2018 Oct 21 / 10:30

Review: Vampyr

Um jogo com uma história incrível, capaz de tocar e amassar alguns sentimentos como nenhum outro. Situa-se em Londres, no ano de 1918, uma doença espalha-se pelos distritos da cidade, a catástrofe é iminente. Encarnamos John Reid um médico extremamente conhecido pelas suas capacidades com transfusões de sangue, recentemente convertido num vampiro contra a sua vontade. Confuso e cegado pelos atributos e necessidades da sua nova condição física procura pelo seu criador para obter respostas enquanto que cumpre o seu dever como médico e tentar travar a praga.

O gameplay tem tanto de bom como de mau. O combate é básico. Gestão de stamina para acções básicas, blood points para habilidades, os inimigos também têm uma barra de stamina mas que desce com ataques de certas armas apenas e quando esgotada abre uma chance para o jogador morder o inimigo, não tem um botão para bloquear pelo que simplesmente temos de desviar dos ataques. Nada de novo e nenhum destes aspetos executado de uma maneira que faça com que seja realmente prazeroso lutar.

Usa um sistema de RPG muito simples e superficial no que toca a stats, diria que desnecessário. As habilidades que desbloqueamos ou as armas que escolhemos usar têm peso, mas pouco, apenas na questão de explorar fraquezas. O combate é maioritariamente conduzido pela diferença de nível entre o jogador e os inimigos. Mas porque um RPG não é definido apenas pelas batalhas e como elas são geridas, mas também pelo mundo em que o jogo se insere e a maneira como o jogador se envolve e transforma o mundo ao seu redor com as suas decisões, acabei a considerar o sistema usado no Vampyr como algo excecional e maravilhoso, brinca com valores morais opondo-os à necessidade. A aquisição de xp é um dos pontos mais interessantes. À parte as lutas e as quests que são a maneira mais comum de obter xp nos jogos, a possibilidade de morder e sugar o sangue a cidadãos em troca de xp não só está disponível neste jogo como é a mais eficaz, sendo as restantes muito pouco recompensadoras, o que nos leva ao sistema de dificuldade do jogo como de possibilidades de transformar o mundo. O jogo joga com a saúde dos distritos que nos é apresentada com vários níveis, sendo que alguns destes tornam o distrito hostil. A saúde dos distritos é influenciada tanto pelo número de cidadãos de que nos alimentamos como o número de cidadãos que curamos, e tem tanta influência na quantidade de inimigos que surgem dentro desse distrito como no nível em que estes estão. Decisões tomadas durante a história também iram ter efeito direto na saúde do distrito. Todos estes pormenores afetam a dificuldade do jogo, as decisões que tomamos definem a dificuldade que o jogador vai encontrar. Dito de uma maneira mais simples, se mordermos maior número de cidadãos o jogo torna-se mais agressivo e perigoso, no entanto devido ao nível elevado do jogador as lutas deverão ser mais fáceis, contrariamente quantas menos vítimas o jogador decidir tomar menos hostil será o jogo, no entanto devido ao nível inferior do jogador as batalhas deverão de se complicar.

Visualmente o jogo tem muito de bom. Não tem as típicas paisagens espetaculares que nos temos vindo a habituar, nem gráficos ultra realistas, mas a disposição dos elementos do mapa e as perspetivas com que nos deparamos com os mesmos está espetacular. Conseguimos retirar automaticamente a ideia de cidade. As suas ruas construídas de forma quase teatral, dramática, juntamente com a temática remeteram-me para o “Bloodborne”. Se a experiência visual é dramática e teatral então a experiência sonora também o é, mas de maneira muito mais intensa. Não me refiro aos sons do combate ou das coisas mais básicas como portas a abrir os itens a serem recolhidos, mas sim dos cinemáticos e momentos de grande intensidade onde ouvimos couros a cantar cheios de alma, muito trágicos, por vezes até fazem o ritmo do nosso coração acelerar. Quando ambos se juntam, tanto a parte visual como a parte sonora os resultados são fantásticos e a experiência do momento é completa.

Pode não ser o melhor jogo desta época, mas a experiência é sem dúvida excelente, com sentimentos intensos e uma história muito bem contada.

 

  • Lançamento: 5 de junho de 2018
  • Plataformas: PlayStation 4, Microsoft Windows
  • Desenvolvedor: Dontnod Entertainment
  • Editora: Focus Home Interactive.
  • Nota Pessoal: 8/10

Rafael "Gripe" Pereira


Fã de vídeo-jogos desde a infância. Prefere jogos de ação e RPG's e o seu amor pelos jogos aumenta quanto mais velho fica. Gosta de explorar o mundo dos jogos e partilhar as suas descobertas.