2018 Dec 03 / 12:14

Review: Equilinox

Adoro world builders. Gosto de me sentir o criador de mundos. Até hoje já joguei alguns jogos desse género, inclusive em plataformas móveis, mas admito que nunca joguei um propriamente como este. Estou tão programado para construir uma cidade, sobreviver a cataclismos, criar uma sociedade que nem me lembro que, mudando a skin, posso fazer verdadeiramente o papel dum deus. Equilinox dá-nos a oportunidade de fazermos evoluir imensos seres vivos desde a simples erva até ao urso.
Como já disse Equilinox é um relaxante simulador de criação de mundo, termo aqui aplicado de forma literal. Não há propriamente uma história por trás, só tens que criar e dares uns toques nos ecossistemas para não se estragar o equilíbrio.
Graficamente parece que voltei ao tempo da minha SEGA Saturn, com gráficos poligonais em todo o lado, tudo com aspecto de bonecada, algo que acaba por resultar bastante bem, deixando aqui a excepção que algumas plantas, flores e mesmo árvores se tornam difíceis de distinguir a olho, algumas só em fase embrionária, outras durante todo o seu tempo de vida. Na generalidade a palete de cores é exemplar, com cada ecossistema a adquirir a sua cor própria, algo que empresta uma beleza surpreendente quando cada ecossistema se começa a aproximar de outro e as cores se começam a juntar e misturar.
A música é toda muito relaxante, toda a banda sonora. Ainda vais desbloqueando mais algumas músicas consoante vais cumprindo os objectivos, mas na generalidade o som de fundo aparece sempre no mesmo diapasão, e se não tivermos a prestar atenção tem o condão de nos distrair de tal forma que a certo ponto nem sabemos que está lá. O som dos animais é adequado. Também não há muito a inventar, é pegar numa ovelha e meter um “méééé”, não há propriamente ninguém a representar aqui. Mesmo assim algo que notei desde o início foi a existência de sons de pássaros mesmo antes de os termos desbloqueado.
Em termos de gameplay estava algo curioso em ver como teriam conseguido tornar este jogo complexo e o que criaram foi uma complexidade simplificada. Sim, é fácil, mas difícil… não estou a ajudar.
Começamos o jogo com acesso a alguns seres base para criarmos um ecossistema, baseado nas tradicionais planícies “ervadas”, ou pastagens se preferirem. Esses seres têm uma árvore genética e podem evoluir de forma a criarem outros, por exemplo a erva pode evoluir para criar o trigo, as ovelhas podem evoluir para criar as cabras, etc. Para haver essa evolução o ser tem que cumprir alguns critérios como ser de determinada cor, estar em determinado ecossistema, estar feliz, … se não cumprir um desses critérios temos que trabalhar para que cumpra, como tentar que a descendência já venha com a cor certa, mudá-lo para outro ecossistema, trabalhar sobre o ecossistema para o fazer mais feliz. Cumprindo todos esses requisitos ainda há o dinheiro aqui representado como Diversity Points, que obtemos por cada ser vivo que temos e nos é atribuído a cada minuto.
Muitas vezes me pareceu que estava completamente preso, não havia mais nada que conseguisse fazer, ou precisava dum ecossistema que não tinha forma de espalhar, ou precisava de seres vivos que não tinha forma de fazer evoluir, mas como por magia lá cumpria mais um objectivo que me desbloqueava o dínamo para um novo ecossistema e me abria a porta a mais uns quantos seres vivos. Nesse aspecto o jogo é muito scripted. Por um lado podes, esteticamente, fazer o que quiseres, mas na prática vais acabar por seguir sempre os mesmos passos. Isto corta muito do replay value.
Também podes controlar os animais, mesmo considerando que os controlos são maus, o que se revela particularmente útil quando têm fome e estão a morrer a dois passos dos alimentos, aparentemente sem a capacidade de o verem. Aliás este é para mim um dos maiores problemas do jogo, os animais são burros. Mesmo com alimento perto raramente dão mais que meia dúzia de passos para o procurar. Ainda dou outro exemplo, por vezes para fazer evoluir as espécies temos que sacrificar um animal ou planta num ambiente em que sabemos não terem chances de sobreviver, mas se tentarmos guiá-lo para um ambiente adequado só vamos perceber que vai voltar para o seu local de morte mal deixemos de o controlar.
Há também a opção de seguir um animal em específico, o que acabei por fazer quando estava a desenvolver alguma evolução. Seguimos as suas rotinas, vemos o que come e como brinca, depois ele morre e ficamos tristes. Não recomendo. Outra coisa interessante é que a evolução não se perde se o animal que está a evoluir morre, podemos simplesmente pegar noutro que cumpra os critérios e seguir do ponto em que parou sem qualquer acréscimo de custo.
Na generalidade os animais tentam manter o equilíbrio do ecossistema, mas nem sempre o fazem. Por vezes continuam a reproduzir-se até consumirem todo o alimento e nesse caso tens de estar sempre a acrescentar alimento, mas o mais simples e barato é deixar morrer tudo até teres mais formas de providenciar condições de sustentabilidade ao ecossistema.
Em suma, Equilinox é um jogo bastante competente. Divertido, barato, com mecânicas sólidas. Há algumas coisas que te vão chatear, outras surpreender. Pessoalmente gostava de ter mais algumas liberdades na forma de o abordar, de ter animais mais espertos, mas acho que mesmo assim tudo o que temos que controlar é bastante equilibrado, não requer atenção constante. Esta sensação de inevitabilidade emprega um gostinho a tycoon, porque o caminho está escrito à tua frente para que o sigas. E tu segues por um batalhão de horas… nem te apercebes. Recomendado!
  • Lançamento: 23 de Novembro de 2018
  • Plataformas: PC
  • Desenvolvedor: ThinMatrix
  • Editora: ThinMatrix
  • Nota Pessoal: 7/10
  • Cópia para análise gentilmente cedida por ThinMatrix