2018 Dec 05 / 19:00

Review: Darksiders III

Darksiders III é um jogo que olha para o passado de maneira a transpô-lo para o presente. Não vai com modas. O seu mundo aberto, não é extenso nem cheio de horas de conteúdo desnecessário. Nesta nova entrada da série jogamos com Fury que ao contrário dos seus dois irmãos, War e Death, protagonistas de Darksiders e Darksiders II, não é um dos quatro cavaleiros do apocalipse presentes na Bíblia. Esta tomada de liberdade artística não é algo que seja do meu agrado, no entanto gostei bastante do design total da personagem, sem dúvida o melhor penteado na série. Fury é como que uma adolescente em fase de amadurecimento, revoltada e egocêntrica, quase que antagonista para os seus irmãos, só deseja liderar os cavaleiros do apocalipse. É sem dúvida aquela que mais rapidamente parte para a violência.

Cada um dos jogos anteriores apresenta-nos uma demanda solitária que se inicia em torno de limpar o nome de War que havia sido acusado de quebrar o sétimo selo e libertar o apocalipse na Terra, desenvolvendo-se para algo mais. Em Darksiders III apesar de Fury, por decisão do Charred Council, ser acompanhada por um Watcher, a sua demanda é também ela muito solitária, é interior. Fury é destacada para capturar os sete pecados mortais que fugiram da sua prisão e tomaram a Terra como o seu novo abrigo. Esta história, tem apenas algumas pontes de ligação com o evento que nos inicia na série. Diria que encaixa perfeitamente com Fury que pouco quer saber dos seus irmãos, e o seu interesse reside sobretudo na sua glória.

Cada um dos jogos de Darksiders é diferente do outro, uma abordagem muito bem pensada visto que cada jogo é jogado com um personagem diferente, mas existem sempre pontos de referência entre os jogos, para além da história e personagens integrantes, uma estrutura base. A verdade é que alguns desses pilares de apoio desapareceram, podem talvez até ter simplesmente evoluído para algo um pouco diferente. As dungeons por exemplo agora já não estão assinaladas como tal, integram o mapa na sua totalidade, são apenas mais uma área, mas a verdade é que elas existem. Ao olharmos para trás, diria para Metroid, ou um pouco mais recente para Soul Reaver, as dungeons existem, pelo que a palavra representa nos jogos. Exatamente como em Darksiders III, não estão assinaladas como uma área exilada do conjunto total que dá forma ao mapa do jogo. Têm maioritariamente o acesso bloqueado pela necessidade de uso de um certo poder que o próprio progresso do jogo nos irá dar. O próprio mapa também desaparece, deixando-nos com uma bússola que assinala a direção do próximo Pecado. Torna o jogo mais linear sem dúvida, mas quando o jogo nos engana e bloqueia o caminho que nos diz ser a direção certa, não nos sobra outra opção senão explorar. Acabamos muitas vezes por fazer backtracking. O combate que tem um compasso médio rápido, é agora mais técnico. Usar simplesmente as teclas de ataque desenfreadamente não chega, visto que os inimigos mais fracos são capazes de nos matar quando subestimados. Desviar é essencial. Os ataques não têm de ser desviados num momento específico, mas se o fizermos o jogo recompensa-nos com i-frame e a possibilidade de usar ataques próprios para estas situações, tal como em Nier:Automata. Existe bastante diversidade nos inimigos, especialmente para o tamanho do jogo. Os puzzles mantêm a sua presença. Não são tão complicados. E muitos deles acabam por ser menos artificiais, quase como se fosse algo possível de nos depararmos com, e não tanto uma porta que tem de ser aberta com elementos colocados convenientemente, apesar destes continuarem a existir.

Há algumas questões que não podem deixar de ser mencionadas, negativamente. Um punhado de coisas que podiam ter sido muito melhor trabalhadas. Alguns bosses mereciam muito maior impacto, parece que simplesmente nos esbarrámos neles, que são secundários. As transições entre áreas descem automaticamente a quantidade de frames por segundo, exceto os túneis que mudam a perspetiva para primeira pessoa e apesar de muito apertados Fury consegue sempre rodar 180º e voltar para trás. As Legendas estão descoordenadas do vídeo. O jogo tem um erro fatal e perdemos entre 5 a 15 minutos de progresso. Estas duas últimas questões aconteceram muito poucas vezes, mas ainda assim aconteceram. A câmera funciona mal em sítios apertados acaba muitas vezes por prejudicar o jogador. Por fim, os pequenos montes de terra com pedras, ossos, etc., não têm quase tridimensionalidade.

Tirando o pormenor dos pequenos montes, os gráficos não realistas de Darksiders III são bons. A intensidade da luz e direção da mesma é prova disso. Tem cenários nojentos, repugnantes e um tanto tripofóbicos. Sinais de destruição, abundância de tons de castanho e cinzento, escassez de verde, são representações da vida terráquea, também ela escassa, na dimensão de Darksiders III. Provas que o ambiente do jogo está muito bem construído. O áudio do jogo não fica nada atrás dos gráficos. Não é perfeito, mas muito bom em termos de ambiente. A música por vezes solitária melancólica com violinos e outras vezes música épica de batalha com coros e tambores. O som avisa-nos também da presença de itens e serve de indicação para alguns ataques mais perigosos ou que têm mais probabilidade de vir de um ângulo escondido pela câmera.

Darksiders III acaba por não ser um jogo aberto para que todos desfrutem. Na minha opinião é bom e tive uma experiência bastante agradável. Mesmo não achando que cumpra os standards de hoje para um jogo de 60€, fico muito feliz por este não ser mais um jogo desenhado para o jogador gastar 60 a 100 horas no jogo. Apesar de muito conteúdo extra ser algo que me agrada imenso, tudo o que é demais enjoa. Tem sem dúvida umas quantas arestas que podem e devem de se limar. No final de contas eu senti que é um Darksiders.

  • Lançamento: 27 de Novembro de 2018
  • Plataformas: PS4/ Xbox One/ PC
  • Desenvolvedor: Gunfire Games
  • Editora: THQ Nordic
  • Nota Pessoal: 7,5

Rafael "Gripe" Pereira


Fã de vídeo-jogos desde a infância. Prefere jogos de ação e RPG's e o seu amor pelos jogos aumenta quanto mais velho fica. Gosta de explorar o mundo dos jogos e partilhar as suas descobertas.