos jogos que se jogam da mesma maneira, não serão é tão profundos e marcantes a nível sentimental.

Uma experiência maravilhosa que vem retornar God of War aos tempos mais modernos do gaming e marcar uma posição como possivelmente um dos melhores exclusivos da PS4.

  • Lançamento: 20 de Abril, 2018
  • Plataformas: PS4
  • Desenvolvedor: Ready at Dawn, Javaground, Daybreak Game Company, SIE Santa Monica Studio
  • Editora: Sony Interactive Entertainment, Capcom, Sony Pictures Entertainment
  • Nota Pessoal: 9.5/10

 

Rafael "Gripe" Pereira


Fã de vídeo-jogos desde a infância. Prefere jogos de ação e RPG's e o seu amor pelos jogos aumenta quanto mais velho fica. Gosta de explorar o mundo dos jogos e partilhar as suas descobertas.