2018 Jul 20 / 17:30

Overwatch e o sucesso

As origens

Quase tem piada o facto de que, o Overwatch, que muitos consideram ser um refreshner para o cenário do gaming e para os desenvolvedores da Blizzard, nem se quer começou com o Overwatch. Começou na verdade com o projeto Titan, um projeto agora cancelado pela Blizzard, desenvolvedora,  que esteve cerca de 6 anos em desenvolvimento até a equipa desistir do mesmo.

Muitos dos membros que trabalhavam no Titan foram movidos para trabalhar noutros jogos e áreas dentro da organização, enquanto que uma pequena equipa de 40 membros, lideradas pelo icónico Jeff Kaplan recebeu a tarefa de criar um novo concepto em alguns meses, foi aqui que nasceu o Overwatch e o primeiro IP novo da Blizzard em anos.

A história

Muitos assets foram aproveitados do Titan e a equipa objetivou o lore do jogo. Envisionaram o futuro e viram  robôs com inteligência artificial auto-consciente e que aprende sozinha. Estes eram usados para melhorar o mercado mundial e faziam-no bem, o desenvolvimento da tecnologia corria bem. Eram inclusivé tratados como pessoas e começavam a ganhar os seus direitos. Mas, por alguma razão, tudo parou. E como resultado de tudo abrandar, a Omnica, criadora das fábricas Omnium dos omnics, parou as suas operações e desligou os seus omnics. Os robôs não gostaram e, aproveitando o seu desenvolvimento ligaram-se sozinhos e viraram-se na humanidade. Começava a Omnic Crisis.

As Nações Unidas rapidamente formaram a Overwatch, uma força de ataque dos melhores mercenários e dos melhores pensadores, com o objetivo de acabar com esta Crise, atacando sítios muito específicos da força ómnica. A criação desta força e estas missões foram o último prego no caixão da Crise, e a paz com as restantes peças de tecnologia ainda ambulantes foi restaurada.

Mas a Overwatch ainda era precisa, principalmente para manter a paz, e assim o fizeram durante décadas. Foi então criada a Blackwatch, divisão de operações secretas. A Overwatch era liderada por um soldado chamado Jack Morrison, enquanto que a divisão 'secreta' (tão secreta como os Serviços Secretos) tinha Gabriel Reyes à sua frente. Contrastes nas opiniões dos capitães já existia, e com esta separação só pioraram.

Este conflito eventualmente levou a várias mentiras, escândalos, lutas internas e outras coisas que fizeram o público geral tomar ação e mostrar-se completamente contra a Overwatch, daí em diante. A ONU começou a investigar, espantada por esta revolta. A luta entre os dois tinha aumentado tanto ao longo dos anos que ocorreu uma explosão na sede da Overwatch na Suíça, supostamente matando tanto o Jack como o Gabriel.

Aí foi estabelecido o Pectras Act, banindo qualquer atividade sequer relacionada com a Overwatch, o que se provou pior do que melhor. O jogo localiza-se, a nível temporal, vários anos depois deste ato, mas sem a corporação que era a Overwatch empresas como a Talon surgiram e causaram perigo em todo o mundo. Na Talon existe um ser em específico, descrito como um nevoeiro preto que, ao mesmo tempo, está ali e não está. Começou a surgir como um agente de destaque na organização.

Morrison, agora Soldier: 76 continua a atuar pelo país fora contra várias entidades diferentes, mas é várias vezes interrompido por Reaper, que sabe a verdadeira identidade do Soldier: 76, apesar da de Reaper ainda ser desconhecida. O uso de uma máscara, para além de esconder a sua identidade, deve-se ao facto de que Reyes ficou como ficou devido a experiências da Doutora Moira O'Deorain, em que as suas células agoram morrem e regeneram-se a uma ritmo hiper-acelerado, desfigurando-o quase até ser irreconhecível. Não demasiado, porém, porque num dos cómicos Ana arranca a sua máscara e descobre quem é.

