2019 Feb 05 / 14:00

Review: Kingdom Hearts III

Já lá vão quase 17 anos desde a primeira vez que vimos Sora, quando estava em busca dos seus amigos. Tem sido uma aventura cheia de emoção. Assim continua. Acompanhado por Donald e Pateta, os três aventuram-se por vários mundos da Disney. Alguns novos, outros antigos. Por ser o terceiro jogo com título numerado, eu costumava ser da opinião de que não era boa ideia entrar em Kingdom Hearts III sem estar informado da história para trás. Estava enganado, este jogo é tanto para antigos fãs de Kingdom Hearts como para jogadores que nunca antes jogaram um jogo da série. Existem soluções, como o Memory Archive, onde a  história para trás é bem explicada, de forma simples. 

Não sou fã da história independente de todos os mundos da Disney que estão presentes no jogo. Ao entrelaçar a história de Sora com as histórias desses mundos, ao colocar alguns elementos novos nesse universo, algo maravilhoso é criado. Um microcosmo paralelo ao da Disney. De repente sinto vontade de conhecer e interagir com personagens que nunca antes me chamaram à atenção. A minha perspetiva sobre eles muda por completo. Conseguir conjugar todos estes componentes e figuras, tudo na mesma dimensão e ainda assim fazer sentido, é espetacular.

Saltar de mundo em mundo transmite verdadeiramente a ideia de uma viagem. Cada um é único. Para além da história, existem outros elementos que variam. A música, o layout do menú de combate, por vezes até  o aspeto dos nossos heróis. É certo que, dentro de cada mundo, falta um mapa da totalidade das áreas para que o jogador possa consultar, deixando-nos apenas com um minimapa. Como as áreas agora são maiores e existe uma grande enfâse na verticalidade, a falta de um elemento visual mais abrangente e detalhado acaba por dificultar a exploração.

A verticalidade é um elemento chave neste jogo. Não só abre portas para uma maior imersão e possibilidades de exploração, como acrescenta mecânicas que dinamizam o combate. Porque o nível do combate aéreo é igual, ou até mesmo superior ao de chão, permitindo ao jogador manter-se no ar e utilizar as paredes para ligar combos, eu não consigo fazer comparações a outros RPG de ação.

Cada keyblade com as suas transformações, traz variedade ao combate. Attraction Flow é uma novidade na série, que permite a Sora invocar atrações dos parques temáticos da Disney para a batalha. São ataques devastadores que mudam as marés a favor do jogador. Por serem tão fortes, com um visual tão luminoso e cintilante, optei por as utilizar o mínimo possível. Estas mecânicas são únicas, e por consequência tornam o combate de Kingdom Hearts igualmente único dentro do género. Foi para mim uma lufada de ar fresco e verdadeiramente divertido.

É importante referir as melhorias que existem no gameplay da Gummy Ship. Algo que outrora era aborrecido e massacrante, é agora bastante tolerável, chegando até a ser divertido. Excelente para uma pausa do gameplay regular de Kingdom Hearts. É um jogo dentro de um jogo. O que eram antes corredores repletos de inimigos, onde nunca podíamos parar de andar para a frente, são agora áreas abertas que nos convidam à exploração. Bosses e outros tipos de batalha continuam disponíveis, mas agora na sua maioria opcionais.

Kingdom Hearts III conta com imensos mini jogos. Alguns fazem parte da história e somos obrigados a jogá-los pelo menos uma vez, outros são puramente opcionais. Uma grande parte destes são jogos retro. Estão espalhados pelo mundo fora, podendo o jogador colecioná-los, e aceder aos mesmos em qualquer momento através do menú principal.

A fantástica, mágica, banda sonora de Kingdom Hearts III produzida por Yoku Shinomura, enche-nos o coração de emoção. Algumas  músicas são conhecidas da nossa infância, como é para mim "Sou teu amigo sim" de Toy Story.  Aqueles que nasceram na decada de 90 concerteza sabem do que falo. É muito difícil ser-se insensível perante recordações tão fortes. A grande maioria das músicas transmitem uma forte sensação de felicidade e segurança, mas também encontramos coragem, melancolia, sarilho, entre outras.

Mais um excelente trabalho da parte da direção de Tetsuya Nomura. É um jogo mais indicado para crianças, não só para as de agora, mas também para as que estão dentro de nós, as crianças que já fomos. Foi para mim um recolher de velhas memórias, e o criar de umas tantas novas que fiz com tanta alegria e boa disposição. Foi difícil de não me esquecer da minha idade enquanto joguei Kingdom Hearts III.

  • Lançamento: 29 de Janeiro de 2019
  • Plataformas: PS4/ Xbox One
  • Desenvolvedor: Square Enix
  • Editora: Square Enix
  • Nota Pessoal: 9
  • Especiais agradecimentos à Ecoplay por ceder uma cópia para análise.

Rafael "Gripe" Pereira


Fã de vídeo-jogos desde a infância. Prefere jogos de ação e RPG's e o seu amor pelos jogos aumenta quanto mais velho fica. Gosta de explorar o mundo dos jogos e partilhar as suas descobertas.