2018 Oct 26 / 00:16

Review: 60 Parsecs!

O mundo vai acabar e tens 60 segundos para salvar o que achas mais importante para sobreviver a longo prazo. A escolha parece difícil, mas de facto não é. Salvas o computador e jogas até morreres à fome... ou até acabar a bateria. 60 Parsecs! quer envolver mais algumas decisões no processo, e até o faz com alguma graça. 

É um bocado difícil definir o género de 60 Parsecs!, mas talvez um survival pós apocalíptico com elementos de point and click onde o jogo se resume a simples tomadas de decisão. De forma resumida começamos o jogo na nossa nave espacial que vai ser destruída por uma explosão nuclear e temos 60 segundos para procurar e levar itens e elementos da tripulação para a cápsula salva-vidas. Entre esses temos a comida e outros itens que nos podem ajudar ao longo da jornada, como pás, adesivos, livros de instruções, isqueiros, intercomunicadores, máscaras de gás, armas e itens de regeneração de saúde ou sanidade mental. De forma individual a comida é o mais importante, mas a longo prazo vais perceber que praticamente todos os outros itens irão ser necessários a determinada altura, sendo a sua ausência nesse ponto, muito provavelmente catastrófica. 

Graficamente tudo é em 2D, mas com um estilo de arte meio banda desenhada que eu gostei. Após os 60 segundos iniciais praticamente não há animações, pelo que não há muito mais a dizer para além disto. 

O meu comentário à música será igualmente espartano, pois a pouca que há é boa remetendo para temática alien/humorística que encaixa muito bem com o estilo de jogo. Os efeitos sonoros também são adequados às situações que representam. Não há qualquer diálogo pelo que também não há nada a dizer nesse campo. 

Ora, o que é então o jogo? É um misto de gestão de sopa, com uma tomada de decisão por ronda. Estas decisões são-nos dadas em texto por um computador e são finitas, pelo que em diferentes playthroughs podes apanhar a mesma tarefa para decidir, e se decidiste mal da primeira vez provavelmente acertarás na segunda, a não ser que implique o uso dum material que não possuías nessa altura.  

Antes de começar escolhemos um personagem para ser capitão da nave. Cada personagem tem três características: agilidade, força e inteligência. Na prática não percebi bem para que é que cada uma delas serve, porque praticamente não vi diferença entre os personagens. O que quero dizer é simples, se uma decisão envolve a característica “força” a maior parte das vezes o mais importante é acertarmos que a decisão envolve esta característica, e não o nível que o personagem possui. Há outras em que provavelmente interfere, por exemplo, numa decisão era preciso tirar um painel, e o personagem com menos força não conseguia, mas isto só acontece em algumas das decisões, não em todas. 

A cada ronda/dia, para além da tomada principal de decisão também podemos escolher, desde que tenhamos o material para isso, construir, reparar ou fazer o upgrade a diversos itens. 

Se sobreviveres o suficiente encontrarás um planeta para aterrar, sendo este aleatório, e uma vez aí podes optar por explorar os diversos locais que este oferece. O planeta pode ter vida ou não, e pela sorte que tive os que tinham vida revelaram-se bem mais perigosos que os que não tinham. 

Obviamente a fome é o maior problema, mas também podes enlouquecer ou morrer com alguma doença. Podes optar por ter uma tripulação até 4 elementos, mas depois terás de os alimentar a todos, o que não vai ser fácil. Dão no entanto alguns recursos na exploração dos planetas, mas creio que isso não compensa a longo prazo.

O jogo tem múltiplos finais, mas rapidamente começamos a não nos importar quer com os personagens, quer em procurar esses mesmos finais. 

Ou seja, eu considero 60 Parsecs! um jogo competente. Provavelmente quem o comprar não irá ao engano, pois é bastante parecido com o jogo anterior da Robot Gentleman, o 60 Seconds!. Duma forma geral não me impressionou por aí além. Embora reconheça que tem algum replay value, não me puxou muito para ir jogar e explorar mais cenários. A fórmula torna-se repetitiva, e falta-lhe algum dinamismo e diversidade naquilo que deveria ser o seu ponto forte, a maneira como conta a história.

  • Lançamento: 18 de Setembro de 2018
  • Plataformas: PC
  • Desenvolvedor: Robot Gentleman
  • Editora: Robot Gentleman
  • Nota Pessoal: 7/10
  • Cópia para análise gentilmente cedida por Robot Gentleman