2018 Dec 26 / 10:54

Review: Pokémon Let's Go (Pikachu)

Fiquei um bocado apreensivo quando para primeira análise de um jogo Nintendo me calhou Pokémon Let’s GO (Pikachu neste caso) porque nunca gostei de nenhum dos jogos anteriores. Tentei alguns, nunca me motivaram para além dos primeiros minutos. Raios partam, isto tinha tudo para correr mal… não correu, bem pelo contrário. Pokémon Let’s Go é uma experiência bastante agradável, não só para mim mas para toda a gente que jogou comigo.
Seguindo a tradição Pokémon Let’s GO é um JRPG onde temos de apanhar e treinar Pokémons para os preparar para as diversas batalhas que vão encontrando ao longo da nossa jornada. Do pouco que vi de Pokémon quando era mais novo sempre me intrigou a hipótese de ver uma mãe dar um mapa a um filho e enviá-lo sozinho pelo mundo para caçar bichos para lutar contra outros bichos. Bem, no fundo é isto.
Num mundo colorido e cheio de charme, apelativo para todas as idades, um estilo cartoon e tudo bastante detalhado com uma simplicidade enganadora. O mundo parece vivo quando ultrapassamos a impressão inicial dada pela estaticidade dos NPC.
A música é animada e uma excelente companhia para o nosso gameplay. Não tenho nada a apontar nesse aspecto, se bem que como o tempo de jogo tende a acumular vais passar por uma de duas experiências, ou começa a gastar, ou interiorizas como som ambiente. A mim aconteceu-me a segunda, e por fim já nem reparava quando esta mudava.
A primeira vez que joguei o jogo foi numa hora morta no meu local de trabalho. Foi um erro. Depois do gozo inicial, nem 10 minutos depois já não tinha nenhum joycon na mão, pois todos estavam a jogar e eu só a ver. É esta a magia do jogo, apela a todos. Creio que era mesmo essa a intenção, apanhar quem não gostava do jogo com uma mecânica simples, repetitiva e apelativa. Em minha casa conseguiram, porque até o meu filho se apaixonou pelo jogo e, tal como eu, também fazia parte do gang que não gostava de Pokémon. Agora está sempre à espera que eu chegue a casa para jogarmos um bocado.
Provavelmente ajuda o jogo ser baseado na primeira série de Pokémons o que me fez reconhecer a maioria deles bem como os personagens principais, o que criou uma ligeira onda de saudosismo que nunca tinha tido por nenhum deles.
Acho que o maior chamariz do jogo é a mecânica com a qual apanhamos os Pokémon, usando o joycon (também podemos usar o modo handheld que é mais fácil, mas não tão divertido) para apontar e atirar como se fosse uma cana de pesca. Podemos usar itens ou bolas mais poderosas para facilitar a captura dos mais difíceis, mas na prática sempre achei o processo um bocado random, pois por vezes capturava alguns do mesmo grau de dificuldade à primeira, outros precisavam de imensas tentativas e nunca consegui perceber bem a razão. Da mesma forma também me pareceu meio aleatório os Pokémon desviarem-se ou bloquearem a bola. O joycon também não é perfeito e por vezes as bolas não vão para onde queremos nem com a velocidade que queremos, mas é sempre um processo divertido.
Apanhar Pokémon é a maneira mais fácil de ganhar experiência, e se apanharmos muitos iguais seguidos aumenta a probabilidade de nos calharem mais fortes. É uma mecânica muito interessante.
Também interessante é não existirem encontros random, conseguimos ver todos os Pokémon e NPC, e embora muitas vezes tentem dificultar-nos a passagem, por norma conseguimos evitá-los caso se esteja com pressa.
Com o treino e sucessivas batalhas os nossos Pokémon ficam mais fortes, mas o tradicional método de pedra-papel-tesoura pareceu-me sempre o mais importante no jogo. Escolher o correcto para cada batalha é essencial. As batalhas contra qualquer treinador que vamos encontrando pelo caminho parecem algo repetitivas, mas no fundo é isso mesmo, um treino.
Jogando a dois o jogo torna-se consideravelmente mais fácil, mas depois de jogarmos uma vez assim, preferimos imediatamente a experiência ao jogo solitário, mesmo que isso implique a perda dumas bolas adicionais, e poder jogar com o meu filhote é sempre bem vindo.
Achei aborrecido ter de interagir com o meu Pokémon para subir a nossa relação, mas o processo é tão fofinho…
É também importante falar com toda a gente, pois alguns NPC dão-nos itens que nos fazem falta em momentos que precisamos deles.
Em resumo, eu era o público-alvo para este jogo, e nisso fiquei completamente seduzido. Acho que acertaram na mouche na maneira como construíram o jogo de forma a apelar à maioria das pessoas. Não é um jogo perfeito, e é até um bocado repetitivo, mas despoleta todas as minhas reacções aos jogos tycoon e quero sempre procurar mais e melhor, conseguir mais um crachá, apanhar um bichinho um bocado melhor, jogar um bocadinho mais com o meu filhote. Muito melhor do que estava à espera.

  • Lançamento: 16 de Novembro de 2018
  • Plataformas: Nintendo Switch
  • Desenvolvedor: Game Freak
  • Editora: Nintendo, The Pokémon Company
  • Nota Pessoal: 8/10
  • Cópia para análise gentilmente cedida por Nintendo Portugal