2019 Feb 07 / 14:00

Review: Resident Evil 2 Remake

Janeiro começa de forma fantástica, com títulos bastante especiais para jogadores que seguem franquias com alguma idade! Há vários anos, mais dos que me lembro, os fãs pediam uma versão remaster/remake do título que deu bom nome ao género survival horror, é nestes casos que mais vale tarde e bem do que cedo e mal. Espero que este que seja um bom exemplo para as outras produtoras que estão a pensar em trazer algum título antigo que tenham em mente para o mercado outra vez, vejam o cuidado e o empenho que a Capcom teve ao lançar Resident Evil 2 Remake.

É com muito orgulho, como fã de terror clássico, dizer que não há modernizações nos sistemas básicos do jogo, uma escolha bastante sábia por parte da Capcom para não estragar a nostalgia nem a dificuldade daqueles que jogaram o título de 1998. As poucas e boas mudanças que houve no jogo foram puramente melhorias de mecânicas, visuais gráficos e estilo de visão, em vez de ser câmara fixa, é câmara sobre o ombro. Escusado será dizer que muitos desses ajustes criaram uma divisão dos fãs, mas foi pelo melhor, para trazer novos jogadores desde que estejam dispostos a aceitar o que este género de jogo tem para oferecer.

Existem duas campanhas distintas, uma com o Polícia novato Leon Kennedy, e a estudante de faculdade Claire Redfield, que lutam contra uma cidade infestada de zombies. Cada história tem as suas particularidades, contando com alguns ajustes para os jogadores que jogaram o original e para convidar as novas vítimas que desconhecem o enredo. As mudanças feitas nas histórias podem ser desenvolvidas de forma distinta, desde a ordem que se conhece certa personagem, até da forma como se luta contra bosses, portanto todo o pequeno detalhe foi repensado e acertado, isto também se aplica para as campanhas seguintes quando a primeira é acabada, portanto o replay value é extremamente alto comparando a outros títulos recentes. Existem pelo menos quatro diferentes campanhas com novas histórias, novos puzzles e mais. O que eu recomendo é que joguem pelo menos as duas campanhas principais para cada personagem, assim é possível ver os dois pontos de vista, e então para os mais hardcore seria mesmo as tais quatro vezes para mais armas, mais puzzles, mais história e mais cut scenes que são sempre um prazer para os olhos.

Usando a engine do título anterior, Resident Evil 7, as melhorias de expressões faciais são notórias  e, juntamente com a reutilização de objetos e texturas que se pode ver ao longo de todo o jogo foram também aprimoradas, não que a reciclagem de objetos seja algo de mau, neste caso até é muito bom sinal, significa que conseguiram poupar muito tempo a usar algo já bem conseguido e deram prioridade a outros problemas a nível de performance que provavelmente apareceram durante o desenvolvimento.

O medo que tive quando o remake foi anunciado, era se o famoso sistema antigo de Resident Evil ia ser removido. Ervas verdes, salvar numa máquina de escrever, arranjar espaço no inventário e esperar que fosse a melhor opção ter levado um tipo de munição, um item para recuperar vida e 3 chaves diferentes e rezar para ter algum progresso no jogo. Tenho a certeza que foi este tipo de sistema que gera muito stress ao jogador, me deixou agarrado à franquia, tudo isto sem mencionar a tensão e claustrofobia nos corredores demasiado esguios, preenchidos de zombies e a ouvir passos extremamente pesados do Mr. X,  que possivelmente está ao virar da esquina pronto para nos esmagar a cabeça.

Stress constante é o que quero deixar bastante realçado para quem ainda está a pensar comprar o jogo ou é novato nestas andanças. São poucas as situações em que estamos “livres” de perigo, e a maior parte delas são quando estamos nas zonas com uma máquina de escrever para salvar o jogo, e mesmo assim será melhor ter muita atenção para o caso de começar aquele som infernal de pés a bater no chão, mas até aí tudo bem, o real problema é quando a música começa a tocar, nesse caso as hipóteses de sair com vida são muito poucas. Portanto, compreendo totalmente que este género de jogo não é para todas as pessoas, consigo rever a mesma situação que aconteceu com Alien: Isolation, mesmo tipo de stress e sentimento de claustrofobia em lugares bastante limitados e com poucos recursos.

Para finalizar, Resident Evil 2 é a paixão absoluta pela franquia como um todo, com a Capcom a querer mostrar o que podiam ter feito em 1998 mas que infelizmente por razões que limitaram o desenvolvimento para as plataformas daquele tempo não era possível criar. Essa paixão e empenho é visto durante todas as campanhas, maioritariamente na forma de Easter Eggs e outros pequenos detalhes como o progresso da Capcom como desenvolvedora e as várias franquias que criaram ao logo dos anos, agora só falta mesmo pedir Resident Evil 3:Nemesis como remake, mas por mim podem demorar o tempo que for preciso, desde que tenha a mesma qualidade de sound design, visuais, dificuldade e principalmente a mesma paixão e o mesmo calibre que este.

  • Lançamento: 25 de Janeiro de 2019
  • Plataformas: PS4/ Xbox One/PC
  • Desenvolvedor: Capcom
  • Editora: Capcom
  • Nota Pessoal: 10
  • Especiais agradecimentos à Ecoplay por ceder uma cópia para análise.

João "JLCfreitas" Freitas


Técnico de Redes e Sistemas, amante de jogos de terror e fanboy da Blizzard. Achievement Hunter de noite. Speedrunner de dia.