2018 Nov 05 / 03:35

Review: Fluffy Horde

Nunca na vida este jogo me passaria pelas mãos se a chave não me tivesse caído no colo. Eu fico sempre meio escaldado quando isso acontece, mas desta vez, embora meio louco, o jogo não é nada mau. 

Fluffy Horde é um tower defense com uma componente estratégica engraçada. Falo um bocadinho mais disto mais à frente. De forma resumida a história evolui à volta duma raça de coelhos que se multiplica ainda mais rapidamente que a normal e que foi criada por um Shaman. Em vez de caçarem e comerem o raio dos coelhos as pessoas começaram a ser comidas por estes. Provavelmente efeitos do aquecimento global... 

Tudo em 2D com gráficos em 8-bits, e somente com o detalhe necessário para dar alguma nostalgia ao pacote. O jogo cumpre sem deslumbrar nem comprometer. 

O som é cuidado, se bem que repetitivo, com música que remete para a época dos arqueiros (aparentemente Elfos) e cavaleiros que são os nossos heróis no jogo. Os efeitos sonoros também são competentes, embora o sotaque dos diálogos me pareça algo forçado, de forma a enquadrar o tom do humor tradicionalmente britânico que os devs tentaram incluir no tema. Claro que mal liguei o jogo lembrei-me dos Monthy Python no filme "Em Busca do Cálice Sagrado", mas as similaridades começam e acabam com essa mítica cena do coelho a arrumar com uma data de cavaleiros. De facto, neste jogo os coelhos nem atacam as nossas poderosíssimas unidades. 

Mal comecei a jogar, o que me saltou à vista foi a mecânica muito próxima dos milhentos jogos mobile do mesmo género. Para além de teres de passar os 100 níveis divididos em 4 blocos (nunca percebi bem o porquê desta divisão) tens também três objectivos diferentes a atingir em cada um deles, que te darão entre zero e 3 medalhas se os cumprires. 

O game loop é simples: ou tens de impedir que os coelhos destruam um moínho, ou tens de fazer missões de escolta. O problema reside mesmo em como consegues fazer isso. Como esperado há mais que uma maneira de passar cada nível e muitas vezes perceber somente uma delas envolve um número razoável de mortes. Ao mesmo tempo também não podes deixar que os coelhos se multipliquem demasiado, pois perdes automaticamente o nível se o fizerem. 

Podemos contratar lavradores para trabalharem para nós, isso aumenta a velocidade a que obtemos dinheiro com o qual podemos contratar mais unidades, chamarizes, erguer ou baixar pontes. Estas pontes e chamarizes são também uma unidade estratégica muito importante pois podem impedir, ou não, a passagem dos coelhos, ou direccioná-los para um local específico para fazermos uma agradável carnificina e é aí que reside realmente o mais interessante deste jogo, a componente estratégica que não se limita a ir colocando as unidades e rezar, mas onde tens de as controlar a todas em tempo real, e as acções de algumas delas é que vão criar espaço ou forma de outras poderem passar ou actuar. 

Com 100 níveis, uma mecânica muito mobile e níveis muito rápidos esperamos que novas mecânicas sejam introduzidas frequentemente, mas é aqui que eu acho que o jogo falha. As novas mecânicas não são suficientes para manter o jogo fresco por muito tempo, e após aquele choque de diversão inicial acaba por esgotar de forma rápida. 

Em termos de replay value a resposta também não é directa. Para mim tem-no até ao ponto de conseguires cumprir todos os objectivos de cada nível. Pelo menos eu fui repetindo níveis na hora, para conseguir medalhas que achava que seriam fáceis de obter, após ter percebido a estratégia mais adequada a cada nível, mas depois disso não me voltou a apetecer repetir nada. 

Concluindo, este jogo é bastante engraçado, despretencioso, adequado ao nicho em que se inclui. Por vezes dei por mim a pensar se não seria um jogo fantástico para jogar no meu telemóvel, e se não se encontra um bocadinho fora da sua área de conforto no PC. Mesmo assim tem os seus méritos, e embora esteja longe de ser jogo do ano é competente e divertido por um bom bocado.

  • Lançamento: 7 de Novembro de 2018
  • Plataformas: PC
  • Desenvolvedor: Turtle Juice
  • Editora: Turtle Juice
  • Nota Pessoal: 6,5/10
  • Cópia para análise gentilmente cedida por Turtle Juice