2019 Feb 04 / 12:00

Review: Riot - Civil Unrest -

Pedi este jogo para analisar por duas razões. Queria ver como tinham pegado num tema sensível e torná-lo neutral o suficiente para não causar celeuma e gostava de perceber como criariam diversidade o suficiente para o jogo não se esgotar rapidamente. Se a primeira conseguiram de forma exemplar, já a segunda não tenho bem a certeza.

Riot é um RTS que se baseia em quatro manifestações ou motins populares que aconteceram em três diferentes países. O que temos de fazer é concluir os diversos níveis controlando a população ou as forças policiais.
Graficamente está tudo em 8 bits, mas já vi esta arte realizada de forma mais interessante. Creio que este efeito é intencional, mas mesmo assim estava à espera de melhor. Tudo se percebe, e há diferentes graus de complexidade gráfica entre personagens e plano de fundo, mas de forma geral tudo é simplista e competente.
Os efeitos sonoros também não são nada de especial. A tentativa de criar um ruído de multidão não resultou muito bem, o som saiu pouco realista com alguns guinchos irritantes pelo meio, mas podemos dizer que uma manifestação não é para ser agradável, contudo acho que aqui podia ter sido feito mais.

E jogar que é bom? Aqui é que tenho mixed feelings. Começo por explicar as mecânicas. Iniciamos o jogo com acesso a 4 cenários gerais de motim. Dois no Egipto, um em Espanha e o último na Grécia. Em cada cenário podemos desbloquear mais oito subníveis, 4 por parte dos manifestantes, 4 por parte das forças policiais. Cada um desses subníveis é desbloqueado ao concluir o anterior, sendo que no final de cada subnível os jornais contam com imparcialidade o que aconteceu.
Houve bastante cuidado por parte de quem fez o jogo em não assumir partidos, cada cenário pode ser jogado por ambos os lados da barricada, e não há informação específica sobre os acontecimentos, somos sim aconselhados a procurar informação caso queiramos saber mais.
De forma genérica controlamos pessoas em bloco, não individualmente, como se fossem "batalhões". Do lado dos manifestantes cada um dos “batalhões” é homogéneo e fazem todos o mesmo, já se optarmos por controlar as forças policiais cada “batalhão” tem a sua especialidade, e acaba por ser imperioso uma percepção rápida do que queríamos fazer com cada um deles em cada momento, o que nem sempre é fácil quando jogamos na consola, e eu joguei na Switch, mas muito provavelmente era bem mais simples controlar tudo com teclado e rato.


Com as vitórias vamos também desbloqueando itens com os quais podemos equipar os nossos “batalhões” em confrontos futuros, dando uma ligeira sensação de progressão e customização.
As rondas são muito curtas, cerca de 3 minutos cada uma, o que ajuda a disfarçar o repetitivo que o jogo se torna, e a tornar mais fácil de engolir a sensação de tentativa e erro, pois nem sempre é claro o que temos de fazer ou como temos de o fazer, nem tão pouco percebo com clareza os resultados finais, e aqui creio que muito pode ser feito para melhorar a experiência do utilizador e tornar o jogo mais intuitivo. Depois os comportamentos nem sempre são claros, e objectivamente parece que o jogo não executa bem algumas das acções. 
O modo Global é o meu favorito. É como um endless mode, em que as nossas acções contam e temos que viver com elas em confrontos futuros, já que a opinião da população vai mudando e dificulta muito a nossa vida quando fica contra nós.
Ainda apanhei alguns bugs, ou falhas de design, mas nada que estragasse a experiência.

Concluindo, o jogo nasce duma ideia e conceito interessantes. Posso dizer que o jogo tem bastante conteúdo, mas para mim foi tudo bastante confuso, repetitivo e pouco intuitivo. Pensei que fossem explorar mais o conceito da revolta popular, mas não foi o caso. Percebo a ideia, mas sendo o tema tão complexo no final acabamos com um jogo muito superficial. Por vezes esta superficialidade é compensada por excepcional qualidade gráfica ou sonora, mas também não é o caso aqui. Ficamos então com um jogo interessante, mas sem nada de tão especial que faça alguém sair do seu caminho para o jogar.

  • Lançamento: 5 de Fevereiro de 2019
  • Plataformas: PC/Xbox One/PS4/Switch
  • Desenvolvedor: IVP Productions / Leonard Menchiari
  • Editora: Merge Games
  • Nota Pessoal: 6,5/10
  • Cópia para análise gentilmente cedida por Merge Games
  • Analisado na versão para Nintendo Switch