2018 Dec 04 / 19:00

Review: Dead Cells

Dead Cells relembra-me dos dias em que jogava Castlevania: Symphony of the Night na Playstation 1, um jogo side-scrolling em 2D. Apesar de serem apenas essas semelhanças. Dead Cells adiciona o estilo Rogue-like, com muitas mecânicas e sistemas desta geração que define algo totalmente novo e fresco para o mercado.

Com inspiração na arquitetura Celta, cores saturadas em cada tipo de cena e ambiente, para o jogador nunca se sentir bem-vindo, e estar constantemente à espreita de inimigos.

Pânico constante é a melhor descrição possível que se pode dar ao gameplay, estilos rogue-like, metroidvania, hack and slash, tudo géneros que já não tocava há anos, compactado neste jogo! Senti algo bastante fresco no meio de centenas de jogos a saírem mensalmente. Dead Cells foi o que se destacou com um estilo distinto dos outros, seja em gameplay ou mecânicas.

Começamos com a nossa personagem sem cabeça, num corpo de morto-vivo, coberto de alguma vegetação. Não se sabe como nem porque, mas também não há muita preocupação em saber, porque iremos estar demasiado ocupados a fugir e a matar inimigos.

O objetivo é bastante “simples”, ir subindo pelos níveis até às torres do relógio, desde esgotos, paredes de castelos, matando inimigos e receber ouro em troca, encontrar armas dentro de cofres ou secções secretas. Se morrermos perdemos o progresso todo e voltamos ao início, e sim, armas com upgrade ou compradas, material de defesa ou vida, tudo perdido. No entanto neste reinício, os níveis são bastante familiares, contudo todos diferentes da tentativa anterior. Mas nem tudo é mau quando se morre, esta é uma das maneiras de manter o gameplay sempre fresco e novo, há aprimoramentos permanentes que podem ser comprados com a moeda in-game e que não é perdida quando se morre.

Penso ter demasiada satisfação em jogos que castigam os jogadores de uma forma bastante drástica, a trilogia de Dark Souls é um perfeito exemplo do estilo de punição, mas independentemente do jogo, todos partilham aquele complexo de falha que alberga sempre um pouco mais de conhecimento da tentativa anterior, o sistema quer que o jogador vá explorar, aprenda como é que as mecânicas funcionam, sem nunca dar demasiada informação para que esse sentimento de realização nunca desapareça.

Há sempre um certo risco-recompensa em todas as tentativas que podem ditar o sucesso do fracasso, pagar por um aprimoramento que vai expirar caso o jogador morra, mas em contrapartida fornece muito mais dano corpo-a-corpo por exemplo, é uma estratégia a pensar se vale a pena investir ou deixar para mais tarde, é entrar na cabeça do jogador, dar as opções possíveis e deixar cada um escolher o seu estilo preferido.

Um ponto muito interessante e o meu preferido, é que existe uma tabela com todas as estatísticas de jogo, todos os parâmetros: minutos de jogo, progresso, número de inimigos mortos e o tempo de cada tentativa (perfeito para Speedrunners).

Motion Twin pensou em praticamente tudo para este jogo e fez de uma maneira fantástica, só espero que outros desenvolvedores, principalmente indies, tenham em consideração o Dead Cells como um marco importante para um novo estilo de gameplay incrível!

 

  • Lançamento: 6 Agosto de 2018
  • Plataformas: PC/PS4/XBoxOne
  • Desenvolvedor: Motion Twin
  • Editora: Motion Twin
  • Nota Pessoal: 9/10
  • Cópia para análise gentilmente cedida por MotionTwin

João "JLCfreitas" Freitas


Técnico de Redes e Sistemas, amante de jogos de terror e fanboy da Blizzard. Achievement Hunter de noite. Speedrunner de dia.