Isto é só uma pequena vertente da vasta história do Overwatch, em que cada personagem tem o seu próprio background. Optei por destacar esta parte por ambas figuras fazerem parte da imagem principal do jogo e de serem os comandantes, as 'caras', da organização.


Morrison a acalmar o público anti-Overwatch antes da explosão na Suíça

O que o faz tão bom

Quem está a ler isto é mais que provável conhecerem Overwatch, mesmo não jogando. E eu, ao longo deste artigo, vou assumir que sim. Mas... como é que este novo IP da Blizzard Entertainment explodiu assim? É uma pergunta mais fácil de responder do que parece, até.

É um FPS inovador

Durante anos jogos como o Counter-Strike, Call of Duty, Battlefield (baseados em exércitos e guerras comuns, etc...) eram as únicas escolhas no mercado. E manteve-se assim desde os primórdios do CS até à saida do Destiny, em 2014. Mas o Destiny aqui não pode ser 100% contabilizado, visto que a primeira edição não estava disponível para PC.

Durante anos o cenário de gaming estava paralisado a olhar para dois lados da mesma moeda, até que a Blizzard pisou o palco da BlizzCon (bem...) em 2014 e revelou que o Overwatch estava agora num estado completamente jogável. Esteve depois em closed beta durante alguns meses até saír oficialmente.

Para a Blizzard, estão longe os dias de usar uma simples arma baseada na vida real e correr até estar tudo morto. Desde um canhão Tesla a pó que magoa ou cura os teus inimigos e amigos, respetivamente, tudo existe no Overwatch. Não estás só a matar, estás a arranjar forma de interromper a linha de defesa dos teus inimigos ou matar aquele turret do Torbjörn ou aquele Bastion/Reinhardt combo que não te deixam passar para o ponto. A versatilidade que o jogo oferece, misturado com a fantasia dos diferentes Heróis faz com que o Overwatch seja um jogo sem paralelo.

Atualizações são frequentes

Ninguém gosta de um jogo com bugs sem fim, sem arranjo, enxovalhados para o canto como se fosse mais um. Este foi um dos problemas com o Paragon, o MOBA F2P desenvolvido pela Epic Games. À medida que o Fortnite cresceu em popularidade, o Paragon foi perdendo quase toda a atenção dos desenvolvedores, até que houve uma explosão de apelo por apoio da comunidade, que ultimamente não ajudou. Os servidores do jogo foram fechados no dia 26 de abril deste ano.

De volta ao que interessa - a interação com a comunidade é incomparável a outros jogos, e o diretor Jeff Kaplan assegura-se disso pessoalmente. Está constantemente a falar com a comunidade, a receber feeback e a dar pequenas dicas sobre o futuro próximo, updates sobre o que é que os jogadores podem esperar, entre outros. 

A Blizzard é quem desenvolve o jogo

Overwatch tem pouca relação a nível de development comparado aos seus irmãos - World of Warcraft, StarCraft e Diablo -, mas isso não o impede de ser um sucesso. O fator quase obrigatório de teamwork e jogo de estratégia estão, obviamente implementados (o jogo é um objective-based FPS, na verdade...), mas o seu fator-chave foi terem vindo da Blizzard, e todos sabemos a pontaria da Blizzard no que toca a gosto dos fãs.

Ao contrário do comum, este jogo não tem uma carreira single-player mas a Blizzard é tão boa que nem quer saber disso e desenvolveu um dos lores mais profundos de sempre, a perder se calhar só para jogos como os da Bethesda, que têm uma backstory que dura muito tempo, literalmente milénios para o Skyrim. Contudo, a ligação entre isto e o jogo em si é pequena, visto que podemos ter inimigos do lore, como qualquer personagem da Overwatch com qualquer personagem da Talon, na mesma equipa. Para o primeiro shooter da Blizzard, podemos dizer que se safaram muito bem.


end note

Diogo "Eutalyx" Santos


Puto prodígio dos esports. 15 anos e é explorado no newswriting há 1. Metaleiro non-stop e culpa o irmão por tudo isto.